Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

 

 

Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.

Charlie Chaplin



publicado por Sou às 23:34



A NATUREZA HUMANA SEGUNDO ROGERS

Ao estudarmos a teoria "rogeriana", deparamo-nos com um posicionamento bastante diferente daquele que vimos quando estudamos a teoria freudiana, no que se refere a natureza humana. Nela destaca-se a grande confiança que Rogers sentia pelo homem. A grande crença que ele sentia na capacidade do indivíduo é, assim, enunciada: "O ser humano tem a capacidade, latente ou manifesta, de compreender-se a si mesmo e de resolver seus problemas de modo suficiente para alcançar a satisfação e eficácia necessárias ao funcionamento adequado" (Rogers & Kinget, 1977, p.39).

Acredita ele que, se o homem não possui lesões ou conflitos estruturais profundos, apresenta esta capacidade. E que esta é uma característica inerente ao homem que independe de aprendizagem. Todavia, para que esta potencialidade logre a sua actualização, é necessário um clima de calor humano, desprovido de ameaças ou desafios à imagem que a pessoa faz de si mesma.

. A concepção de uma natureza "angélica" do homem, atribuída a Rogers, encontra-se, portanto, bem longe da verdade.
Dizia Rogers: Não possuo visão ingénua da natureza humana. Tenho bem consciência de que para se defender e movido por medos intensos, os indivíduos podem e, de fato, se comportam de modo incrivelmente destrutivo, imaturo, regressivo, anti-social e nocivo (Rogers, 1961, p.27.).

Mas a compreensão de Rogers a respeito da natureza humana vai além dessa constatação: Contrariamente à opinião que vê os mais profundos instintos do homem como sendo destrutivos, observa-se, quando o homem é, verdadeiramente, livre para tornar-se o que ele é no mais fundo de seu ser, quando é livre para agir conforme sua natureza, como um ser capaz de perceber as coisas que o cercam, então ele, nitidamente, se encaminha para a globalidade e a integração. Como já disse em outra publicação (Rogers, 1961, p.105).

Quando o homem é de todo um homem, quando ele é o seu organismo completo, quando a percepção da experiência, esse atributo peculiarmente humano, está operando na sua máxima plenitude, então pode-se confiar nele, então o seu comportamento é construtivo. Nem sempre será convencional, nem sempre será conformista. Será individualizado. Mas será também socializado (Rogers, in Burlona 1978, p.159).

Apesar de sua grande confiança no homem, Rogers sabe que somente consciente dos fatos que o cercam, poderá o indivíduo tomar decisões acertadas. E preocupa-se ante a consciência de que a nossa sociedade, na pele dos políticos, dos funcionários do governo, da indústria, da extrema direita e da extrema esquerda, entre outros, estejam todos empenhados em esconder os fatos (cf. Rogers, in Evades, 1977).

Ao longo da sua experiência, ele constatou que muitos dos sentimentos, considerados positivos, como o amor, a confiança e a bondade são, muitas vezes, aqueles mais profundamente recalcados, e não somente aqueles impulsos socialmente proibidos.
É, justamente, por conta das suas observações, enquanto terapeuta, que ele é levado a não acreditar que, uma vez liberada a camada mais profunda da natureza humana, nos depararíamos com um id incontrolável e destrutivo.

As observações de Rogers  conduziram-no, realmente, a uma ideia bem diferente da natureza humana, o que, num certo sentido, a identifica com o próprio fluxo da vida. E, referindo-se àquelas pessoas com quem ele trabalhou nas salas de fundo dos hospitais estaduais, ele afirma que as condições em que se desenvolveram essas pessoas têm sido tão desfavoráveis que as suas vidas quase sempre parecem anormais, distorcidas, pouco humanas. E no entanto, pode-se confiar que a tendência realizadora está presente nessas pessoas. A chave para entender o seu comportamento é a luta com que se empenham para crescer e ser, utilizando-se dos recursos que acreditam ser os disponíveis. Para as pessoas saudáveis, os resultados podem parecer bizarros e inúteis, mas são uma tentativa desesperada da vida para existir. Esta tendência construtiva e poderosa é o alicerce da abordagem centrada na pessoa (Rogers, 1983, p.41).

A abordagem centrada na pessoa considera a tendência realizadora ou actualizaste como uma motivação polimorfa. Ao nível do comportamento, esta tendência pode assumir diversas formas, em consonância com as necessidades presentes no organismo. Mas a busca de satisfação dessas necessidades será feita no sentido de promover a auto-estima e não de diminuí-la, exceptuando quando algumas delas, particularmente as básicas, tornam-se excessivamente urgentes.

Como se sabe, as teorias vigentes que tratam da motivação, tendem a descrevê-la a partir do modelo utilizado pela biologia, segundo o qual o organismo procura reduzir as suas tensões e restabelecer um estado de equilíbrio. A teoria freudiana, por exemplo, considera esse modelo.

Rogers discorda dessa orientação, pois, para ele, os organismos estão sempre em busca, num eterno "vir-a-ser", de um modo bem diferente do equilíbrio homeostático preconizado por Freud quando diz: "O sistema nervoso é... um aparelho que deveria se manter, se fosse possível, num estado de completa não estimulação", haja vista que, quando privado de estimulação externa, ele  abre-se para uma imensidão de estímulos internos, muitas vezes, semelhantes, aqueles dos relatos de experiências cósmicas. No seu entendimento, somente um organismo doente, se mantém num equilíbrio passivo.

Portanto, segundo ele, a homeostase não se pode  constituir na orientação última do organismo, haja vista que ele está sempre à procura de estímulos mais complexos. No homem, essa busca de estímulos mais enriquecedores é denominada curiosidade.
Os organismos estão sempre em busca de algo, sempre iniciando algo, sempre prontos para alguma coisa. Há uma fonte central de energia no organismo humano. Essa fonte é uma função do sistema como um todo, e não uma parte dele. A maneira mais simples de conceituá-la é como uma tendência à plenitude, à auto-realização, que abrange não só a manutenção mas também o crescimento do organismo (Rogers, 1983, p.44).

A tendência de se valorizar um ou outro aspecto de sua constituição, não pode ser feita sem acarretar prejuízo à compreensão do que seja ser uma pessoa. "Creio que o homem é mais sábio do que o seu intelecto considerado isoladamente e que as pessoas (que funcionam bem) aprendem a confiar na sua experiência como a mais satisfatória e sábia indicação para o comportamento apropriado."

 

(Rogers & Wood, in Burton, 1978, p.196)



publicado por Sou às 21:00

 

 

 

 

Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.


Charlie Chaplin



publicado por Sou às 08:02
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