Quarta-feira, 04 de Março de 2009


Aladino caminhava por uma viela estreita e escura quando um cálido brilho no chão chamou a sua atenção. Aproximando-se, viu que era uma lâmpada. Olhou-a por diversos  ângulos quando viu sob a poeira algo que parecia ser algum escrito. Passou a mão no local e subitamente uma grande luz branca começou a surgir do bico da lâmpada. Aladino assustou-se e deixou cair a lâmpada, enquanto uma grande forma humana masculina ia se formando no espaço antes vazio. Ao invés de terminar em pés, as suas pernas se afunilavam na direção do bico da lâmpada. A forma algo fantasmagórica flutuava envolta por uma aura oscilante.

Antes que Aladino pudesse sequer avaliar a situação, a forma disse com voz grave e firme:

- Sou o Génio da Lâmpada, e você tem direito a um desejo.

Recobrando-se, Aladino compreendeu logo a situação e, sem questionar porque era um só desejo, já ia dizendo algo quando o Génio continuou:

- Mas há três condições.

Três condições? Onde já se viu um génio ter condições para atender desejos? Aladino continuou ouvindo.

- Primeira condição: o que quer que  deseje, deve realizar-se antes na sua mente.

Aladino já ia perguntar o que isto queria dizer, mas o Génio não deixou:

- Segunda condição: o que quer que deseje, deve desejar integralmente, sem conflitos. Desta vez Aladino esperou.

- Terceira condição: o que quer que deseje, deve ser capaz de continuar desejando para continuar a ter.

Aladino, ansioso por dizer logo o que queria, fez o primeiro desejo assim que pôde falar:

- Eu quero um milhão de dólares!

- Já se imaginou tendo um milhão de dólares?

Aladino agora entendera o que queria dizer a primeira condição. Na mesma hora vieram à sua mente imagens de si mesmo nadando em dinheiro, comprando muitas coisas, Mas ao imaginar-se, questionou-se se teria que compartilhar parte do dinheiro com pobres ou outras pessoas. Aí entendeu a segunda condição, e percebeu que seu desejo não poderia ser atendido.

Aladino então procurou  então algum desejo que poderia ter sem conflitos. Pensou, pensou,  e por fim disse ao Génio:

- Senhor Génio, eu quero uma companheira bela, sábia e carinhosa. Aladino tinha se imaginado com uma mulher assim e sentiu que aquilo ele queria de verdade, sem qualquer conflito.

O Gênio fez um gesto e de sua mão saiu um feixe de luz esverdeada na direção do coração de Aladino. Este teve uma alucinação, como um sonho, de estar vivendo com uma mulher bela, sábia e carinhosa por vários anos. E viu-se então enjoado, não a queria mais depois de tanto tempo. Voltando à realidade, Aladino lembrou-se das cenas e viu que aquele desejo também não poderia ser atendido. Entristeceu-se, pensando que jamais poderia querer e continuar querendo algo sem conflitos.

Algo aparentemente aconteceu. O rosto de Aladino iluminou-se, e ele  empertigou-se todo para dizer ao Génio que já sabia o que queria.

- Sim? O Génio foi lacónico. Aladino completou, num só fôlego: 

- Eu desejo que me dê a capacidade de realizar os desejos que eu imaginar em minha mente sem conflitos!

Algo inesperado aconteceu: o Génio foi se soltando da lâmpada, formaram-se duas pernas completas no seu corpo e ele desceu devagar até finalmente apoiar-se no chão, em frente a Aladino, que o olhava com um ar interrogador.

- Obrigado, disse o Génio, sorridente. Estava escrito que eu seria libertado quando alguém pedisse algo que já tivesse!

 

Virgílio Vasconcelos Vilela



publicado por Sou às 21:35
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