Segunda-feira, 04 de Agosto de 2008

 

dDizem  que certo dia, na margem de um lago solitário e tranquilo, encontraram-se os quatro elementos: o Fogo, o Ar, a Água e a Terra. «Há quanto tempo não nos encontrávamos!», disse o Fogo, cheio de entusiasmo.

É verdade», disse o Ar. «À custa de tanto pretendermos construir formas e mais formas, tornamo-nos escravos da nossa obra e perdemos a liberdade.»

«Não te queixes», disse a Água. «Estamos a obedecer às leis divinas, e é um prazer servir a Criação. Por outro lado, não perdemos a nossa liberdade. Tu, Ar, corres de um lado para o outro quando queres. Tu, Fogo, entras em toda a parte, servindo a vida e a morte. Eu faço o mesmo.

«Afinal, só eu me deveria queixar!», disse a Terra. «Estou sempre imóvel, e, mesmo contra a minha vontade, dou voltas e mais voltas, sem descansar no mesmo espaço.».

Mas, de comum acordo, resolveram alegrar-se pelo facto de estarem juntos, o que raramente acontecia. Cada um deles contou o que havia feito durante a sua longa ausência, as maravilhas que tinha visto, o que havia construído ou destruído. Todos se orgulhavam pelo facto de terem feito com que a Vida se manifestasse nas mais variadas formas.
Mas, no meio de tão grande alegria, pairou uma nuvem: O confuso ser humano! Esse abusava de todos eles, fazendo com que muitas vezes se perdessem no seu percurso.

No entanto, a alegria de se encontrarem era tanta que a nuvem dissipou-se. Pensaram então em deixar uma recordação que eternizasse a felicidade daquele encontro. Alguma coisa que, sendo composta de fragmentos de cada um deles combinados de forma harmoniosa, fosse também a expressão das suas diferenças. Algo que servisse de símbolo e de mensagem para o ser humano. Depois de muito pensarem, os quatro disseram:
«E se construíssemos uma planta cujas raízes estivessem no fundo do lago, com o caule na água e as folhas e flores fora dela?»

A ideia pareceu-lhes boa. A Terra ofereceu-se para alimentar as suas raízes. A Água escolheu fazer crescer a sua haste. O Ar disponibilizou as suas melhores brisas para tonificar a planta. E o Fogo deu todo o seu calor para que a flor tivesse as mais formosas cores.

Fibra sobre fibra, construíram as raízes, as hastes, as folhas e as flores, os quatro irmãos terminaram a sua obra. Entretanto, o Sol nasceu e abençoou a planta saudando-a como uma rainha.

Foi assim que a semente da Iluminação passou a estar presente no mundo sob a forma de uma simples flor. Esta existirá enquanto houver condições para que a sua vida orgânica se desenvolva.

 A nossa missão aqui na Terra (e a grande dificuldade) é conseguir imergir do "lodo", e transformar os instintos primários, as nossas raízes territoriais de animais que não têm um raciocinio elaborado que os leve a escolher o bem.

 

 



publicado por Sou às 09:24
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