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O conceito de que o sonho tem uma explicação científica começou a ser desenvolvido ainda na Grécia antiga. Para Homero, eles ainda eram mensageiros dos deuses, e para Hesíodo eram crianças da noite que habitavam um mundo paralelo. Idéias Apesar desta aparente coerência entre os pensadores da época, sacerdotes já aliavam as supostas mensagens dos deuses a interpretações racionais de sonhos no diagnóstico e na cura de doentes. Para Aristóteles, um dos grandes pilares do pensamente ocidental, os pesadelos eram causados pela ingestão de alimentos difíceis de digerir. Mesmo assim, o filósofo não descartava que os sonhos poderiam ter uma origem mais profunda.
Condensação
Deslocamento Outro tipo de processo que pode ocorrer no sonho, similar ao deslocamento, indica as emoções contidas no sonho. A emoção pode ser eliminada, diminuída ou simplesmente se transformar em seu contrário. Neste caso, o sujeito que chega irritado do trabalho, em vez de chutar o cachorro, mimaria o bichinho. Outra observação importante de Freud sobre os sonhos é de que, para produzi-los, o sujeito precisa transformar pensamentos abstratos em imagens, ou seja, numa linguagem concreta. Um exemplo é o do pai, que vê seu filho, já morto, ser queimado. Assim, seu desejo de que o filho continuasse vivo é expresso nesta imagem, do filho vivo sendo queimado. Para Freud, sonhar é um pouco como escrever um poema. Interferências da atividade de Essas três funções: A teoria de Freud sobre os sonhos se baseia em quatro assertivas: 1 - Os sonhos realizam desejos
OS SONHOS SONHOS SÃO SONHOS SÃO SONHOS SÃO A REALIZAÇÃO DISFARÇADA DE UM DESEJO REPRIMIDO E INFANTIL Rosane Maria |
A agressividade é um comportamento emocional que faz parte da afetividade de todas as pessoas.
A agressividade é um tipo de comportamento normal que se manifesta nos primeiros anos de vida.
Na infância, a agressividade é uma forma encontrada pelas crianças para chamar a atenção para si.
Na fase adulta, a agressividade se manifesta ainda como reação a fatos que aparentemente induzem o indivíduo à disputa e ainda a sentimentos.
A agressividade é uma qualidade natural, humana ou animal, que tem a função de defesa diante dos perigos enfrentados e dos ataques recebidos.
Agressividade e medo são emoções fundamentais na sustentação de processos decisórios.
A agressividade é uma forma de nos protegermos, de dar limites, em família ou no trabalho.
A ação está na agressividade, e a reação na violência.
1º.Agressão hostil (hostilidade)
Agressão hostil é emocional e geralmente impulsiva. Agressão hostil quando, por exemplo, um elemento que conduz um veículo colide propositadamente na traseira do automóvel que o ultrapassou. Este comportamento só trouxe desvantagens para o próprio: tem de pagar os danos do seu carro, do carro do outro condutor, podendo ainda vir a ter problemas com a justiça. O termo raiva pode designar esse sentimento em oposição à agressão premeditada.
Como exemplo de agressão instrumental: o assalto a um banco; pode ocorrer no decurso da ação uma agressão, mas não é esse o objetivo.
3º.Agressão direta
O comportamento agressivo dirige-se à pessoa ou ao objeto que justifica a agressão. Na agressão sexual o objeto almejado confunde-se com o motivo da agressão na categoria acima descrita. Os motivos fúteis opõem-se à defesa da vida como critério de gravidade do ato agressivo.
Em animais também se observa esse mecanismo de controle dos impulsos agressivos.
5º.Auto-agressão O sujeito desloca a agressão para si próprio.
"Amor e ódio constituem os dois principais elementos a partir dos quais se constroem as relações humanas. Mas amor e ódio envolvem agressividade.
A disputa passa a reinar na alma da pessoa; e se fizermos um levantamento da história do indivíduo, descobriremos que desde cedo o mesmo se esforçou em demasia para não vivenciar a experiência da exclusão. Esta definição contempla os aspectos negativos do fenômeno.
Fundamental é a agressividade para o crescimento e conquista do espaço pessoa, sinal de que não se esta sendo passivo frente às imposições do social e dos outros.
A agressividade não é sinônima de falta de amor.
A agressividade é um tipo de comportamento normal que se manifesta nos primeiros anos de vida.
A agressividade é uma forma encontrada pelas crianças para chamar a atenção para si.
O Comportamento Agressivo consiste na defesa dos direitos pessoais e expressão dos pensamentos, sentimento e opiniões de uma maneira inapropriada e não positiva que transgride os direitos das outras pessoas.
O objetivo habitual da agressão é dominar as outras pessoas. A vitória assegura-se por meio da humilhação e da degradação. Mais uma vez, polimorfismos do gene aparecem para influenciar diferenças individuais
O autismo não causa agressividade.
Deve-se investigar em cada caso o que estaria mantendo a agressividade, pois, mais uma vez, nenhum comportamento vem do nada!
As instituições Bancárias sugerem agressividade ao investidor e lista motivos para se preferir as ações.
A agressividade é uma qualidade natural, humana ou animal, que tem a função de defesa diante dos perigos enfrentados e dos ataques recebidos.
Gera medo, tensão, estresse, tristezas, ressentimentos, mágoas, culpas, inseguranças… Sentimentos que estão na origem da grande parte das doenças físicas.
Agressividade é constitucional e necessária para auto conservação e conservação da espécie, porque possibilita nos posicionarmos nas situações e construirmos coisas. Muitas vezes dependendo do que o individuo é submetido, ele pode apresentar uma reação de violência.
A agressividade é constitucional e está ligada a ação.
A ação está na agressividade, e a reação na violência.
Quando pensamos em crianças, logo associamos à imagem angelical de pureza e doçura.
Embora não saiba, as crianças devem revelar um pouco da agressividade que guardam dentro de si.
Logo à nascença, a criança solta o seu grito de agressividade. Isto retrata um tipo de preocupação e de controlo totalmente distinto da agressividade.
As crianças agressivas utilizam essa agressividade como forma de se defenderem do que as rodeia, e não necessariamente porque tenham instintos ou pensamentos violentos.
Foi observada uma correlação entre o tamanho das amídalas e a agressividade do adolescente.
Parece que o crescimento descompassado das amídalas e do córtex pré-frontal poderia explicar fases de maior agressividade durante o desenvolvimento e a passagem da adolescência à vida adulta.
Os efeitos do bullying podem durar uma vida.
Agressividade e medo, por exemplo, são emoções fundamentais na sustentação de processos decisórios.
É saber equilibrar agressividade e afetividade. Agressividade e medo são nossos aliados nos processos de mudanças”, afirmou.
Serotonina pode ajudar no controle da agressividade
A serotonina, um dos principais neurotransmissores do sistema nervoso central, desempenharia um papel importante no controle de emoções, especialmente a agressividade, de acordo com um estudo britânico publicado na sexta-feira nos Estados Unidos.
Risco e agressividade podem não combinar com a vida conjugal.
De igual forma, a mesma castração teria conseqüências na redução em longo prazo dos níveis de Crime nas Sociedades.
PSICANÁLISE E A AGRESSIVIDADE
As discussões sobre agressividade enunciaram-se desde o princípio no discernimento freudiano. Assim, na “Psicoterapia da histeria”, de 1895, essa problemática já se enunciara, pelo viés da questão da resistência (Freud 1971a), no registro estritamente clínico. Porém, nas experiências analíticas de Dora (Freud 1971c [1905]) e do pequeno Hans (Freud 1971d [1909]), a agressividade foi inscrita no registro do sintoma, sendo então responsável pela produção e pela reprodução desse.
Subentende-se que a problemática da agressividade não se formulou num momento tardio do discurso freudiano, como supõem equivocadamente alguns intérpretes desse discurso, que formularam que a sua emergência teórica seria correlata à constituição do conceito de pulsão de morte. Não foi porque Freud colocava toda a ênfase na sexualidade, no quadro da primeira teoria das pulsões (Freud 1962 [1905]), que a agressividade não era já um problema para o discurso freudiano.
Vale dizer, o discurso freudiano não enunciou a existência de uma pulsão de agressão, como realizou Adler (cf. Kauffman 1996), na medida em que a agressividade foi inscrita na oposição entre as ordens do sexual e da autoconservação. Mesmo posteriormente, quando Freud inscreveu a autoconservação no registro do eu – elaboração realizada em 1910, no ensaio “As perturbações psicogênicas da visão numa perspectiva psicanalítica” (Freud 1973b [1910]), que culminou no conceito de narcisismo em 1914 (Freud 1973d [1914]) –, a agressividade continuou a ser ainda concebida nesse contexto metapsicológico.
Ao falarmos de agressividade em psicanálise, imediatamente nos vem à lembrança, de modo quase automático, o texto de 1929, Mal-estar na Civilização, no qual Freud reconhece na agressividade inata do homem o principal fator de ameaça à vida em sociedade.
Na psicanálise, de acordo com sua colocação diferenciada dos motivos, despertam-se todas as moções [do paciente], inclusive as hostis...
http://www.artigonal.com/relacoes-amoros
(...)dentro de um parâmetro psicológico, a pessoa agressiva é aquela que reage a todo acontecimento, como se fosse uma prova, contenda ou disputa na sua leitura mental. A competição passa a reinar na alma da pessoa; e se fizermos um levantamento da história do indivíduo, descobriremos que desde cedo o mesmo se esforçou em demasia para não vivenciar a experiência da exclusão. A crítica é sempre devastadora para estas pessoas. Esta definição contempla os aspectos negativos do fenómeno. É curioso notar como a agressividade é um divisor de formas de conduta ou personalidade, pois o oposto é uma pessoa que vive em lamúria ou autocomiseração. Já os agressivos têm uma precipitação de reações ou sentimentos. Mais curioso ainda é como a sociedade amplia o conceito de agressividade, considerando que a própria sinceridade e autenticidade são resultados da mesma.
http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/p
(...) A hipocrisia é a manutenção da agressividade ao extremo, cortando todas as formas possíveis de reação. É um instrumento político de manutenção da força e desigualdade, para se evitar qualquer transformação nas relações. Poucos refletem sobre o fato de que uma explosão de raiva pode ser tão agressiva quanto uma omissão num momento fundamental de ajuda ou participação perante outra pessoa. Já sabemos que a dissimulação faz parte de nossa era, mas esta também é uma “filha” legítima da agressividade, sendo uma espécie de permissão para vivenciar a mesma de forma velada como foi exposto. O dilema histórico da humanidade é quando conter ou não a agressividade. Sua repressão abala inclusive a saúde física da pessoa. (...)
http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/p
"complexo de inferioridade". Pode ser definido desde sentimentos ou pensamentos depreciativos para com o próprio físico da pessoa, passando por sua crença internalizada de que não é uma pessoa com poder ou carisma perante a sociedade.
Quem sofre do complexo de inferioridade convive desde sua infância com uma certeza mórbida de que sempre é a última a ser lembrada ou requisitada para algo especial. A consequência deste processo é o desenvolvimento de uma personalidade tímida e retraída, sendo que nas situações sociais não sente nenhuma potência pessoal, gerando a raiva e ódio como compensações psicológicas. É como se na presença de outros se sentisse totalmente anulada, e o ódio citado vai constantemente sendo expelido.
http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/p
Um complexo de inferioridade, nos campos da psicologia e da psicanálise, é um sentimento de que se é inferior a outrem, de alguma forma. Tal sentimento pode emergir de uma inferioridade imaginada por parte da pessoa afligida. É freqüentemente inconsciente, e pensa-se que leva os indivíduos atingidos à supercompensação, o que resulta em realizações espetaculares, comportamento anti-social, ou ambos.
(...) um complexo de inferioridade é um estágio avançado de desalento, freqüentemente resultando numa fuga das dificuldades.
http://www.cabecadecuia.com/drops/2010-1
A agressividade negativa remonta a dificuldade de se lidar com o sentido mais profundo da vida. A posse e o apego, por exemplo, são forças direcionadas para um prazer metafísico de acúmulo ou continuidade do ego, o que contraria a essência de nossa vida que diz que jamais iremos reter, mas ao contrário, apenas podemos deixar algo. Este fator realmente é eterno.
Desde a disputa do complexo de Édipo, até as disputas históricas pelo poder,a agressividade negativa tem a característica de deixar marcas ou traumas indeléveis. É a tentativa de se eternizar usando o pólo destrutivo da alma humana. Infelizmente nossa mais forte lembrança para as gerações futuras sempre foi o uso da força e a brutalidade, nos mostrando que jamais esqueceremos alguém que nos impôs algo, ou então que desfilou determinado sentimento para o qual jamais poderíamos nos preparar, sendo esta a essência do trauma.
http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/p
A maneira mais natural e instintiva de expressar raiva é através de respostas agressivas. A raiva é
uma resposta natural, adaptativa a ameaças; desencadeia sentimentos e comportamentos
poderosos, frequentemente agressivos, que te permite lutar ou defender quando és atacado/a. Uma
certa quantidade de raiva é, portanto, necessária para a nossa sobrevivência.
Por outro lado, não podes descarregar em cada pessoa ou objecto que te irrita ou chateia; as leis,
normas sociais e senso comum estabelecem limites à expressão da nossa raiva.
As pessoas servem-se de uma variedade de processos, conscientes e inconscientes, para tentar lidar
com estes sentimentos de um modo eficaz e socialmente adequado. Três deles são seguidamente
destacados:
• Expressar os sentimentos de raiva de um modo assertivo (e não agressivo). Tal implica
apresentares claramente as tuas necessidades e como podem ser satisfeitas, sem prejudicar
os outros. O respeito do próprio e dos outros é regra de ouro!
• Suprimir os sentimentos. Isto acontece quando reténs a raiva, deixas de pensar nela e te
focalizas em coisas positivas. O objectivo é inibir a raiva e convertê-la em comportamentos
mais construtivos. O perigo é que, ao não permitir a expressão externa da raiva, ela se vá
expressar internamente (p.e. hipertensão, depressão).
• Acalmar/relaxar. Isto implica, não só controlares a expressão do comportamento mas
também as respostas internas. Em última instância, também os sentimentos são “amenizados”.
Não ser capaz de expressar adequadamente os sentimentos de raiva pode gerar problemas.
Concretamente, pode levar a expressões patológicas da raiva, tais como comportamento
passivo-agressivo ou uma atitude perpetuamente cínica e hostil. As pessoas que rebaixam
constantemente os outros, que criticam tudo e que fazem comentários cínicos, não aprenderam a
expressar a sua raiva de um modo construtivo.
A raiva constitui-se como uma emoção humana normal e habitualmente saudável. Os problemas
surgem quando se torna descontrolada e destrutiva.
De um modo geral, a raiva define-se como um sentimento de protesto, insegurança, timidez ou
frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego se sente ferido ou
ameaçado. A intensidade da raiva, ou a sua ausência, difere entre as pessoas. Alguns psicólogos
apontam o desenvolvimento moral e psicológico do indivíduo como determinante na maneira como a
raiva é exteriorizada.
Este sentimento pode ser despoletado por acontecimentos externos e internos. Pode ficar-se
zangado/com raiva em relação a uma pessoa específica (p.e. um colega) ou acontecimento (p.e.
engarrafamento no trânsito). A raiva pode ainda ser causada por preocupação excessiva ou
focalização nos problemas pessoais. As memórias de acontecimentos traumáticos ou marcantes
também podem desencadear esta emoção.
POR QUE AMAMOS CERTAS PESSOAS, E DETESTAMOS OUTRAS? – Porque os nossos sentidos são limitados e somos incapazes de compreender o outro como, verdadeiramente ele é e só podemos imaginar o seu contexto de vida e a programação mental com que ele se condicionou, mesmo assim para que essa imaginação aconteça temos que nos colocar na sua pele o que devido a acrescentarmos conteúdos nossos se torna inexacto. Assim, amamos e detestamos apenas a idealização que projetamos nos seres amado e nos seres detestados. E só conseguimos amar e detestar aquilo que os nossos sentidos filtram para a nossa mente. Observamos nas pessoas imagens distorcidas da realidade: amamos a figura perfeita que projetamos em alguém e que julgamos ser merecedora da nossa ilusória perfeição, e detestamos o oposto dessa figura ideal que projetamos em outras pessoas.
É hora de substituir o ideal romântico do amor que basta em si mesmo (por isso não dura) por uma relação que traga crescimento individual.
Há algo de muito errado na forma como temos vivido as nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada. Desde crianças, aprendemos que o amor não deve ser objeto de reflexão e de entendimento racional; que deve ser apenas vivenciado, como uma mágica fascinante que nos faz sentir completos e aconchegados quando estamos ao lado daquela pessoa que se tornou única e especial. Aprendemos que a mágica do amor não pode ser perturbada pela razão, que devemos evitar esse tipo de contaminação para podermos usufruir integralmente das delícias dessa emoção – só que não tem dado certo. Vamos tentar, então, o caminho inverso: vamos pensar sobre o tema com sinceridade e coragem. Conclusões novas, quem sabe, nos tragam melhores resultados.
Vamos deter-nos em uma das ideias que governam a nossa visão do amor. Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. O nosso ideal romântico é assim: duas pessoas encontram-se e encantam-se uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar num oásis e viver inteiramente uma para a outra usufruindo o aconchego de ter achado a sua metade da laranja. Nada lhes parece lhes tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social etc. – parece agora não ter a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema.
Sabemos que todos os que quiseram levar essas fantasias para a vida prática deu -se mal. Com o passar do tempo, percebe-se que uma vida reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa, muito depressa se torna tediosa e desinteressante. Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que são eles que nos deixam em alerta e intrigados e que nos fazem muito bem.
De certa forma, a realização do ideal romântico corresponde à negação da vida. Visto por esse ângulo, o amor é a antivida, pois em nome dele abandonamos tudo aquilo que até então era a nossa vida. No primeiro momento até podemos achar que estamos fazendo uma boa troca, mas rapidamente nos aborrecemos com o vazio deixado por essa renúncia à vida. A partir daí, começa a irritação com o ser amado, agora entendido como o causador do tédio, como uma pessoa pouco criativa e desinteressante. O resultado todos conhecemos: o casal rompe e cada um volta à sua vida anterior, levando consigo a impressão de ter falido nos seus ideais de vida.
Os doentes acham que a saúde é tudo. Os pobres imaginam que o dinheiro lhes traria toda a felicidade sonhada. Os carentes – isto é, todos nós – achamos que o amor é a mágica que dá significado à vida. O que nos falta aparece sempre idealizado, como o elixir da longa vida e da eterna felicidade.
Diariamente, porém, a realidade mostra-nos que as coisas não são assim, e acho importante aprendermos com ela. As nossas concepções têm que se basear em fatos, os nossos projetos têm que estar de acordo com aquilo que costuma dar certo no mundo real. As fantasias e sonhos, ao contrário, têm origem em processos psíquicos ligados à lembranças e frustrações do passado. É importante percebermos que o que poderia ser uma ótima solução aos seis meses de idade, como voltar ao útero materno, será ineficaz e intolerável aos 30 anos. A bicicleta que eu não tive aos 7 anos, por exemplo, não irá resolver nenhum dos meus problemas atuais. É preciso parar de sonhar com soluções que já não nos satisfazem e adaptar os nossos sonhos à realidade da condição de vida adulta.
Se é verdade, então, que o amor nos enche de alegria, vitalidade e coragem – e isso ninguém contesta –, por que não direcionar essa nova energia para ativar ainda mais os projetos nos quais estamos empenhados? Quando amamos e nos sentimos amados por alguém que admiramos e valorizamos, e esse alguém nos valoriza também e admira, a nossa auto-estima cresce, e sentimo-nos dignos e fortes. Tornamo-nos ousados e capazes de tentar coisas novas, tanto em relação ao mundo exterior como na compreensão da nossa subjetividade. Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, curando-nos das frustrações do passado impulsionando-nos para o futuro. Casais que conseguem entender o amor desta maneira crescem e evoluem, e sob essa condição o seu amor se renova e se revitaliza.
Flávio Gikovate
- Aceitar atitudes inadequadas das crianças é o mesmo que não querer que elas cresçam fortes e independentes. É também não prepará-las para a realidade da vida adulta.
É fácil compreender as razões pelas quais quase todos nós nos perdemos como educadores. As descobertas da psicanálise acerca da importância dos primeiros anos de vida deixaram-nos com muito medo de provocar traumas irreparáveis nos nossos filhos. Preferimos, então, errar por falta de rigor do que por excesso de rigor. Para não traumatizarmos as nossas crianças, passamos a ter medo de as decepcionar e de frustrá-las; elas elas percebem isto como fraqueza e tratam de abusar da nossa insegurança.
Agora, o que não pode continuar a acontecer é a passividade diante do fato de que temos que educar os nossos filhos. Não podemos acovardar-nos diante dessa responsabilidade porque nos tornamos mais conscientes dos riscos que corremos, frustrá-las. Seria a mesma coisa que os médicos se recusassem a fazer cirurgias para dar melhor qualidade de vida a um paciente, ou salvar-lhe a vida só porque existe também o risco de insucesso e mesmo da morte do paciente. E algumas coisas que me parecem indiscutíveis: temos que transferir para cada nova geração os princípios morais mínimos que regem a nossa vida em comum; temos que lhes ensinar a ter os hábitos de higiene que aprendemos e que são tão importantes para a boa saúde; temos que lhes transmitir o conhecimento essencial acerca da língua, da matemática, das ciências, enfim, de tudo o que a nossa espécie com tanto sacrifício conseguiu colecionar como saber, ao longo de milénios de civilização.
Podemos discutir qual é o melhor caminho para que a educação seja a mais eficiente e o menos frustrante e traumatizante possível. Podemos discutir que tipo de métodos a escola deveria usar para transferir o conhecimento às crianças; mas não podemos transigir diante da necessidade de que isso aconteça. Não é razoável que os jovens cheguem à universidade sem saber sequer escrever a sua língua. Isso não vai levar a nada, tanto na vida pessoal deles como do ponto de vista da coletividade. Podemos discutir o que é melhor se é castigar condutas inadequadas ou ignorá-las e recompensar aquelas que são consideradas como adequadas. Mas não podemos deixar que nossas crianças cresçam negligentes quanto ao fato de que existem outras criaturas sobre a Terra e que estas outras têm direitos iguais e devem ser respeitadas. Não podemos ficar indiferentes ao desrespeito das crianças em relação às outras pessoas em lugares públicos, tais como restaurantes, aviões, praias, escolas etc. Não podemos tolerar crianças que não queiram escovar os dentes, que não queiram tomar banho, que não cuidem de seus pertences pessoais, nem ajudem os adultos em todos os tipos de tarefa quando isso se faz necessário e que não tenham um rendimento escolar digno de sua inteligência.
Aceitar passivamente atitudes inadequadas das crianças é o mesmo que não querer que elas cresçam fortes e independentes. É um interesse passivo em prepará-las para a realidade da vida adulta. É, pois, de uma extrema maldade para com elas, que ficarão condenadas à eterna dependência em relação aos seus pais. E não são poucos os pais que os superprotegem, absolutamente conscientes de que isso irá fazer com que seus filhos não evoluam. Creio que querem é isso mesmo, pois não os criam para o mundo e sim para si mesmos. Agem com um egoísmo sem precedentes, disfarçado em tolerância e generosidade. Transmitem aos seus filhos a idéia de que o amor dos pais por eles é incondicional; ou seja, que os filhos não têm que ter comportamentos dentro do que se considera adequado para que sejam amados. São amados pelo simples fato de que são filhos; e pronto.
É claro que uma atitude desse tipo tira dos pais todo o poder de educar, uma vez que o que as crianças mais temem é justamente a perda do afeto dessas figuras que tanto lhes são essenciais. Se vão ser amados de todos os jeitos, porque não fugir da escola, roubar dinheiro do vizinho e mais tarde usar drogas que prometem uma felicidade fácil?
A meu ver, a maior maldade que está presente nesta noção de que os pais têm que amar os filhos incondicionalmente é a ignorância e até crueldade pois os educadores sabem que ela não terá continuidade. Na vida adulta, os namorados, os amigos, os conhecidos e colegas gostam de nós quando não ofendemos as suas convicções e não desrespeitamos seus direitos. Quando os jovens educados dentro dessa ideia do amor incondicional perceberem que as suas atitudes inadequadas afastaram as pessoas de perto deles, e perderam oportunidades, aí sim serão fortes para desenvolver muita raiva e revolta contra os seus pais, que os iludiram, que lhes mentiram para eles ao prometer-lhes um mundo que não existe. É possível que alguns pais – especialmente mães – amem os seus filhos incondicionalmente enquanto sejam bem pequeninos. Mas com o passar dos anos o amor deixa de ser uma coisa só física e passa a depender da admiração. Quem não se empenhar para despertar a admiração, não será amado nem pelos pais nem pelas outras pessoas.
Uma das operações psíquicas mais sofisticadas que aprendemos, lá pelos 7 anos, é esta, a de tentarmos sair de nós mesmos para imaginar como se sentem as outras pessoas. De repente podemos olhar para a rua num dia de chuva e imaginar – o que, de certa forma, significa sentir – o frio que um outro menino pode passar por estar mal agasalhado.
A nossa capacidade de imaginar o que se passa é como uma faca de dois gumes. O engano mais comum – e de graves consequências para as relações interpessoais – não é imaginarmos as sensações de uma outra pessoa, e sim tentarmos prever que tipo de reação ela terá diante de uma certa situação. Costumamos pensar assim: "Eu, no lugar dela, faria desta maneira." Julgamos correta a atitude da pessoa quando ela age da forma que agiríamos. Achamos inadequada a sua conduta sempre que ela for diversa daquela que teríamos. Ou melhor, daquela que pensamos que teríamos, uma vez que muitas vezes fazemos juízos a respeito de situações que jamais vivemos. Quando nos colocamos no lugar de alguém, levamos conosco o nosso código de valores. Entramos no corpo do outro com nossa alma. Partimos do princípio de que essa operação é possível, uma vez que acreditamos piamente que as almas são idênticas; ou, pelo menos, bastante parecidas.
Cada vez que o outro não age de acordo com aquilo que pensávamos fazer no lugar dele, experimentamos uma enorme decepção. Entristecemo-nos mesmo quando tal atitude não tem nada a ver conosco. Vivenciamos exatamente a dor que tentamos a todo o custo evitar, que é a de nos sentirmos solitários neste mundo. Sem nos darmos conta, tendemos a tornar-nos autoritários, desejando sempre que o outro se comporte de acordo com nossas convicções. E assim procedemos sempre com o mesmo argumento: "Eu no lugar dele agiria assim."
A decepção será maior ainda se o outro agiu de modo inesperado em relação à nossa pessoa. Se nos tratou de uma forma rude, que não seria a nossa reação diante daquela situação, sentimos-nos duplamente traídos: pela agressão recebida e pela reação diferente daquela que esperávamos. É sempre o eterno problema de não sabermos conviver com a verdade de que somos diferentes uns dos outros; e, por isso mesmo, solitários.
Aqueles que entendem que as diferenças entre as pessoas são maiores do que as que nos ensinaram a ver desenvolvem uma atitude de real tolerância diante de pontos de vista variados a respeito de quase tudo. Deixam de se sentir pessoalmente ofendidos pelas diferenças de opinião. Podem, finalmente, olhar o outro com objetividade, como um ser à parte, independente de nós. Ao colocar-se no lugar do outro, tentarão penetrar na alma do outro, e não apenas transferir a sua alma para o corpo do outro. É o início da verdadeira comunicação entre as pessoas.
Flávio Gikovate - Médico Psicoterapeuta.

quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele
soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando.
http://www.mariaaugusta.com.br/2009/06/2
Nem sempre a razão domina os actos do ser humano, não somos apenas animais racionais, os instintos muitas vezes predominam no que fazemos e no que sonhamos. Segundo Freud conservamos dentro de nós todas as recordações do passado.

"As pessoas são tão belas quanto um pôr-de-sol quando as deixamos ser.
De facto, talvez possamos apreciar um pôr-de-sol justamente pelo facto de não o podermos controlar.
Quando aprecio um pôr-de-sol não me ponho a dizer: Diminua um pouco o tom de laranja no canto direito, ponha um pouco mais de vermelho púrpura na base e use um pouco mais de rosa naquela nuvem.
Não faço isso. Não tento controlar um pôr-de-sol. Olho com admiração a sua evolução."

" Cada lição será repetida até que seja aprendida. Cada lição te será apresentada de diversas maneiras, até que a tenhas aprendido. Quando isto ocorrer, poderás passar para a seguinte."
"O Homem é o intermediário entre Deus e a Natureza. Ele atêm-se a Deus pelo seu espírito, e à Natureza pelos seus sentidos. E poderá identificar-se com esta e nela deixar absorvido o seu Eu, a sua personalidade, a sua liberdade, abandonado-se a todos os apetites e a todos os impulsos da carne. Ele pode também, até certo ponto, identificar-se com Deus, deixando-se absorver por Ele, através do exercício de uma faculdade superior.
Daqui resulta que o mais baixo ponto de degradação, tal como o mais alto ponto de ascensão, podem ambos ligar-se a dois estados de alma em que esta perde por igual a sua personalidade; mas neste, perde-se em Deus; no outro, anula-se na criatura.
Importa perceber, porém, importa tudo, que o acto de submissão do eu à voz interior , à acção do espírito superior, é um acto livre.
O eu, para tal submissão, não se reduz ao nada.... E quando é absorvido no entusiasmo, já aí nada há de livre ou de moral que tenha de abdicar.
A questão é saber se esta terceira via pode coexistir com a segunda, a via da vontade racional, e se esta segunda pode coexistir com a primeira, a via dos sentidos.
A terceira via, cujo princípio é o amor, não admitirá também ela uma ordem superior de conhecimentos intuitivos? Não haverá nela, nessa elevada ordem, uma faculdade que corresponda à concepção, outra à memória, etc... Melhor será pensar bem, antes de julgar esta questão.”
www.leonardo.com.pt/revista1/index.php
Os postulados principais dessa corrente filosófica são:
1. A primeira é o ser humano enquanto indivíduo, e não com as teorias gerais sobre o homem. Há uma preocupação com o sentido ou o objetivo das vidas humanas, mais que com verdades científicas ou metafísicas sobre o universo. Assim, a experiência interior ou subjetiva - e aí está a influência da fenomenologia - é considerada mais importante do que a verdade "objetiva", um fundamento igual à da filosofia oriental.
2. O homem não foi planejado por alguém para uma finalidade, como os objetos que o próprio homem cria, mediante um projeto. O homem se faz em sua própria existência.
3. O mundo, como nós o conhecemos, é irracional e absurdo, ou pelo menos está além de nossa total compreensão; nenhuma explicação final pode ser dada para o fato de ele ser da maneira que é;
4. A falta de sentido, a liberdade conseqüente da indeterminação, a ameaça permanente de sofrimento, da origem à ansiedade, à descrença em si mesmo e ao desespero; há uma ênfase na liberdade dos indivíduos como a sua propriedade humana distintiva mais importante, da qual não pode fugir
Kierkegaard contribuiu com a idéia original do existencialismo de que não existe qualquer predeterminação com respeito ao homem, e que esta indeterminação e liberdade levam o homem a uma permanente angústia.
Segundo Kierkegaard, o homem tem diante de si várias opções possíveis, é inteiramente livre, não se conforma a um predeterminismo lógico, ao qual, segundo Hegel, estão submetidos todos os fatos e também as ações humanas. A verdade não é encontrada através do raciocínio lógico, mas segundo a paixão que é colocada na afirmação e sustentação dos fatos: a verdade é subjetividade. A conseqüência de ser a verdade subjetiva é que a liberdade torna-se ilimitada. Consequentemente não se pode, também, fazer qualquer afirmativa sobre o homem. O pensamento fundamental de Kierkegaard, e que veio a se constituir em linha mestra do Existencialismo, é este: inexiste um projeto básico, para o homem verdadeiro, uma essência definidora do homem porque cada um se define a si mesmo e assim é uma verdade para si. Daí o moto conhecido que sintetiza o pensamento existencialista: "no homem, a existência precede a essência"
No caminho da vida há várias direções, vários tipos de vida a escolher, dentro de três escolhas fundamentais: o modo de vida estético, do indivíduo que não busca senão gozar a vida em cada momento; o modo ético, do indivíduo que é maquinalmente correto com a família e devotado ao trabalho, e o modo religioso dentro de uma consciência de fé.
A liberdade, segundo ele, gera no homem a angústia que pode levá-lo, de várias formas, ao desespero Então, cada decisão é um risco, o que deixa a pessoa mergulhada na incerteza, pressionada por uma decisão que se torna angustiante. Como no modo de vida estético, ele escolhe fugir dessa angústia e do desespero através do prazer e de buscar a inconsciência de quem ele é. Outra forma de fuga é ignorar o próprio eu, tornar-se um autômato, apegar-se a um papel, como no modo de vida ético.
Heidegger. O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) declarou-se um investigador da natureza do Ser. Heidegger contribuiu com seu pensamento sobre o ser e a existência, de onde o nome dado à corrente filosófica de "Existencialismo".
A angustia tem, no pensamento de Heidegger, origem diversa da liberdade. Para ele a angústia resulta da falta da precariedade da base da existência humana. A "existência" do homem é algo temporário, paira entre o seu nascimento e a morte que ele não pode evitar. Sua vida está entre o passado (em suas experiências) e o futuro, sobre o qual ele não tem controle, e onde seu projeto será sempre incompleto diante da morte inevitável.
Como uma filosofia do tempo, o existencialismo exorta o homem a existir inteiramente "aqui" e "agora", para aceitar sua intensa "realidade humana" do momento presente. O passado representa arquivos de experiências a serem usadas no serviço do presente, e o futuro não é outra coisa que visões e ilusões para dar ao nosso presente direção e propósito..
Portanto, no homem, o ser está relacionado ao tempo e está dado, - existe -, em três fenômenos, três "existenciais" que caracterizam como as coisas do passado, do presente e do futuro se manifestem para o homem e a unidade desses três fenômenos constitui a estrutura temporal que faz a existência inteligível, compreensível. São a afetividade, com que se liga ao passado pelo seu julgamento; a fala, com que se liga ao presente, e o entendimento, que é a inteligência com que lida com o seu futuro, com a angústia de sua predestinação à morte. Não podemos nos submeter a condicionamentos de nosso passado; não podemos permitir que sentimentos, memórias, ou hábitos se imponham sobre nosso presente e determinem seu conteúdo e qualidade. Nós também não podemos permitir que a ansiedade sobre os eventos futuros ocupem nosso presente, tirem sua espontaneidade e intensidade. Não podemos permitir que nosso "aqui e agora" seja liquidado
Na angústia, o homem experimenta a finitude da sua existência humana. Todas as coisas supérfluas em que estava mergulhado se afastam deixando-o a nú, como uma liberdade para encontrar-se com sua própria morte (das Freisein für den Tod), um "estar preparado para" e um contínuo "estar relacionado com" sua própria morte (Sein zum Tode). Essa visão existencial do homem, em que ele se conscientiza das estruturas existenciais a que está condicionado e que o tira da superficialidade em que desenvolve seus conflitos tornou-se sedutora para a psiquiatria.
A angústia funciona para revelar o ser autêntico, e a liberdade (Frei-sein) enseja o homem a escolher a si mesmo e governar a si mesmo.
Sartre. Heidegger e Sartre foram os dois mais importantes filósofos da corrente existencialista. Ambos foram profundamente influenciados pela filosofia de Edmund Husserl, a fenomenologia, e desenvolveram um método fenomenológico como base de suas respectivas posições filosóficas. Sartre contribuiu com mais pensamentos sobre a liberdade e chefiou dentro do movimento uma corrente ateísta.
Para Jean-Paul Sartre (1905-1980), a idéia central de todo pensamento existencialista é que a existência precede a essência. Não existe nenhum Deus que tenha planejado o homem e portanto não existe nenhuma natureza humana fixa a que o homem deva respeitar. O homem está totalmente livre é o único responsável pelo que faz de si mesmo. E são para ele, assim como havia colocado Kierkegaard, esta liberdade e responsabilidade é a fonte da angústia,
Sartre leva o indeterminismo às suas mais radicais conseqüências. Porque não há nenhum Deus e portanto nenhum plano divino que determina o que deve acontecer, não há nenhum determinismo. O homem é livre. Não pode desculpar sua ação dizendo que está forçado por circunstâncias ou movido pela paixão ou determinado de alguma maneira a fazer o que ele faz.
O pensamento de Sartre, contido em seus romances e peças de teatro e em escritos filosóficos influenciou fortemente os intelectuais franceses, entre eles Gabriel Marcel, que desenvolveu sua filosofia no âmbito do catolicismo romano, tornando-se um expoente do existencialismo cristão.
Gabriel Marcel. Apesar do precursor do existencialismo, Soren Kierkegaard, ser profundamente cristão, os principais filósofos que o desenvolveram e divulgaram, Martin Heidegger e Jean-Paul Sartre, eram ateus, com uma filosofia materialista, bastante pessimista e atéia. Surgiu porém uma corrente existencialista cristã, sendo o principal filósofo dessa corrente o filósofo Gabriel Marcel.
A psicanálise e a terapia existencial. Ao definir causas de estados mentais como a angústia e o desespero, Kierkegaard criou um elo com a psicologia Este elo prevaleceria e se fortificaria no futuro, com as posições de Sartre e sua crítica à psicanálise, com as posições de Gabriel Marcel e finalmente com a adesão a essas duas linhas, respectivamente, de psiquiatras ateus e psiquiatras cristãos. A partir das idéias filosóficas existenciais, psicoterapeutas como Ronald David Laing, na corrente materialista de Sartre, e Viktor Emil Frankl, na corrente religiosa de Gabriel Marcel, propuseram práticas psicoterápicas originais.
Rubem Queiroz Cobra
Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia
Direitos reservados. Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. - Existencialismo. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2001.
("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de www.cobra.pages.nom.br).
Esta filosofia apresentou aos vivos e sobreviventes as interrogações que lhes eram pertinentes e próprias: qual é o sentido da existência? Da morte? Da dor? Da liberdade? Do desespero? Da angústia?
O Existencialismo é uma filosofia que considera a existência como ponto de partida para a sua reflexão.
Mas, o que significa existir? O que significa exatamente a afirmação "eu existo"? Será uma simples experiência de fato da minha existência? Em que, então, o fato da minha existência difere do fato da existência de outros seres animados ou inanimados? Será a existência o fato primordial a partir do qual os outros fatos adquirem sentido - o fato da existência dos outros, da existência do mundo, da existência de Deus?
O fato da existência pode ser indubitável. Já o sentido e a interpretação da existência não são únicos e indubitáveis, ao contrário, são diversos e diferentes.
Emmanuel Mounier em seu livro "Introdução aos Existencialismos" apresenta uma classificação dos filósofos existencialistas, recorrendo à metáfora de uma árvore. Na raiz da árvore estão: Sócrates, filósofo da Antiga Grécia fazendo apelo ao "conhece-te a ti mesmo"; os estóicos gregos e romanos, enaltecendo o domínio humano de si próprio, face às adversidades da vida e do destino; São Bernardo propondo um cristianismo vivido e que leve o homem à sua conversão religiosa, face às sistematizações teóricas da religião vigentes em sua época.
No tronco da árvore estão os filósofos franceses: Pascal, relembrando que o desenvolvimento dado às ciências naturais havia feito esquecer o homem diante da vida e da morte; Maine de Biran, mostrando que á preciso compreender o homem enquanto uma unidade corpo-alma, refutando, assim, as filosofias dualistas ou monistas de tipo sensualista. Está ainda o filósofo dinamarquês Kierkegaard, considerado pelos historiadores como o pai da filosofia existencialista moderna, mostrando como a razão é importante para, sozinha, justificar o sentido da existência humana; ela necessita de Deus que vem em auxílio do homem que se encontra no abandono injustificado. Encontra-se ainda, neste tronco a fenomenologia que, desde o seu fundador, o alemão Edmund Husserl, toma como objeto principal da filosofia o projeto de constituição da ciência do vivido, Erlebniz. Esta ciência difere das ciências positivas no estudo do homem, pois nestas o homem é apenas considerado em seu aspecto factual e objetivo. A ciência do vivido deve abordar o vivido nele mesmo, isto é, enquanto consciência, subjetividade, corporeidade, historiedade e liberdade.
Do tronco da árvore separam-se dois galhos. Um que se desenvolve com os autores de inspiração religiosa, influenciados direta ou indiretamente pela fenomenologia existencial. Dentre esses autores citamos: Max Scheller, Karl Jasper, Paul-Louis Landsberg, Nicolas Berdiaeff, Gabriel Marcel e o próprio Emmanuel Mounier. O outro galho que se desenvolve com os autores que se afastam explicitamente das inspirações religiosas: Jean Paul Sartre, Martin Heidegger, Maurice Merleau-Ponty, Jean Hippolyte, Simone de Beauvoir, Albert Camus.
Existem alguns traços comuns em todos esses autores para que possamos agrupá-los sob a denominação de existencialistas. Todos concordam que a filosofia da existência seja a negação da filosofia concebida como sistemas da existência no que esta possui de mais fundamental e concreto, os momentos vividos.
Todos concordam, também, que a existência não pode ser conhecida nela mesma como um dado objetivo da ciência: o caráter essencial da existência é a subjetividade. Assim, não se pode definir ou conceituar a subjetividade como faz a ciência natural. Só se pode descrevê-la, apreendê-la e compreendê-la sob a forma de uma história pessoal, dirá Kierkegaard, ou sob a forma da Temporalidade, dirá Heidegger.
Seguindo estas indicações podemos dizer que o existencialismo é um humanismo.
Seguindo a indicação de N. Herpin pode-se dizer que o humanismo existencial aparece em duas vertentes. A primeira que se caracteriza pela "filosofia do absurdo" com os temas, dentre outros, da angústia e da contingência. A segunda que se caracteriza pela "filosofia da liberdade" com os temas do projeto humano e da vivência de valores, dentre outros.
Vejamos o que significam estas duas vertentes:
1) A filosofia do absurdo - "se opõe às concepções clássicas que justificavam a existência do mundo e do homem por uma razão imanente ou por uma providência divina = noção de harmonia pré-estabelecida na própria natureza = cosmos". Aqui citamos Kierkegaard.
2) A filosofia da liberdade - põe em realce as noções do projeto existencial e de vivência de valores. Aqui citamos Sartre, homem = nada "a liberdade como condenação. Heidegger, Dasein "facticidade e transcendência.
Kierkegaard
A verdadeira realidade é o existente, singular. E o singular que lhe interessa é o singular homem, porque somente ele é verdadeiramente singular. Somente o homem singular vale mais que a espécie, ao contrário do que acontece entre os animais, onde o indivíduo vale sempre menos que sua espécie (vive por instinto). Somente o singular humano tem consciência de sua singularidade (pensar é doloroso e é uma forma de provocar a angústia), como ser eu em meio a todos? Chegou a desejar que por sobre a sua campa se colocasse a inscrição: "aquele singular". Consequentemente a verdade é subjetividade e bem longe de ser a "adequação da mente com a coisa" é a adequação do objeto com minha subjetividade, com as mais profundas exigências do indivíduo que eu sou e quero ser. Quanto mais passional minha ligação com a coisa, tanto mais verdadeira. E quanto menos ela é evidente à razão, tanto mais certa. A realidade é irracional por ser singular.
É por isso que ele se opunha à mentalidade de seu tempo que via no socialismo e no comunismo a panacéia dos males da sociedade. O princípio associativo pode ter valor em relação aos interesses materiais, mas é espiritualmente nocivo. Não pode haver igualdade neste mundo como sonham os socialistas porque lhe é própria a diferenciação.
E vocês sabem disso porque tentam unir homem e mundo enquanto vivência pessoal, na tentativa de salvaguardar o indivíduo num mundo em que a sociedade não passa de um conjunto de criaturas animais que se parecem com o rebanho - À sociedade importa que cada um de nós seja como os outros" a clonagem é um fato. É considerado normal quem aceita e se adapta aos padrões e valores comumente recebidos; um excêntrico e/ ou rebelde quem os recusa e combate.
Deste modo, o convite Kierkegaardiano é que sejamos verdadeiros eus .
Para Kierkegaard o absurdo implica no distanciamento da subjetividade das concepções que atribuem à razão o papel de realizadora de um sistema racional do mundo. O indivíduo é uma subjetividade que não pode encontrar o seu fundamento em nenhum sistema racional. A ética religiosa, que repousa na fé em Deus é quem pode explicar o fundamento da existência humana. O absurdo é o "lugar do silêncio", ou seja, o lugar de Deus, bem como a distância que há entre a subjetividade finita do homem e a pessoa infinita de Deus.
No pensamento de Kierkegaard, Abraão é o exemplo vivo do herói absurdo. Sem saber porque, Abraão oferece a Deus o sacrifício de seu filho Isaac. Mas, este absurdo é revelador de Deus. Com efeito, no momento exato em que se daria o sacrifício, um anjo aparece a Isaac sustando a sua ação. Deus reconheceu a fidelidade e o amor de Abraão para com Ele, pois, na sua prova, seria capaz de sacrificar o seu filho bem amado Isaac.
É preciso lembrar, portanto, que a revelação de Deus não vem tranqüilizar ou consolar o homem. Ela instaura o sentimento da angústia existencial. O homem existente se prova na inquietação e na angústia existencial. O homem existente se prova na inquietação e na angústia, como no exemplo de Abraão. Por isto é que Kierkegaard define esta angústia como "síncope da liberdade". Assim, liberdade e angústia se unem na existência. O homem é livre, em sua vida, para optar e escolher. No entanto, não há opção sem angústia. Ao escolher deixo de lado outras coisas sem ter certeza de que a escolha foi a melhor ou será bem sucedida. Quando escolho sou eu quem me escolho, pois toda opção é feita em função de uma opção interior, pela qual eu julgo que irei me realizar. No entanto, a escolha é um "salto no escuro". Não posso ter certeza a priori de que a escolha é boa, como já disse acima. Mas esta escolha não é feita arbitrariamente. Ela deve ser motivada pela busca da verdade.
A busca da verdade é a questão filosófica essencial, pensa Kierkegaard. Não se trata de uma verdade abstrata ou formal. É uma verdade vital, verdade para mim, verdade pela qual eu quero viver e morrer.
Neste sentido é que se diz que a verdade é vivida antes de ser objeto do juízo lógico. Esta verdade é expressão do modo de existir autêntico que só a vida cristã, diz Kierkegaard, é capaz de compreender, com tudo o que ela implica de angústia e dilaceração.
O existir autêntico supõe compromisso e risco. Na minha vida concreta eu busco uma verdade vivida, e esta vai expressar-se em meu comportamento cotidiano. Por isto a verdade é fruto da ação e não de um pensamento teórico, segundo Kierkegaard. A angústia existencial não leva o homem à solidão, ao individualismo, à incomunicabilidade ou à doutrina da salvação e da redenção.
Este existir autêntico me faz buscar o singular, mas não acontece sem sofrimento. Ninguém é ele mesmo sem antes querer sê-lo em sua liberdade. Daí a angústia porque ninguém pode fugir a este sentimento que acompanha toda escolha.
A Condição Humana
A porta de acesso à condição humana é a experiência da angústia, nisto concordam todos os existencialistas.
O que é? Sob o ponto de vista subjetivo, a angústia é uma experiência extremamente intensa com uma nota emocional absolutamente peculiar. Nela misturam-se admiração, espanto, terror, exaltação, náusea e sublimidade. O caso de Abraão, por exemplo, demonstra espanto e sublimidade.
O objetivo da experiência da angústia é que diverge.
a) realidade da existência = angústia de ser = angústia do nada
b) particularidade ou individualidade humana = angústia do aqui e agora
c) liberdade humana = angústia da liberdade
Em síntese, angústia é desespero. E o homem só sai do desespero quando orientando-se para si próprio, querendo ser ele próprio, o eu mergulha, através de sua própria transparência, até o poder que o criou", (Desespero Humano). Deus não pode estar numa realidade transcendente, mas em mim. Somos mais íntimos de Deus do que de nós mesmos.
Filósofa Rita Josélia da Capela Pinheiro
Doutora e Mestre em filosofia e Professora
da UERJ e da Universidade Gama Filho
http://www.existencialismo.org.br/jornal
O ponto de partida do pensamento de Schopenhauer encontra-se na filosofia kantiana. Immanuel Kant (1724 – 1804) estabelecera distinção entre os fenómenos e a coisa-em-si (que chamou noumenon), isto é, entre o que nos aparece e o que existiria em si mesmo. A coisa-em-si (noumenon) não poderia, segundo Kant, ser objeto de conhecimento científico, como até então pretendera a metafísica clássica. A ciência restringir-se-ia, assim, ao mundo dos fenómenos, e seria constituída pelas formas a priori da sensibilidade (espaço e tempo) e pelas categorias do entendimento. Dessas distinções, Schopenhauer concluiu que o mundo não seria mais do que representações, entendi das por ele, num primeiro momento, como síntese entre o subjetivo e o objetivo, entre a realidade exterior e a consciência humana. Como afirma em O Mundo como Vontade e Representação, “por mais maciço e imenso que seja este mundo, sua existência depende, em qualquer momento, apenas de um fio único e delgadíssimo: a consciência em que aparece”. Em outra passagem de sua principal obra, Schopenhauer deixa mais clara essa idéia: “O mundo como representação, isto é; unicamente do ponto de vista de que o consideramos aqui, tem duas metades essenciais, necessárias e inseparáveis. Uma é o objeto; suas formas são o espaço e o tempo, donde a pluralidade. A outra metade é o sujeito; não se encontra colocada no tempo e no espaço, porque existe inteira e indivisa em todo ser que percebe: daí resulta que um só desses seres junto ao objeto completa o mundo como representação, tão perfeitamente quanto todos os milhões de seres semelhantes que existem: mas, também, se esse ser desaparece, o mundo como representação não mais existe”.
Não se pode dizer que essas idéias expressem exatamente o pensamento kantiano, mas, seja como for, Schopenhauer chegou a essas conclusões, partindo do mestre que tanto admirava. Schopenhauer, contudo, separa-se, explicitamente, de Kant num um ponto essencial e, a partir daí, constrói uma filosofia original. Para Kant, a coisa-em-si é inacessível ao conhecimento humano, pois encontra-se além dos limites das estruturas do próprio ato cognitivo, entendido como síntese dos dados da intuição sensível, síntese essa realizada pelas categorias a priori do entendimento. Schopenhauer, ao contrário, pretendeu abordar a própria coisa-em-si. Essa coisa-em-si, raiz metafísica de toda a realidade, seria a Vontade.
Segundo o autor de O Mundo como Vontade e Representação, a experiência interna do indivíduo assegura-lhe mais do que o simples fato de ele ser “um objecto entre outros”. A experiência interna também revela ao indivíduo que ele é um ser que se move a si mesmo, um ser activo cujo comportamento manifesto expressa diretamente sua vontade. Essa consciência interior que cada um possui de si mesmo como vontade seria primitiva e irredutível: A vontade revelar-se-ia imediatamente a todas as pessoas como o em-si e a percepção que as pessoas têm de si mesmas como vontades seria distinta da percepção que as mesmas têm como corpo. Mas isso não significa que Schopenhauer tinha esposado a tese de que as ações corporais e as ações da vontade constituem duas séries de fatos, entendidas as primeiras como causadoras das segundas. Para Schopenhauer, o corpo humano é apenas objetivação da vontade, tal como aparece sob as condições da percepção externa. Em outros termos, o que se quer e o que se faz são uma e a mesma coisa, vistos, porém, de perspectivas diferentes.
Da mesma forma como nos homens, a vontade seria o princípio fundamental da natureza. Para Schopenhauer, na queda de uma pedra, no crescimento de uma planta ou no puro comportamento instintivo de um animal afirmam-se tendências, em cuja objetivação se constituem os corpos. Essas diversas tendências não passariam de disfarces sob os quais se oculta uma vontade única, superior, de caráter metafísico e presente igualmente na planta que nasce e cresce, e nas complexas ações humanas. Essa vontade, para Schopenhauer, é independente da representação e, portanto, não se submete às leis da razão. Ao contrário de Hegel, para quem o real é racional, a filosofia de Schopenhauer sustenta que o real é em si mesmo cego e irracional, enquanto vontade. As formas racionais da consciência não passariam de ilusórias aparências e a essência de todas as coisas seria alheia à razão: "A consciência é a mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior, mas apenas a crosta". o inconsciente representa, assim, papel fundamental na filosofia de Schopenhauer. Sob esse aspecto, o autor de O Mundo como Vontade e Representação antecipou-se a alguns dos conceitos mais importantes da psicanálise fundada por Sigmund Freud (1856-1939).
O próprio Freud reconheceu a importância das idéias de Schopenhauer; num dos seus escritos afirma que certas considerações sobre a loucura, encontradas no Mundo como Vontade e Representação, poderiam "rigorosamente, sobrepor-se à doutrina da repressão".
No sistema de Schopenhauer, a vontade é a raiz metafísica do mundo e da conduta humana; ao mesmo tempo, e a fonte de todos os sofrimentos. A sua filosofia é, assim, profundamente pessimista, pois a vontade é concebida no seu sistema como algo sem nenhuma meta ou finalidade, um querer irracional e inconsciente. Sendo um mal inerente à existência do homem, ela gera a dor, necessária e inevitavelmente, aquilo que se conhece como felicidade seria apenas a interrupção temporária de um processo de infelicidade e somente a lembrança de um sofrimento passado criaria a ilusão de um bem presente. Para Schopenhauer, o prazer é momento fugaz de ausência de dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é ponto de partida de novas aspirações, sempre obstadas e sempre em luta pela sua realização: “Viver é sofrer”.
Mas, apesar de todo seu profundo pessimismo, a filosofia de Schopenhauer aponta algumas vias para a suspensão da dor. Num primeiro momento, o caminho para a supressão da dor encontra-se na contemplação artística. A contemplação desinteressada das ideias seria um ato de intuição artística e permitiria a contemplação da vontade em si mesma, o que, por sua vez, conduziria ao domínio da própria vontade. Na arte, a relação entre a vontade e a representação inverte-se, a inteligência passa a uma posição superior e assiste à história da sua própria vontade; Noutros termos, a inteligência deixa de ser atriz para ser espectadora. A atividade artística revelaria as idéias eternas através de diversos graus, passando sucessivamente pela arquitetura, escultura, pintura, poesia lírica, poesia trágica, e, finalmente, pela música. Em Schopenhauer, pela primeira vez na história da filosofia, a música ocupa o primeiro lugar entre todas as artes. Liberta de toda referência específica aos diversos objetos da vontade, a música poderia exprimir a Vontade na sua essência geral e indiferenciada, constituindo um meio capaz de propor a libertação do homem, em face dos diferentes aspectos assumidos pela Vontade.
A libertação proporcionada pela arte, segundo Schopenhauer, não é, contudo, total e completa. A arte significa apenas um distanciamento relativamente passageiro e não a supressão da Vontade. Para que atinja a libertação, é necessário que o homem ascenda ao nível da conduta ética, a qual representa uma etapa superior no processo de superação das "dores do mundo". A ética de Schopenhauer não está, contudo, presa à noção de "dever"; Schopenhauer rejeita as formas imperativas de filosofia que são, para ele, formas de coerção.
A sua ética não se apoia em mandamentos, mas antes na noção de que a contemplação da verdade é o caminho de acesso ao bem. Para Schopenhauer, o egoísmo, que faz do homem o inimigo do homem, advém da ilusão de vontades independentes que afirmam seus ímpetos individuais. A superação do egoísmo somente seria possível mediante o conhecimento da natureza única universal da Vontade. Como consequência moral do desaparecimento da sua individualidade, o homem pode tornar-se bom; ao espírito de luta contra os semelhantes segue-se o espírito de simpatia. Libertado, pela etapa ética, o homem atinge o princípio que é o fundamento de toda verdade moral: "Não prejudiques pessoa alguma, sê bom com todos".
Essa ética da piedade e da comiseração, segundo Schopenhauer, encontrou sua mais acabada expressão nos evangelhos, onde "ama a teu próximo como a ti mesmo" constitui o princípio fundamental da conduta. Mas nem mesmo a ética da piedade possibilitaria ao homem atingir a felicidade última. Para Schopenhauer, a mais completa forma de salvação para o homem somente pode ser encontrada na renúncia quietista ao mundo e a todas as suas solicitações, na mortificação dos instintos, na auto-anulação da vontade e na fuga para o Nada: "...desviemos um instante os olhos de nossa própria indigência e de nosso limitado horizonte; levemo-lo sobre esses homens que venceram o mundo nos quais a vontade, atingindo a perfeita consciência de si, se reconheceu em tudo que existe e livremente renunciou a si mesma...
Então, em vez desse tumulto de aspirações sem fim, em vez dessas passagens constantes do desejo ao medo, da alegria ao sofrimento, em vez dessas esperanças sempre inalcançadas e sempre renascentes, que fazem da vida humana, enquanto animada pela vontade, um sonho interrompido, não perceberemos mais do que esta paz, mais preciosa que todos os tesouros da razão, a calma absoluta do espírito, esta serenidade imperturbável, tal como Rafael e Corregio a pintaram nas figuras de seus santos e cujo brilho deve ser para nós a mais completa e verídica anunciação da boa nova: a vontade desapareceu; subsiste apenas o conhecimento".

"Não amar e não odiar é a metade da sabedoria. A outra metade é nada dizer e nada acreditar.
Arthur Schopenhauer
Filho de Heinrich Floris Schopenhauer, comerciante da cidade de Dantzig, na Prússia, o filósofo Arthur Schopenhauer estava destinado a seguir a profissão de seu pai. Por isso, a família nunca se preocupou muito com sua educação intelectual e, quando contava apenas doze anos de idade, em 1800, induziu-o a empreender uma série de viagens importantes para um futuro comerciante. Schopenhauer percorreu a Alemanha, a França, a Inglaterra, a Holanda, a Suíça, a Silésia e a Áustria. Mas seu interesse não foi despertado por aquilo que seu pai mais desejava: o que fez de mais importante, durante essas viagens, foi redigir ima série de considerações melancólicas e pessimistas sobre a miséria da condição humana. Em 1805, a família fixou-se em Hamburgo e o obrigou a cursar uma escola comercial. A morte do pai (presumivelmente cometeu suicídio) permitiu-lhe, contudo, abandonar para sempre os estudos comerciais e voltar-se para uma carreira universitária, como era seu desejo. Assim, Schopenhauer passou a dedicar-se aos estudos humanísticos, ingressando no Liceu de Weimar em 1807; dois anos depois, encontrava-se na faculdade de medicina de Göttingen, onde adquiriu vastos conhecimentos científicos.
Em 1811, na Universidade de Berlim, assistiu aos cursos dos filósofos Schleiermacher (1768-1834) e Fichte (1762-1814). Este último seria, mais tarde, acusado por Schopenhauer de ter deliberadamente caricaturado a filosofia de Kant (1724-1804), tentando “envolver o povo alemão com a neblina filosófica”. Em 1813, Schopenhauer doutourou-se pela Universidade de Berlim com a tese Sobre a Quádrupla Raiz do Princípio de Razão Suficiente.
Nessa época, sua mãe, Johanna Schopenhauer, estabeleceu-se em Weimar, onde começou a obter progressivo sucesso como novelista e passou a freqüentar os círculos mundanos que Schopenhauer detestava e se esforçava por ridicularizar ao máximo. As relações entre os dois deterioraram-se a ponto de Johanna declarar publicamente que a tese de seu filho não passava de um tratado de farmácia; em contrapartida, Schopenhauer afirmava ser incerto o futuro de sua mãe como romancista e que ela somente seria lembrada no futuro pelo fato de ser asua progenitora.
Apesar dessas brigas, Schopenhauer freqüentou durante algum tempo o salão de sua mãe. Ali torrnou-se amigo de Goethe (1749-1832), que reconhecia seu génio filosófico e sugeriu-lhe que trabalhasse numa teoria antinewtoniana da visão. A partir dessa sugestão, Schopenhauer escreveu Sobre a Visão e as Cores, publicado em 1816.
Em 1814, Schopenhauer rompeu definitivamente com a família e quatro anos depois concluiu a sua principal obra, O Mundo como Vontade e Representação. Em 1819, o livro foi publicado, mas um ano e meio após a publicação, só tinham sido vendidos cerca de 100 exemplares. A crítica também não foi favorável à obra.
Durante os anos de 1818 e 1819, Schopenhauer passou uma temporada na Itália: ao voltar, a sua situação econômica não era das melhores. Solicitou então um posto de monitor na Universidade de Berlim, valendo-se de seu título de doutor e passando por uma prova que consistia numa conferência. Admitido em 1820, encarregou-se de um curso intitulado A Filosofia Inteira, ou O Ensino do Mundo e do Espírito Humano. O título do curso devia-se, provavelmente, a Hegel (1770-1831), que na época era um dos mais reputados professores da Universidade de Berlim. Tentando competir com Hegel, Schopenhauer escolheu o mesmo horário utilizado pelo rival, mas a tentativa redundou em fracasso completo: apenas quatro ouvintes assistiam a suas aulas. Ao fim de um semestre, renunciou à universidade.
Em 1821, envolveu-se num acidente que teve desagradáveis consequências económicas e, sobretudo, viria a causar-lhe periódicas crises de depressão psicológica. Nessa época, o filósofo residia numa pensão, cujos principais locatários, na sua grande maioria, eram senhoritas de idade avançada. Essas pensionistas tinham o desagradável hábito de espionar a chegada de supostas amantes, recebidas por Schopenhauer em seus aposentos. Certa noite, quando uma costureira chamada Caroline-Louise Marquet dedicava-se a esse mister, Schopenhauer, perdendo a paciência, atirou-a escada abaixo. Como resultado, foi processado e acabou sendo condenado a pagar trezentos thalers de despesas médicas. Além disso, ficava obrigado a pagar sessenta thalers anuais, até a morte de Caroline, que veio a falecer sómente vinte anos depois. Durante todos esses anos, Schopenhauer entrava em depressão nervosa, sempre que era obrigado a pagar a pensão. A sua revolta não dizia respeito à quantia desembolsada mas ao que sentia como injustiça cometida pelas autoridades.
Entre 1826 e 1833, Schopenhauer empreendeu freqüentes viagens, adoeceu por diversas vezes e tentou uma segunda experiência como professor da Universidade de Berlim. Foi mais uma tentativa fracassada, somente contrabalançada pela crítica elogiosa a seu O Mundo como Vontade e Representação, publicada no periódico Kleine Bücherschau.
Em 1833, depois de muitas hesitações, o filósofo resolveu fixar-se em Frankfurt-sobre-o-Meno, onde permaneceria até sua morte em 1860. Durante os vinte e sete anos que passou em Frankfurt, levou uma vida solitária, acompanhado pelo seu cão. A sua predileção por animais era filosoficamente justificada; segundo Schopenhauer, entre os cães, contrariamente ao que ocorre entre os homens, a vontade não é dissimulada pela máscara do pensamento.
Dedicado exclusivamente à reflexão filosófica, Schopenhauer trabalhou intensamente em Frankfurt, redigindo e publicando diversos livros. Em 1836, veio a lume o ensaio Sobre a Vontade na Natureza, que deveria completar o segundo livro de O Mundo como Vontade e Representação. Na mesma época, redigiu também dois ensaios sobre moral. O primeiro, escrito para concorrer a um concurso da Academia de Ciências de Drontheim (Noruega), intitula-se Sobre a Liberdade da Vontade. O segundo, O Fundamento da Moral, concorreu ao concurso da Academia de Copenhague e continha verdadeiros insultos a Hegel e a Fichte, que provocaram escândalo; embora fosse o único concorrente, o livro não foi premiado. Posteriormente, os dois ensaios seriam reunidos sob o título de Os Dois Problemas Fundamentais da Ética e publicados em 1841. Três anos depois, surgiu a segunda edição de O Mundo como Vontade e Representação, enriquecida com alguns suplementos. Apesar disso, não teve sucesso.
O mesmo não ocorreu com a última obra escrita e publicada por Schopenhauer. Intitulava-se Parerga e Paralipomena e continha pequenos ensaios sobre os mais diversos temas: política, moral, literatura, filosofia, estilo e metafísica, entre outros. A obra alcançou inesperado sucesso, logo depois de ser publicada em 1851. A partir daí, a notoriedade do autor espalhou-se pela Alemanha e depois pela Europa. Um artigo de Oxenford, publicado na Inglaterra, deu início à grande difusão de sua filosofia. Na França, muitos filósofos e escritores viajaram até Frankfurt para visitá-lo. Na Alemanha, a filosofia de Hegel entrou em declínio e Schopenhauer surgiu como ídolo das novas gerações.
Assim, os últimos anos da vida de Schopenhauer proporcionaram-lhe o reconhecimento que ele sempre procurou. Artigos críticos surgiram em grande quantidade nos principais periódicos da época. A Universidade de Breslau dedicou cursos à análise de sua obra e a Academia Real de Ciências de Berlim propôs-lhe o título de membro, em 1858, que ele recusou.
Dois anos depois, a 21 de setembro de 1860, Arthur Schopenhauer, que Nietzsche (1844 – 1900) chamaria "o cavaleiro solitário", faleceu, vítima de pneumonia. Contava, então, 72 anos de idade.