Domingo, 08 de Junho de 2008


  

    

 

Perdoa-me pelas desilusões que te causei.

E agradece-me pelos sonhos que despertei em ti; pois as desilusões não brotam senão onde antes floresciam os sonhos. Como no tempo se alternam os dias e as noites, alternam-se na vida os bons e os maus momentos.  E, assim, nada é o que parece ser.  Pois mesmo na tristeza da despedida existe uma oculta alegria, que é a esperança do reencontro.  E é no amargor da saudade que se oculta a doçura das lembranças.

Se em todo caso de amor existe alguém que mais ama, a esse será reservado o quinhão maior do sofrimento da separação. E é justo que assim seja, por lhe ter cabido a porção maior de felicidade.

Parte, se assim o desejas.  Pois nada me tomas, senão aquilo que me deste; e, por isto, de direito te pertence. Deixa, apenas, que eu te olhe mais uma vez.

Para que a tua imagem se entrone no altar da minha saudade. Pois não são os teus olhos que pretendo guardar, mas a luz do teu olhar.

Assim como não são os teus lábios que desejo reter, mas o sabor dos teus beijos. 

E não é do teu corpo que preciso, mas do calor do teu amor.  Pois o amor não é como a paixão, que se nutre do que se pode ver, mas como a religião, que se alimenta do que se pode sentir.  E, acredita, não pedirei para que fiques. Pois não é o amor que se humilha, mas o egoísmo.  E não é a saudade que é insuportável, mas a frustração.

Conforta-me o saber que não nos deixamos por desamor, mas por não entendermos o Amor.  E, de fato, como poderíamos reconhecer aquele que, dantes, jamais havia andado pelos nossos caminhos?

Assim como a esperança não é mais que o desengano antes do seu nascimento, o desengano é apenas o prólogo de uma nova esperança. E o nosso conhecimento é a soma das nossas esperanças e dos nossos desenganos.

Sigamos, pois; e, seguindo, conservemos as lembranças do que houve entre nós.

Para que, mais sábios e menos egoístas, saibamos reconhecer a face do Amor, e conservá-lo em nossa companhia.

Se voltarmos a encontrá-lo em nossos caminhos.

 

Gibran Khalil Gibran



publicado por Sou às 15:29
de qual livro é este poema de Gibran?
CLAUDIA a 9 de Agosto de 2016 às 02:45

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