Segunda-feira, 06 de Abril de 2009

 

Freud, há mais de 70 anos, foi o primeiro a reconhecer com maestria a origem do desconforto que sentimos ao vivermos em uma sociedade que barra a todo instante nossos impulsos e desejos.

O contrato do casamento, por exemplo, nos lembra a cada minuto que devemos conter nosso desejo sexual a limites demarcados o que não necessariamente diminui nosso desejo de cruzar novas fronteiras.

O poder do Estado nos lembra que a força física deve ser monopólio da polícia e das Forças Armadas o que também não diminui nosso impulso, vez ou outra, de querer revidar uma agressão com as mãos.

Isso para não falar das milhares de convenções sociais não escritas que respeitamos com medo de sofrer retaliação do grupo em que vivemos.

Freud chamou essa tensão entre o desejo e sua restrição social de mal-estar da civilização, nome de um de seus ensaios mais importantes, que descreve o confronto entre o animal que somos e a sociedade que tenta domesticá-lo.

Se a civilização impõe sacrifícios tão grandes, não apenas à sexualidade do ser humano, mas também à sua agressividade, podemos compreender melhor por que é tão  difícil ser feliz nessa civilização, escreveu o fundador da psicanálise. E completou: O homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança.

A diferença é que em 1930, quando Freud tratou desse tema, sabia-se bem pouco sobre a mente e o comportamento de outras espécies.

 

Em meados da década de 1960, a observação de chimpanzés e outros primatas comprovou que eles compartilham conosco diversos traços que relutamos em aceitar como humanos.

Quem nega totalmente que tem traços agressivos, por exemplo, termina, no fundo, potencializando sua agressividade.

 

http://vidasimples.abril.com.br



publicado por Sou às 01:07
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