Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

 

 

De lagarta a borboleta
Um dos mais precisos retratos da condição humana foi traçado pelo pensador Jiddhu Krishnamurti.

 

Dizia ele que nós, seres humanos, somos os mesmos que éramos há milhares de anos ávidos, invejosos, agressivos, ciumentos, ansiosos e desesperados, com ocasionais lampejos de alegria e afeição.

 

Somos uma estranha mistura de ódio, medo e ternura; somos ao mesmo tempo violência e paz, ...

 

Afirmava que, embora os tempos modernos tivessem trazido mais conforto, segurança e tecnologia, psicologicamente continuávamos os mesmos.

 

E as estruturas sociais também, já que elas são o resultado directo da nossa condição interior. Todas as formas exteriores de mudanças, produzidas pelas guerras, revoluções, reformas, pelas leis e ideologias, falharam completamente, pois não mudaram a natureza básica do homem e, portanto, da sociedade, disse ele na sua crueza cristalina.

 

Então a pergunta que Krishnamurti faz é: o que podemos fazer para promover em nossa própria essência uma revolução total, uma mutação psicológica radical, para não sermos mais brutais, violentos, competidores, ansiosos, ávidos, invejosos, e para que brote definitivamente a fonte inesgotável do amor e da afeição em nós? Isto é, o que podemos fazer para voltarmos a ser livres como uma criança?

 

 A sua resposta para essa pergunta é muito estranha: olhar, observar. Prestar atenção verdadeiramente, realmente, em tudo o que está dentro e fora de nós. Ver as correntes que nos prendem, observar os grilhões a que estamos atados, as mentiras, os sonhos, as fantasias. Um encontro cara a cara com a verdade, cada dia mais profundo. E quando aprendermos a olhar de maneira tão sincera e real, disse Krishnamurti, tudo se esclarecerá. As correntes começarão a se desfazer, a visão estará mais límpida e desimpedida. Isso pode ser doloroso.

 

A primeira coisa que se torna evidente depois de olhar e observar é que nem sequer conseguimos seguir o sistema, religião ou ideologia que defendemos com tanto ardor.

Nós temos as nossas inclinações, tendências e pressões peculiares, que colidem com o sistema que julgamos seguir portanto, existe uma contradição básica. Nós temos assim uma  vida dupla, entre a ideologia do sistema e a realidade da nossa vida diária,sabemos que vivemos numa hipocrisia, entre o que professamos e o que fazemos, então importa que sejamos livres para escolher.

Quando se é livre, a sua ação é exatamente a extensão de seu próprio ser.

Portanto, liberdade é única e exclusivamente ser do jeito que somos é, deixarmos o nosso ser verdadeiro transbordar dentro de nós  e permitir que ele dirija as nossas acções. E não se há de ter medo de uma liberdade assim. Um ser livre não prejudica ninguém porque tem noção da interdependência de todos os seres. Ele está conectado a tudo e a todos.

 

vidasimples.abril.com.br/edicoes/064/grandes_temas/conteudo_269910.shtml

 

 



publicado por Sou às 21:57
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