Sábado, 06 de Setembro de 2008

 

 



publicado por Sou às 23:40

 

 

 



publicado por Sou às 23:27

 

 



publicado por Sou às 22:13

 

Há vários anos atrás, em Seattle, Washington, vivia um refugiado tibetano de 52 anos de idade.

"Tenzin", é como vou chamá-lo, foi diagnosticado como portador de uma forma de linfoma das mais fáceis de curar.

Foi internado num hospital e recebeu a primeira dose de quimioterapia. Mas durante o tratamento este homem, normalmente gentil, tornou-se agressivo e irritado; arrancou a agulha intravenosa de seu braço e negou-se a cooperar. Gritou com as enfermeiras e discutiu com todos ao seu redor. Os médicos e enfermeiros ficaram desconcertados.

Posteriormente, a mulher de Tenzin explicou ao pessoal do hospital que Tenzin tinha sido prisioneiro político dos chineses durante 17 anos. A sua primeira esposa tinha sido morta e ele próprio foi repetidamente torturado e brutalizado durante o tempo em que esteve preso.

As normas e regulamentos do hospital, juntamente com a quimioterapia, fizeram Tenzin recordar todo o sofrimento tinha passado nas mãos dos chineses.

"Eu sei que vocês querem ajudá-lo," explicou ela , "mas ele sente-se torturado pelo tratamento, que faz com que ele se sinta da mesma maneira que os chineses o fizeram sentir. Ele prefere morrer a viver com o ódio que  está sentindo agora e, de acordo as nossas crenças, é muito mau albergar tamanho ódio no coração na hora da morte. Tenzin precisa de rezar e limpar o seu coração."

O médico deu alta a Tenzin e encarregou uma equipa da clínica de repouso de ir visitá-lo a casa. Eu era a enfermeira encarregada de cuidar dele e entrei em contacto com um representante da Amnistia Internacional para lhe pedir conselho. Ele disse-me que a única forma de sanar o trauma da tortura era falar-lhe sobre a questão. "Esta pessoa perdeu a sua confiança na humanidade e sente que a esperança é impossível." Mas quando eu encoragei Tenzin a falar sobre as suas experiências, ele ergueu a mão e pediu-me para parar.

Ele disse-me, "Eu preciso de aprender a amar de novo se quiser curar minha alma. A sua tarefa não é fazer perguntas, é ensinar-me a amar novamente."

Respirei profundamente e perguntei, "E como eu posso fazê-lo amar de novo?" Tenzin respondeu prontamente, "Sente-se, tome o meu chá e coma os meus biscoitos." O chá tibetano é um chá preto forte, coberto com manteiga de iaque e sal. Não é fácil de bebê-lo, mas foi o que eu fiz.

Durante várias semanas, Tenzin, sua mulher e eu, sentámo-nos juntos e tomamos chá. Também conversávamos com os médicos para encontrar formas de tratar as dores físicas. Mas era sua dor espiritual que deveria ser diminuída. Cada vez que eu chegava, via Tenzin sentado na cama, de pernas cruzadas, recitando preces. A sua mulher ia pendurando mais e mais 'thankas', bandeirolas budistas coloridas, nas paredes.

Rapidamente o quarto ficou semelhante a um colorido templo religioso. Quando a Primavera chegou, eu perguntei o que os tibetanos faziam quando estavam doentes na Primavera. Ele abriu um grande sorriso e disse, "Sentamo-nos e aspiramos o vento que sopra nas flores." Eu pensei que ele estava falando poeticamente, mas suas suas palavras eram literais.

Tenzim explicou-me que os tibetanos  fazem-no para serem pulverizados com o pólen das flores, levado pela brisa. Acreditam que esse pólen é um potente medicamento. Num primeiro momento, encontrar flores em quantidade suficiente parecia-me um pouco difícil, mas um amigo sugeriu que visitassemos algumas floriculturas locais. Eu telefonei para o gerente de uma floricultura e expliquei-lhe a situação.

A sua reação inicial foi "Você quer o quê???" Mas quando  expliquei melhor o meu pedido, ele concordou.

No fim-de-semana seguinte fui buscar Tenzin, a sua mulher e suas provisões para a tarde: chá preto, manteiga, sal, xícaras, biscoitos, almofadas e livros de orações. Deixei-os na floricultura e combinei ir buscá-los às 17 horas. No fim-de-semana seguinte, visitámos uma outra floricultura. E mais outra no terceiro fim-de-semana.

Na quarta semana, comecei a receber convites das floriculturas para Tenzin e sua mulher voltarem novamente. Um dos gerentes disse, "Nós temos uma nova remessa de nicotianas e lindas fuchsias. Ah, sim! E temos belas dafnias. Eu sei que eles vão adorar o perfume das dafnias! E eu quase me esqueci! Temos uns novos bancos de jardim que Tenzin e sua esposa vão adorar!" No mesmo dia, outra floricultura ligou dizendo que eles tinham recebido cataventos coloridos para Tenzin saber em que direção o vento soprava.

Em breve as floriculturas competiam pelas visitas de Tenzin. As pessoas começaram a preocupar-se com o casal tibetano.

Os empregados arrumavam os móveis de frente para o vento. Outros traziam água quente para o chá. Alguns fregueses regulares deixavam os seus carrinhos de compras próximos do casal. E quando, no final do verão, Tenzin voltou ao médico para fazer novos exames e determinar o desenvolvimento da doença, não se encontrou nenhuma evidência de cancro. O médico ficou espantado e disse à Tenzin que não conseguia explicar aquilo.

Tenzin levantou o dedo e disse, "Eu sei porque é que o cancro desapareceu: não podia continuar a viver num corpo tão cheio de amor. Quando eu comecei a sentir a compaixão das pessoas da clínica, dos empregados das floriculturas, e de todas essas pessoas que queriam saber de mim, comecei a mudar por dentro. Agora, eu  sinto-me afortunado por ter tido a oportunidade de ser curado dessa forma. Doutor, por favor, não acredite que a medicina é a única cura. Às vezes, a compaixão também pode curar um cancro.

O Vento Que Sopra nas Flores
Uma História Tibetana De Cura
Lee Paton



publicado por Sou às 10:54
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