Segunda-feira, 06 de Abril de 2009

Por que, ainda assim, insistimos em dissimular o desejo humano por poder? Não consigo compreender o tabu que nossa sociedade cerca esse assunto, escreveu o biólogo Frans de Waal, especialista em primatas. Ele cita como exemplo o resultado de um estudo sobre a motivação com diretores de empresas. Eles admitiram, sim, a existência da ânsia de poder, porém nunca a aplicaram a si mesmo, escreveu ele. Candidatos políticos são igualmente relutantes. Vendem a imagem de que são servidores do povo, concorrendo ao cargo com o fito de consertar a economia ou melhorar a educação. Alguém já ouviu um candidato admitir que quer o poder?

Quando foi estudar os chimpanzés na Tanzânia, na década de 1960, a americana Jane Goodall fez uma descoberta fascinante: as coalizões e disputas entre os machos de um mesmo grupo eram cheias de lances típicos de parlamentares no Congresso. Ao contrário do que muitos imaginavam, Goodall percebeu que a força bruta não era suficiente para que os machos dominantes preservassem seu poder. Para isso, eles tinham que fazer alianças e conchavos, como qualquer candidato à promoção em uma empresa ou a um cargo político.

Admitir com naturalidade que sofremos, sim, toda vez que perdemos poder ou deixamos de ser reconhecidos pelos outros talvez seja o primeiro passo para evitar que tomemos medidas extremas para alcançá-lo. Quem não assume nem reconhece a origem do seu sofrimento, afinal, pode terminar descarregando sua frustração em pessoas que não estão ligadas diretamente ao problema e quase sempre as mais frágeis do grupo, diz Amador.

Mas essa inerente vontade de poder não significaria, segundo os especialistas, que estamos condenados geneticamente a viver em sociedades altamente competitivas. Para os pesquisadores, os primatas são bastante flexíveis para resolver conflitos de várias maneiras ...

 

http://vidasimples.abril.com.br

 



publicado por Sou às 01:13
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