Sábado, 30 de Janeiro de 2010

 

 

"É uma doença natural do homem acreditar que possui directamente a verdade; daí resulta que está sempre disposto a negar tudo o que lhe é incompreensível "



publicado por Sou às 23:42
Sábado, 30 de Janeiro de 2010

 

 O Jansenismo foi uma teologia cristã que surgiu na França e Bélgica, no século XVII e se desenvolveu no século XVIII.

 O nome porque tem origem nas idéias do bispo de Yprès, Cornelius Jansen. O Jansenismo era uma versão modificada do calvinismo, que por sua vez se baseia na teologia de Agostinho de Hipona.

Podemos distinguir no jansenismo três diferentes aspectos:

- o dogmático, de que o Augustinus é o fundamental representante
- o moral, que tem Antoine Arnauld como principal promotor
- o disciplinar, no qual encontramos Saint-Cyran como modelo

  Com o intuito de reformular globalmente a vida cristã, o holandês Cornélio Jansênio (1585-1638) deu início a um movimento que abalou a Igreja católica durante os séculos XVII e XVIII. Descontente com o exagerado racionalismo dos teólogos escolásticos, Jansênio - doutor em teologia pela universidade de Louvain e bispo de Ypres - uniu-se a Jean Duvergier de Hauranne, futuro abade de Saint-Cyran, que também pretendia o retorno do catolicismo à disciplina e à moral religiosa dos primórdios do cristianismo. Os jansenistas dedicaram-se particularmente à discussão do problema da graça, buscando nas obras de Santo Agostinho (354-430) elementos que permitissem conciliar as teses dos partidários da Reforma com a doutrina católica.

 Essencialmente, o jansenismo ressuscitava a antiga controvérsia pelagiana, um debate teológico na igreja antiga (cerca do ano 400 d. C.) entre Agostinho e Pelágio sobre as questões:

- da graça,

- livre-arbítrio

- e o pecado original.

Em contraste ao ensino jesuíta de que a graça é eficaz quando o recebedor consente e coopera com Deus através do livre-arbítrio, Jansênio ensinava que a graça é totalmente imerecida e por isso concedida ao recipiente por Deus através da predestinação. Assim, as idéias propostas por Jansênio seguiam a tradição do pensamento agostiniano, e não diferente dos pensamentos de João Calvino. Todavia, suas proposições centrais foram declaradas heréticas pelo papa Inocente X em 1653, mas o fogo da controvérsia continuaria a bramar por algum tempo, e no meio deste conflito teológico, Blaise Pascal entraria na arena como um pensador filosófico e polemicista par excellence.

 Jansenismo dogmático

A doutrina dogmática do jansenismo tem uma grande importância, na medida em que dá origem e sustento às outras dimensões. Muitas das prescrições morais e disciplinares do jansenismo são consequência das suas posições dogmáticas.

A doutrina jansenista filia-se num agostinianismo pouco crítico e lido com os olhos de Baio, apresentando neste aspecto um nítido parentesco com as doutrinas protestantes, sobretudo as calvinistas, sobre a graça, a natureza humana e a predestinação. O ponto central e essencial é uma antropologia pessimista, que vê no pecado original a corrupção da natureza humana, doravante incapaz de qualquer obra boa e fatalmente inclinada para o mal.

Intrinsecamente corrompido pelo pecado, o homem torna-se um joguete de duas forças antagônicas: a concupiscência e a graça. Cada uma delas exerce sobre o homem uma determinação interna a que ele não pode resistir. Ou seja, assim como o homem que recebe a graça age forçosamente segundo essa graça, assim também aquele a quem a graça não é dada segue fatalmente a concupiscência. A liberdade do homem salvaguardar-se-ia pelo facto de tanto a graça como a concupiscência apenas determinarem o homem internamente, deixando-o livre da coacção externa. Nisto consiste a diferença em relação ao protestantismo.

A graça, portanto, é de tal modo determinante que, uma vez recebida, o homem não pode resistir-lhe. Daí que toda a graça é eficaz, pelo que não existe a graça suficiente, a graça que seria concedida sempre e a todos, mas que poderia não ser seguida pelo homem.

Diversas são as implicações desta doutrina. Por um lado, o pecado pessoal significa necessariamente uma privação da graça: quem peca, é porque não tem graça, pois se a tivesse agiria segundo ela. Por outro lado, o homem não tem mérito nas boas obras, pois elas são fruto da graça que interiormente o determina, e não da sua liberdade. Além disso, o homem privado da graça (e uma vez que não há graça suficiente, ela é sempre ocasional) peca infalivelmente e é incapaz de qualquer boa obra, pois segue sempre a concupiscência. Daí que as obras dos infiéis sejam sempre pecado, pois estão privados da graça eficaz proveniente da redenção de Cristo. Uma outra implicação mais grave brota de toda esta doutrina. O homem só realiza boas obras por virtude da graça eficaz. Ora, tal graça não é sempre concedida, mas é Deus que com absoluta liberdade determina a quem a concede. Logo, é Deus que determina quem são os que realizam boas obras e, consequentemente, aqueles que se salvam e aqueles que se condenam. A consequência lógica do jansenismo é a doutrina da predestinação. Aqui temos mais um forte ponto de contacto com o calvinismo.

Por conseguinte, Cristo não morreu por todos os homens, mas somente por aqueles que se salvam, os eleitos, e só esses recebem a graça. No fundo, com o jansenismo assistimos mais uma vez à tentativa, tão presente nas heresias dos primeiros séculos, de admitir na Igreja apenas as pessoas puras e perfeitas, e não todos os homens que estejam dispostos ao arrependimento. Todas estas doutrinas, duma forma ou doutra estão presentes no Augustinus, e foram condenadas por diversas vezes pela Igreja Católica.

 Jansenismo moral

Mas não foi o aspecto dogmático do jansenismo que originou a sua grande difusão e popularidade. Foi antes a sua doutrina moral. Como dissemos, podemos encontrar um eloquente exemplo da moral jansenista em Arnauld e no seu livro De la fréquente communion. Mas devemos buscar a doutrina moral do jansenismo também nas fontes anteriores, a começar pelo Augustinus.

Nesta obra, no tomo II, encontramos os fundamentos da moral jansenista. Segundo o autor, a ignorância, ainda que invencível, não escusa do pecado, porque tal ignorância é precisamente a consequência do pecado original. Além disso, como vimos, o homem, sem a graça, peca necessariamente, a sua natureza arrasta-o sempre irresistivelmente para o pecado, de tal modo que, se o homem, por suas forças, pretender escapar a um pecado, cai fatalmente noutro. Ou seja, o pecado é inevitável na vida humana. Daí todo o pessimismo jansenista em relação à natureza humana, que tanto leva ao desprezo por todas as obras, ainda que aparentemente meritórias, dos pecadores e dos infiéis, como conduz a um extremo rigorismo no que diz respeito a qualquer possível “cedência à natureza”.

Saint-Cyran foi o iniciador da prática moral jansenista. A penitência, para ele, era tratada com um imenso rigorismo. Assim, dizia ele que a absolvição não perdoava propriamente os pecados, mas declarava sim que eles haviam sido perdoados por Deus. Deste modo, era necessária uma contrição perfeita para que a absolvição fosse válida, pois a simples atrição era insuficiente. A consequência prática disto era a recusa da absolvição aos pecadores reincidentes e àqueles em que não fosse certa uma perfeita contrição. As religiosas de Port-Royal tinham por hábito não se atreverem a receber a absolvição, por não se julgarem preparadas…

Em relação à comunhão, as condições exigidas também eram bastante rigoristas. Exigia-se a perfeição, de modo que acabava por ser considerada mais meritório o desejo de comungar, ou a “comunhão espiritual”, do que a própria comunhão eucarística. Daí que um dos efeitos do jansenismo, através dos tempos, tenha sido precisamente o afastamento dos sacramentos.

Esta atitude relativamente à recepção dos sacramentos é facilmente compreensível se tivermos em conta que Deus, para o jansenismo, aparece como o terrível juiz que decide arbitrariamente da nossa sorte, de modo que a relação com Ele, como dissemos, é baseada no temor e não no amor. Todo este rigorismo aparecia como contraposição ao laxismo que os jansenistas personificavam nos jesuítas. E, de facto, um dos méritos do jansenismo foi precisamente a denúncia desse laxismo que imperava na vida cristã de muitos. O erro, porém, foi condenar, junto com o laxismo, todo o probabilismo e a preocupação pastoral, a favor dum rigorismo teórico e desencarnado.

Jansenismo disciplinar

A nível disciplinar, o jansenismo advoga uma reforma da Igreja que elimine as perniciosas novidades introduzidas desde o tempo dos antigos padres e os desvios operados por escolásticos e jesuítas. Isto baseado na concepção da Igreja como sociedade imutável, de origem divina, e como tal isenta de qualquer mudança.

O que vem a acontecer, fruto das sucessivas condenações de que o jansenismo foi vítima, é que se advoga um aumento da autoridade da hierarquia local, em detrimento da do Papa. Com o tempo, ainda, face às perseguições, o jansenismo procura fazer alianças com as autoridades civis, a fim de melhor resistir, e nesse aspecto assume um significado político. Sobretudo a partir do séc. XVIII, o jansenismo relaciona-se com a pretensão de independência face à Igreja de Roma e confunde-se com a criação de Igrejas nacionais.

Neste ponto, é interessante notar um paradoxo que acompanhou o jansenismo desde o seu início: os seus defensores sempre declararam a sua pertença à Igreja e a sua vontade de se submeterem aos seus juízos. Jansen, à hora da morte, declarou submeter-se de antemão ao juízo da Igreja. O Augustinus, aliás, tinha uma dedicatória ao papa Urbano VIII, que não chegou porém a ser impressa, devido à proibição que esse mesmo papa fizera da publicação. Mas assim como se declaravam dispostos a obedecer, os jansenistas também procuraram sempre todos os subterfúgios para continuarem a defender as suas idéias, apesar das condenações.

 

 


 



publicado por Sou às 23:07
Sábado, 30 de Janeiro de 2010

 

 



publicado por Sou às 20:53
Sábado, 30 de Janeiro de 2010

 

 

 



publicado por Sou às 20:43
Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

 

 

Considerado o pai do empirismo inglês, desenvolveu uma teoria do conhecimento que irá inspirar outros filósofos desta corrente.Para esta corrente filosófica a experiência é a fonte de todo o conhecimento. Ideias básicas sobre o empirismo de J. Locke:

1. Não existem ideias inatas;

2.Nada existe no intelecto que já não exista nos sentidos. O espírito humano está por natureza vazio, é uma tábua rasa, uma folha em branco onde a experiência escreve;

3.Todo o conhecimento depende da experiência, mas também está por ela limitado;

4. As ideias complexas são o resultado de uma combinação de ideias simples, apreendidas através dos sentidos.

5.Embora todos os conteúdos do conhecimento procedam da experiência, Locke admite que há verdades com validade universal que são dela independentes, como a matemática. O fundamento da sua validade reside no pensamento e não na experiência.



publicado por Sou às 22:46
Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

 

 



publicado por Sou às 13:08
Domingo, 24 de Janeiro de 2010

Filósofo inglês do século XVII, fundador
da filosofia moral e política inglesa.

Nascido no ano da Invencível Armada, nasceu prematuramente devido à ansiedade da mãe, segundo ele próprio defendeu. O pai de Hobbes, um clérigo da igreja anglicana, desapareceu depois de se ter envolvido numa zaragata à porta da sua igreja, abandonando os seus três filhos aos cuidados de um seu irmão, um bem sucedido luveiro de Malmesbury.

Aos 4 anos Hobbes foi enviado para a escola, em Westport, a seguir para uma escola privada, e finalmente para Oxford onde se interessou sobretudo por livros de viagens e mapas. Quando acabou os estudos tornou-se professor privado do futuro 1.º conde de Devonshire, William Cavendish, iniciando a sua longa relação com a família Cavendish. Tornou-se muito chegado ao seu aluno, que era pouco mais novo do que ele, tornando-se seu secretário e companheiro. Assim, em 1610 Thomas Hobbes visitou a França e a Itália com o seu pupilo. Aí descobriu que a filosofia Aristotélica que tinha aprendido estava a perder influência, devido às descobertas de astrónomos como Galileo e Kepler, que formularam as leis do movimento planetário. Por isso, ao regressar a Inglaterra decidiu tornar-se um estudioso dos clássicos, tendo realizado uma tradução da História da Guerra do Peloponeso de Tucídedes, publicada em 1629, influenciada pelos problemas contemporâneos da Inglaterra .

Tendo voltado a viajar para o estrangeiro, com o seu novo pupilo Hobbes foi chamado a Inglaterra, em 1630, para ensinar o jovem 2.º conde de Devonshire, William Cavendish, filho do seu patrono e pupilo.  

Foi durante uma nova viagem, a terceira, ao continente que se deu o ponto de viragem intelectual de Hobbes, quando descobriu os Elementos de Euclides, e a Geometria, devido à influência de Galileu, que o ajudou a clarificar as suas ideias sobre a filosofia, como qualquer coisa que podia ser demonstrada em termos positivos - «as regras e a infalibilidade da razão» - tendo escrito os Elementos do Direito, Natural e Político, que circulou manuscrito em 1640, mas que só foi publicado no século XIX, após ter chegado a Inglaterra, em 1637.

Em 1640 foi um dos primeiros emigrantes Realistas, o primeiro segundo ele próprio orgulhosamente afirmava, tendo vivido em Paris, nos onze anos seguintes. Contactou de novo co ocírculo de Mersenne, escreveu sobre Descartes e publicou o De Cive, que desenvolvia os argumentos apresentados na 2.ª parte dos Elementos, concluindo abordando as relações entre o estado e a religião. Em 1646 o príncipe de Gales, o futuro Carlos II, chegou a Paris tendo Hobbes sido convidado a ensinar-lhe matemática. Os problemas políticos ingleses e o cada vez maior número de refugiados políticos levou-o a de novo para a filosofia política. Assim, em 1647 publicou uma segunda edição, aumentada, do De Cive, e a sua tradução inglesa em 1651. Em 1650 publicou Os Elementos da Lei em duas partes, a Natureza Humana e o De Corpore Politico (Do Corpo Político).

Em 1651 publicou a sua obra-prima, o Leviatã. Carlos I tinha sido executado e a causa realista parecia completamente perdida, por isso no fim da obra tentou definir as situações em que seria possível legitimamente a submissão a um novo soberano. Tal capítulo valeu-lhe o desagrado da corte do novo rei de Inglaterra, no exílio, já que se pensava que Hobbes estava a tentar cortejar o regime republicano em Inglaterra. Excluído da corte inglesa e suspeito para as autoridades francesas, devido aos seus ataques contra o Papado, Hobbes regressou de facto a Inglaterra nesse ano de 1651.

O regresso a Inglaterra não se fez sem perigos, já que Hobbes tinha atacado o sistema universitário, devido ao seu antigo apoio ao Papa, continuando a criticá-lo devido à manutenção de um ensino baseado em conhecimentos ultrapassados. De facto, a Universidade de Oxford criticou-o duramente em 1655, quando da saída do De Corpore. Hobbes impressionado com os progressos de Galileu na mecânica, tentou explicar todos os fenómenos e os próprios sentidos com base do movimento dos corpos. A posição foi muito criticada dando origem a uma polémica que durou até 1662, ano em que se defendeu, com sucesso, de ter abandonado Carlos II, no exílio.

Com a Restauração da monarquia inglesa, em 1660, na pessoa de Carlos II, Hobbes voltou a ser  admitido na corte, contra o parecer dos bispos, passando mesmo a receber uma pensão do rei. Em 1666-67 Hobbes sentiu-se realmente ameaçado, devido à tentativa de aprovação no Parlamento de uma lei contra os ateus, e os profanadores de túmulos, já que a comissão encarregue de discutir a lei  tinha por dever analisar O Leviatã. Hobbes defendeu-se afirmando que não havia em Inglaterra nenhum tribunal com jurisdição sobre as heresias, desde a extinção da «high court of comission», em 1641. O parlamento acabou por não aprovar a lei contra o ateísmo, mas mesmo assim Hobbes nunca mais pôde publicar sobre a conduta dos homens, possivelmente o preço que o rei acordou para Hobbes ser deixado em paz.

O fim da vida foi passado com os clássicos da sua juventude, tendo publicado uma tradução da Odisseia em 1675, e a da Ilíada no ano seguinte.

     

Fonte:

Enciclopédia Britânica

www.arqnet.pt/portal/biografias/hobbes.html



publicado por Sou às 19:13
Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

 

 



publicado por Sou às 20:16
Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

 

 

 

 

Espinosa bem sabia que nem todo mundo pode fazer filosofia. (...) Fazer filosofia tem uma causa; não fazer, também. Uma das causas da não-filosofia é que a regra, numa sociedade, é antes a superstição, a servidão e a obediência, em vez do conhecimento, da liberdade e da compreensão

 (André Scala)

 

Baruch Spinoza

nasceu em Amsterdão na Holanda pertencia a uma  família tradicional judia, de origem portuguesa. A sua família emigrou para a Holanda porque os judeus estavam a ser  perseguidos. O seu pai era um comerciante bem sucedido e abastado. Espinoza gostava de estudar e ficava na sinagoga. Era um dos melhores alunos. Aprendeu a Bíblia Sagrada e o Talmud. Então foi para uma escola particular, onde conheceu o latim. Pôde então ter um estudo mais abrangente. Interessou-se  muito pela filosofia moderna, de Bacon, Hobbes e Descartes. Foi acusado de heresia, por se mostrar irredutível em suas opiniões, fazendo uma análise histórica da Biblía, colocou-a  como sendo  fruto de seu tempo. Criticou os dogmas rígidos e os rituais sem sentido que confundiam os crentes, e eram isentos de poder, assim  como o luxo e a ostentação da Igreja. Foi então excomungado, em 1656 e amaldiçoado em ritual, foi afastado pelos judeus que deixaram de falar com ele e deserdado pela família. Depois disso, viajou pela Holanda e apesar dos judeus o terem condenado ao isolamento, Espinoza  fala com com os cristãos, embora nunca tenha se convertido em cristão, não acreditava na divindade de Cristo, mas  colocou-o como o primeiro entre os homens.



A saúde de Spinoza era  frágil  e viveu uma vida modesta, frugal e segundo se consta os seus  luxos eram os livros,  sustentava-se  com algumas doações e com o dinheiro de polidor e cortador de lentes ópticas.

 

Espinosa afirma o fato, já dito por Buda e Cristo antes dele, que tudo na vida humana é passivo de tranformação e/ou pleno desgaste, e que todas as coisas que ocorrem ao homem são "bens" ou "males" à medida que este se deixa impressionar ou estimular por elas. Na verdade, coisas e acontecimento são "interpretados" pela alma humana, de acordo com seus valores e desejos. Então, só diante de uma nova maneira de viver, onde se compreendesse esta realidade, poderia ajudur o homem a se livrar de uma tremenda carga de desejos - não de todos, é claro, mas do excesso dos supérfluos - que o prendem à matéria e passar a  utilizar-se dela não como um fim, mas como um meio de se atingir objetivos mais elevados, humanistas e universais. Vejamos alguns pontos:



I) O desfrute do prazer só é benéfico na medida em que não prende a atenção e o espírito humanos em si. Porque se isso ocorre, o espírito fica de tal modo preso ao prazer que não se ocupada mais de outras coisas. Assim, após o desfrute ansioso, ocorre frequentmente que o homem que faz do prazer um fim pleno em si acaba, diante da fugacidade destes, frequentemente menos valiosos que os esforços e prováveis amarguras empregados para conseguí-los, por cair numa grande tristeza e vazio, se perguntado: e depois? É só isso? E se tornar perturbado pelo seu vício que, em exagero, se mostra superficial.



II) Riquezas e honras só nos são realmente úteis se forem vistas como meios e intrumentos para se atingir uma maior e mais compartilhada felicidade. Do contrário, elas absorvem o espírito e o enclausula num círculo vicioso: o ter riquezas e honras como um fim traz o desejo de se ter mais e mais riquezas e honras, impedido mesmo o usufruto do que já foi conquistado.



Para Espinosa, assim como os para os Taoístas (cuja filosofia Espinosa não conheceu), em especial Lao - Tsé, o bem viver, a forma correta de viver em harmonia e em equilíbrio, nos leva a viver de acordo com a harmonia maior da natureza, que, enfim, é a própria expressão visível de Deus. Deus não é entendido por Espinosa como um Ser à parte e/ou externo ao mundo, que o governa como um engenheiro ou habilidoso artesão, mas como a Divindade da Ordem Eterna da Natureza, muito superior ao entendimento fragmentado e antropomorfista humano. É, enfim, o Grande Uno que se expressa nos Muitos a que se faz a partir de Si mesmo. Uma visão estranha ao modo ocidental, mas bem de acordo com as mais sofisticadas concepções orientais do Divino. Para Espinosa, o mundo visível que nos cerca nada mais é que a expressão explicada (no sentido de ser exposta) em miríades de formas eternamente mutáveis de uma única causa intrínseca ou implicada - usando os termos da moderna teoria de Odem Implicada do físico David Bohm -, única real substância universal e absoluta, que está além dos modos convencionais de compreensibilidade, e que, para Espinosa, é o próprio Deus, pois que fundamento originário que É e que não pode ser remetido a nada além de Si mesmo... Esta Causa Primária é livre por agir por sua própria natureza divina, e é eterna, já que sua essência é sua própria existência. Sendo assim, Deus é necessariamente a única real Causa existente, sendo tudo o mais efeitos Seus, inclusive o homem, que, tendo um pouco da semelhança da Causa Primária, também é, ele mesmo, co-criador, inclusive de seus próprios problemas, por imperfeito ser que é, mas livre igualmente para escolher fazer de sua vida algo com sentido, especialmente o do próprio aperfeiçoamento humano segundo os limites que lhe é dado pela natureza.



Este é um pequeno e imperfeito resumo da mensagem de um dos maiores filósofos de todos os tempos...



A obra de Espinosa foi durante muitos anos mal compreendida, quando não explicitamente atacada - mesmo por aqueles que não a conheciam. Hoje em dia, porém, a grandeza deste homem, em expressa que está em suas obras, está sendo cada vez mais aceita. Muitos dos filósofos do romantismo e da modernidade devem muito aos caminhos abertos por Baruch Espinosa. Em especial, a conquista da liberdade de pensamento - ainda que hoje volte novamente a ser parcial - e de muitos benefícios devemos ao trabalho de Baruch Espinosa.

 

Fontes:

www.antroposmoderno.com/antro-articulo.php

www.consciencia.org/spinoza.shtml



publicado por Sou às 19:21
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

 

 

 

 


 

 


 




publicado por Sou às 23:03
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

 

 



publicado por Sou às 22:15
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

 

 



publicado por Sou às 22:00
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

 

[...]E Bacon tencionava criar uma nova ciência, capaz de restaurar o saber. Como filósofo procurou exaltar a ciência como benéfica ao homem. Nas suas investigações ocupou-se especialmente da metodologia científica e do empirismo, sendo por isso considerado como fundador da ciência moderna. Francis Bacon elaborou uma classificação das ciências da seguinte forma:

As Ciências dividem-se em três grupos:
1)a poesia ou ciência da imaginação;
2)História ou ciência da memória;
3)Filosofia ou ciência da razão.

A História é subdividida em:
2.1)Natural e
2.2.)Civil

A Filosofia é subdividida em:
3.1)Filosofia da Natureza e
3.2)Antropologia.

Francis Bacon também foi um dos mais conhecidos e influentes rosa cruzes e um alquimista, tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosa cruz, o de Imperator. Estudiosos apontam Bacon como o verdadeiro autor dos famosos manifestos rosa cruzes, Fama Fraternitatis (1614), Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (1616).

Francis Bacon esteve envolvido com investigações naturais até o fim de sua vida, tentando realizar na prática seu método. No inverno de 1626 estava envolvido com experiências sobre conservação através do frio. Desejava saber por quanto tempo o frio poderia preservar a carne. A idade havia debilitado a saúde do filósofo e ele acabou não resistindo ao rigoroso inverno daquele ano. Morreu em 9 de Abril, vítima de uma bronquite. No ano seguinte foi publicada a Nova Atlantis (Nova Atlântida), na qual Bacon descreve a cidade ideal dos sábios.

Efectivamente, Bacon não realizou nenhum grande progresso nas ciências naturais. Mas foi ele quem primeiro esboçou uma metodologia racional para a actividade científica. Sua teoria dos idola antecipa, pelo menos potencialmente, a moderna sociologia do conhecimento. Foi um pioneiro no campo científico e um marco entre o homem da Idade Média e o homem Moderno. Ademais, Bacon foi um escritor notável. Seus Ensaios são os primeiros modelos da prosa inglesa moderna.

A TEORIA DOS "IDOLOS".

O conhecimento científico, para Bacon, tem por finalidade servir o homem e dar-lhe poder sobre a natureza. A ciência antiga, de origem aristotélica, que se assemelha a um puro passatempo mental, é por ele criticada. A ciência deve restabelecer o império do homem sobre as coisas.
No que se refere ao Novum Organum, Bacon preocupou-se inicialmente com a análise de falsas noções (ídolos) que se revelam responsáveis pelos erros cometidos pela ciência ou pelos homens que dizem fazer ciência. É um dos aspectos mais fascinantes e de interesse permanente na filosofia de Bacon. Esses ídolos foram classificados em quatro grupos:
A verdadeira filosofia não é, exclusivamente, a ciência das coisas divinas e humanas, não é a simples busca da verdade. É também algo de prático. Para se alcançar uma mentalidade científica, é necessário expurgar a mente de uma série de preconceitos ou ?ídolos?, de que enumera quatro classes:

1) ÍDOLOS DA TRIBO, ou os inerentes à natureza humana, que se referem em particular ao hábito de esperar mais ordem nos fenómenos do que a que realmente pode ser encontrada; Ocorrem por conta das deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis, omitindo os desfavoráveis. São assim chamados porque são inerentes à natureza humana, à própria tribo ou raça humana. Astrologia, alquimia e cabala são exemplos dessas generalizações;

2) ÍDOLOS DA CAVERNA, ou os preconceitos pessoais do próprio investigador; Resultam da própria educação e da pressão dos costumes. Há, obviamente, uma alusão à alegoria da caverna platónica;

3) ÍDOLOS DA VIDA PÚBLICA, ou os que se relacionam à tirania das palavras e à influência dos hábitos verbais sobre a liberdade do espírito; Estes estão vinculados à linguagem e decorrem do mau uso que dela fazemos;

4) ÍDOLOS DO TEATRO, ou os que dizem respeito ao pensamento tradicional e se referem sobretudo ao sistema aristotélico e à filosofia medieval. Decorrem da restrita subordinação à autoridade (por exemplo, a de Aristóteles). Os sistemas filosóficos careciam de demonstração, eram pura invenção como as peças de teatro.

O MÉTODO

O objectivo do método baconiano é constituir uma nova maneira de estudar os fenómenos naturais. Para Bacon, a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogístico aristotélico mas sim da observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo. O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenómenos que, se devidamente observados, apresentam a causa real dos fenómenos.

Para isso, no entanto, deve-se descrever de modo pormenorizado os fatos observados para, em seguida, confrontá-los com três tábuas que disciplinarão o método indutivo: a tábua da presença (responsável pelo registo de presenças das formas que se investigam), a tábua de ausência (responsável pelo controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes) e a tábua da comparação (responsável pelo registo das variações que as referidas formas manifestam). Com isso, seria possível eliminar causas que não se relacionam com o efeito ou com o fenómeno analisado e, pelo registo da presença e variações seria possível chegar à verdadeira causa de um fenómeno. Estas tábuas não apenas dão suporte ao método indutivo mas fazem uma distinção entre a experiência vaga (noções recolhidas ao acaso) e a experiência escriturada (observação metódica e passível de verificações empíricas). Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos, é com Bacon que ela ganha amplitude e eficácia.

O método, no entanto, possui pelo menos duas falhas importantes. Em primeiro lugar, Bacon não dá muito valor à hipótese. De acordo com seu método, a simples disposição ordenada dos dados nas três tábuas acabaria por levar à hipótese correta. Isso, contudo, raramente ocorre. Em segundo lugar, Bacon não imaginou a importância da dedução matemática para o avanço das ciências. A origem para isso, talvez, foi o fato de ter estudado em Cambridge, reduto platónico que costumava ligar a matemática ao uso que dela fizera Platão.

O método de Bacon visa a apresentar uma nova maneira de estudar os fenómenos. A descoberta de fatos verdadeiros não depende de esforços puramente mentais, mas sim da observação, da experimentação guiada pelo raciocínio indutivo.

Pela concordância e concomitante variação dos fenómenos observados, pode-se chegar ao conhecimento da verdadeira causa que os determina. O filósofo aconselha para isso que, descritos os fatos, sejam colocados numa tábua os exemplos de ocorrência do fenómeno e, em outra, os de sua ausência. Por esse processo eliminam-se as várias causas que não se relacionam ao efeito ou fenómeno estudado. Numa terceira tábua regista-se a variação de sua intensidade. Seriam assim eliminadas as causas não pertinentes e se chegaria, pelo registo da presença e das variações, à verdadeira causa.

 

www.filosofia.com.br/bio_popup.php



publicado por Sou às 21:00
Domingo, 17 de Janeiro de 2010

 

 

Sistema heliocêntrico

Aristarco de Samos (século III a.C.) foi o primeiro a  especular e ensinar o sistema heliocêntrico. De acordo com Aristarco, o Sol está imóvel no centro do universo, e à sua volta os planetas descrevem órbitas circulares; as estrelas fixas encontram-se numa esfera cristalina. Avaliou que as distâncias entre as estrelas eram extraordinariamente superiores à distância entre Sol e Terra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Casella di testo: Imagem de As distâncias e os tamanhos do Sol e da Lua, de Aristarco(cópia grega do séc. X, Biblioteca Vaticana).

 

 

 

Não havia provas convincentes de que a realidade estivesse de acordo com esta teoria, mas ela justificava plenamente a regularidade do movimento dos planetas. Por outro lado, havia argumentos de peso contra ela, baseados nos conhecimentos e no “bom senso” da época, proveniente da observação de fenómenos naturais. O argumento de maior importância que se punha e era dificil de refutar é o seguinte:

Se a Terra gira em torno do Sol, é necessário que também gire em torno de si, para produzir o dia e a noite. Se ela gira em torno de si, deve haver um movimento relativo terra-ar e, portanto, para quem está parado na superfície da Terra, um vento com a mesma velocidade. Se estou andando a cavalo, pensavam, quanto mais rápido andar o cavalo, mais veloz o vento que sentirei, devido ao movimento relativo cavalo-ar. Se estou parado, não sobre o cavalo, mas sim na superfície da Terra, e ela está “correndo” em sua rotação, deverei sentir um vento correspondente. E qual a velocidade deste vento? Os gregos já tinham feito o cálculo. Mais precisamente, Eratóstenes, medindo a diferença de latitude entre Siena e Alexandria, e medindo a distância entre estas duas cidades, determinou a circunferência da Terra, no Equador. Foi concluído que, se a Terra girasse sobre si mesma, a velocidade no Equador seria de cerca de 1.440 km/h. E esta seria a velocidade do vento causado pela rotação da terra, velocidade essa suficiente para destruir florestas, veículos, construções, etc. Na realidade, a velocidade é ainda maior: 1.670 km/h. Este vento não existe. Logo: a Terra não pode ter o movimento de rotação requerido pelo sistema heliocêntrico para formar dias e noites.

 

Outro argumento contra o sistema heliocêntrico : Se uma pedra for atirada verticalmente para cima, enquanto ela sobe e desce, a Terra  desloca-se e a pedra chocar-se-á com o terreno num ponto afastado do ponto de lançamento. Se, após o seu lançamento, a pedra levar dez segundos para chocar-se com o terreno, no Equador ela estaria a quatro quilômetros a oeste de seu ponto de lançamento! 

 

 

Ilustração representando o sistema heliocêntrico

(extraída de Harmonia Macrocosmica, de Andreas Cellarius, 1660-1).

 

 

 

 

 

 

Por ser complicado refutar estes argumentos a  teoria heliocêntrica foi abandonada, voltando a ser apresentada muitos séculos depois por Nicolau Copérnico, nascido em Torun, Polônia, em 1473, e falecido em 1543.

Copérnico estudou astronomia e matemática na Universidade de Cracóvia e, por três anos, Direito Canônico em Bolonha, Itália. Também freqüentou as Universidades de Roma, Pádua e Ferrara. Em 1501 aceitou o posto de cónego da Catedral de Frauenburg, cidade onde fez suas observações astronómicas.

Reintroduziu o sistema heliocêntrico de Aristarco, com modificações, em dois trabalhos:

– em 1530: “Comentários sobre as Hipóteses da Constituição do Movimento Celeste”;

– em 1543: “Sobre a Revolução dos Corpos Celestes”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

Acima, um retrato de Copérnico pintado na sua cidade natal, Torun, no início do século XVI. Ao lado, ilustração do sistema heliocêntrico feita pelo astrônomo polonês no seu livro De revolutionibus orbium coelestium (“Sobre as revoluções das esferas celestes”), publicado em 1543.

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este último trabalho foi dedicado ao Papa Paulo III, que o aceitou. O sistema proposto por Copérnico foi usado pela Igreja para reformar o calendário litúrgico, permitindo prever a data da Páscoa e, a partir dela, as demais datas do ano litúrgico. O sistema geocêntrico de Ptolomeu havia levado a erros cumulativos importantes. Os cálculos para definir as datas litúrgicas foram enormemente simplificados com o sistema heliocêntrico. Estes cálculos foram feitos pelo jesuíta e matemático Cristóvão Clavius.

Segundo Copérnico, o Sol ocupa o centro do sistema planetário. Em torno dele os planetas giram em órbitas circulares, na seguinte ordem: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno.

c) Sistema misto

Proposto por Tycho Brahe (1571-1630), astrónomo dinamarquês. Tornou-se conhecido e admirado pelas medidas precisas que realizou, com instrumentos adequados, construídos por ele mesmo com muita perfeição. O seu sistema é considerado por alguns autores como um sistema “conciliatório”. No centro do universo, a Terra, imóvel. À sua volta giram a Lua e o Sol. Os demais planetas giram em torno do Sol, acompanhando-o em seu movimento em torno da Terra. À distância, a esfera das estrelas.

 

 

 

2.3. Os Eclesiásticos e a Astronomia

Embora a maioria dos eclesiásticos estivesse de acordo com a teoria geocêntrica, havia Cardeais e outros eclesiásticos adeptos do sistema de Copérnico ou defensores de Galileu. Citamos uns poucos4:

– O beneditino Benedetto Castelli diz, referindo-se ao sistema geocêntrico, defendido por Aristóteles, disse: “Aristóteles errou nessa, como em muitas outras coisas”.

– O Cardeal Maffeo Barberini (mais tarde Urbano VIII) opôs-se a que Galileu fosse declarado herético, bem como o Cardeal Luigi Caetani.

– O mesmo Barberini, já eleito papa, declarou ao Cardeal Zoller que a Igreja não tinha condenado, nem estava por condenar, a teoria heliocêntrica como herética, mas apenas como temerária.

– Niccolò Riccardi, Mestre do Sacro Palácio, estava convencido de que o heliocentrismo não era matéria de fé e de que, de forma alguma, convinha comprometer nele as Escrituras.

– Em 1632, na iminência do segundo processo, a Galileu Castelli professou sua fé copernicana a Vincenzo Maculano, Comissário do Santo Ofício:  Relembramos que o sistema heliocêntrico foi usado para a reforma do calendário litúrgico.

 

2.4. A Interpretação da Bíblia

Desde os  Padres dos primeiros séculos do Cristianismo, já eram conhecidos outros sentidos, além do estritamente literal, ao ser interpretada a Bíblia. Henri de Lubac destaca que na exegese medieval se procedia à leitura da Sagrada Escritura segundo os quatro sentidos: literal, histórico, alegórico e moral.

Entretanto, no tempo de Galileu a interpretação da Bíblia era feita de modo mais rígido e, em geral, atendo-se exageradamente ao sentido literal do texto. Como causa principal desse modo de proceder, esteve o protestantismo, que, desde o manifesto de Lutero, em 1517, vinha promulgando a livre interpretação da Bíblia. Para evitar os descréditos que estavam sendo causados à igreja católica romana,  a Igreja passou a  fixar -se mais no sentido literal das palavras da Bíblia, enquanto não houvesse motivos fortes que desaconselhassem tal proceder. Cada época possui paradigmas que limitam o campo de visão de toda uma comunidade. De modo que estes acontecimentos têm que ser analisados no contexto do seu tempo, hoje isso parece-nos aterrador, julgamos de modo fácil sem nos atermos aos costumes de então, no entanto, há apenas  quatrocentos anos, a cultura, os costumes, as leis eram muito diferentes.

 

 Vejamos então como era a mentalidade religiosa nos séculos XVI/XVII  e como em grupos que se tinham separado da igreja romana por estarem em desacordo com os dogmas e a sua postura analisavam o heliocentrismo, como se manifestaram alguns  dos autores protestantes diante do novo sistema:

“Lutero  julgava que as idéias de Copérnico eram idéias de louco, que tornavam confusa a astronomia.

“Melancton, companheiro de Lutero, declarava que tal sistema era fantasmagoria e significava a rebordosa das ciências.

“Kepler (1571-1630), astrónomo protestante contemporâneo de Galileu, teve que deixar sua terra, o Wurttemberg, por causa de suas idéias copernicanas.

“Em 1659, o Superintendente Geral de Wittemberg, Calovius, proclamava altamente que a razão se deve calar quando a Escritura falou; verificava com prazer que os teólogos protestantes, até o último, rejeitavam a teoria de que a Terra se move.

“Em 1662, a Faculdade de Teologia protestante da Universidade de Estrasburgo afirmou estar o sistema de Copérnico em contradição com a Sagrada Escritura.

“Em 1679, a Faculdade de Teologia protestante de Upsala (Suécia) condenou Nils Celsius por ter defendido o sistema de Copérnico.

“Ainda no século XVIII, a oposição luterana contra o sistema de Copérnico era forte: em 1774 o pastor Kohlreiff, de Ratzeburg, pregava energicamente que «a teoria do heliocentrismo era abominável invenção do diabo»”8.

 

 OS PROCESSOS

3.1. O primeiro Processo (1616)

Galileu soube de um aparelho inventado pelo holandês Hans Lippershey que permitia ver objetos afastados com nitidez (telescópio). A partir dessas informações construiu um telescópio com melhores características e com ele fez muitas descobertas, tais como:

– as manchas do Sol (que não é, pois, o corpo perfeito descrito por Aristóteles);

– as crateras da Lua (que, portanto, não é a esfera lisa, perfeita, admitida por Aristóteles);

– a Via Láctea é constituída por um grande número de estrelas;

– Júpiter possui Luas (Galileu descobriu quatro), o que demonstrava que a Terra não era o centro de tudo;

– Vênus tem fases como a Lua; pelo que, muito provavelmente, deveria girar em torno do Sol.

Estas descobertas foram publicadas em 1610 e trouxeram uma grande popularidade a Galileu. Entre os que o cumprimentaram e admiravam seu trabalho, estavam Kepler e Clavius.

Por outro lado, os aristotélicos reagiram violentamente, inclusive duvidando da competência de Galileu como pesquisador: manchas solares e relevo da Lua dever-se-iam a sujeira nas Lentes do telescópio; outras descobertas não passariam de ilusões de óptica.

Em 1611, Galileu esteve em Roma e foi muito homenageado por cientistas e nobres. Foi recebido como membro da Accademia dei Lincei, a mais antiga academia científica da Itália. Os jesuítas (muitos dos quais eram professores e astrónomos) dedicaram-lhe uma festa académica no Colégio Romano, com a presença de condes, duques, muitos prelados e alguns Cardeais. O próprio Papa Paulo V concedeu-lhe audiência.

Os problemas começaram com a publicação do livro Trattato contro il moto della Terra (“Tratado contra o movimento da Terra”), do físico e teólogo Ludovico delle Colombe, neste mesmo ano (1611). Ludovico elogiava Galileu, mas citava trechos da Bíblia e argumentos dos  Padres para demonstrar a tese geocêntrica. Eis algumas das citações: Fundaste a terra em bases sólidas, que são eternamente inabaláveis (Sal 103,5); Uma geração passa, outra vem; mas a Terra sempre subsiste. O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a voltar ao seu lugar (Ecl 1, 4-5).

O problema é que Galileu, em vez de responder com argumentos físicos, usou argumentos bíblicos, citando outro trecho que parece defender a tese contrária: Diante dele estremece a terra inteira (Sal 95,9). (...) Galileu foi processado duas vezes pelo santo ofício pela sua firme defesa do copernicanismo e da última vez, em 1633 foi condenado e persuadido, ou coagido  a abjurar para que a sua vida fosse poupada. Com a pena de  prisão domiciliária, inicialmente esteve acompanhado, mas mais tarde vai para a sua casa onde estava impedido de escrever e de falar com  alguém sem autorização prévia. Mas a um cientista não pode ser pedido que ele deixe de pensar, e continuou a escrever, até não poder mais.


fontes:

www.clerus.org/clerus/dati/2009-01/02-13/O_CASO_GALILEU_I.html



publicado por Sou às 21:04
Sábado, 16 de Janeiro de 2010

 


 



publicado por Sou às 21:27
Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

 

"(...)Com os recursos e percepções do engenho humano" Pode-se construir meios para navegar sem remadores, de modo que naves imensas (...), com um só timoneiro, andem a maior velocidade do que fossem movidas por uma multidão de remadores. Pode-se construir carros que andem sem cavalos(...) é possível também construir máquinas para voar, ( e um instrumento de pequenas dimensões, mas em condições de erguer e abaixar pesos de grandeza infinita (...)"

 

Roger Bacon

 

 

 

 

Roger Bacon nasceu aproximadamente em 1214  e estudou geometria, aritmética, música, e astronomia em Oxford e Montpelier e foi professor de Filosofia na Universidade de Paris entre 1241 e 1247.

Foi discipulo de Robert Grosseteste, mestre Regente e chanceler da Universidade de Oxford e bispo de Lincoln em 1235. Desenvolveu com este diversos estudos no campo da óptica, em Oxford, entre 1247 e 1257. Roger Bacon trabalhou na correcção do Calendário Juliano, fez estudos com nitrato de potássio e após várias experiências descobriu a combinação perfeita da pólvora. Descreveu o olho como uma máquina onde se formam imagens, aperfeiçoou instrumentos de óptica, e, após ter compreendido as causas responsáveis pela refracção da luz, foi o primeiro a sugerir que as lentes poderiam ser usadas como óculos.

Bacon foi pioneiro na estruturação do método experimental, como forma de validação da experiência. Propôs novas metodologias de investigação científica e colocou em causa os métodos de ensino praticados pelos Franciscanos e pelos Dominicanos, e sobretudo  focou que as traduções de Aristóteles e inclusivamente da Bíblia acusavam erros de sentido motivados por desconhecimento idiomas que não eram totalmente dominados pelos tradutores, era preciso saber a fundo as línguas, para poder traduzir com veracidade e dominar a linguagem, para poder traduzir todas as subtilezas próprias de qualquer idioma. Isto tornou-o malquisto  perante as autoridades eclesiásticas de então. 

 



publicado por Sou às 21:14
Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

 

 

 

"É tolice dizer que as criaturas são totalmente más, porque em algum aspecto são nocivas. Podem elas ser nocivas para uns, mas úteis para outros"

Tomás de Aquino

 

 

 

 

Tomás de Aquino foi oriundo de uma família da pequena nobreza que pretendia beneficiar-se das vantagens de ter um filho abade, aos cinco anos foi oferecido como oblato — leigo a serviço de ordem monástica — à abadia de Monte Cassino. Em 1239 foi obrigado a voltar ao convívio da família, quando os monges foram expulsos pelo imperador. Enviado à Universidade de Nápoles, em 1244 ingressou na ordem mendicante dos dominicanos, criada cerca de trinta anos antes, que criticava a vida monástica tradicional em favor de uma prática de pregação e ensino.
Para subtraí-lo à influência da família, que desaprovava seu ingresso na ordem, e ao mesmo tempo possibilitar que continuasse os estudos universitários, seus superiores enviaram-no a Paris. Seqüestrado durante a viagem por seus irmãos, Tomás de Aquino foi encerrado por um ano no castelo de Roccasecca. Tendo resistido a todas as pressões para que abandonasse seus propósitos, foi finalmente libertado e rumou para Paris em 1245.
Na capital francesa, a ciência árabe-aristotélica, totalmente nova para o homem ocidental, chocava os cristãos e provocava forte reação das autoridades da igreja, que adotavam medidas de censura e proibição. Alberto Magno, de quem Tomás de Aquino tornou-se discípulo, estava entre os que não temiam a nova filosofia. Consagrava-se à interpretação dos textos de Aristóteles e à incorporação de suas idéias à doutrina da igreja. Em 1248, ambos seguiram para Colônia e, em 1252, Tomás de Aquino retornou a Paris, onde se formou em teologia. A partir de 1256, tornou-se mestre na matéria, que passou a lecionar numa das escolas dominicanas incorporadas à Universidade de Paris. Nomeado mestre da cúria pontifical, entre 1259 e 1268 lecionou em Anagni, Ovieto, Roma e Viterbo.

Mais uma vez de volta a Paris, Tomás de Aquino opôs-se simultaneamente, em notável polêmica, aos averroístas, que afirmavam que a verdade da fé pode entrar em contradição com a verdade racional e propunham uma teoria dualista; e aos agostinianos, detratores do pensamento aristotélico em favor do dogma cristão. A condenação do averroísmo radical, em 1270, e o subseqüente descrédito face ao pensamento aristotélico prejudicaram o prestígio de Tomás de Aquino.
Em 1272, o filósofo seguiu para Nápoles, onde fundou um núcleo dominicano de estudos na universidade. Ali, as divergências com os agostinianos acentuaram-se. A idéia tomista segundo a qual o homem situa-se na fronteira entre dois universos, o material e o espiritual, era para os agostinianos fruto de uma valorização excessiva da natureza e da matéria, em detrimento da transcendência e superioridade da alma imortal sobre o plano físico.

 

http://www.beatrix.pro.br/index.php/santo-tomas-de-aquino/

 



publicado por Sou às 20:34
Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

 

 

  • "Se dois amigos pedirem para  julgarem uma disputa, não aceites, porque irás perder um amigo; por outro lado, se dois estranhos pedirem o mesmo, aceita, porque irás ganhar um amigo."
  • "Milagres não são contrários à natureza, mas apenas contrários ao que nós sabemos sobre a natureza."
  • "Certamente estamos numa categoria comum com as bestas; toda a acção da vida animal diz respeito a buscar o prazer e evitar a dor."
  • "Se acreditas no que te agrada nos evangelhos e rejeitas o que não gostas, não é nos evangelhos que tu crês, mas em ti."
  • "Ter fé é acreditar naquilo que  não vemos; a recompensa por essa fé é ver aquilo em que tu acreditas."
  • "Cantar é próprio de quem ama."
  • "Aquele que tem caridade no coração tem sempre qualquer coisa para dar."
  • "Dá-me aquilo que ordenas, ordena-me aquilo que queres."
  • "A confissão ( auto consciência) das más acções é o primeiro passo para a prática das boas acções."
  • "A medida do amor é não ter medida."
  • "Em toda parte, uma grande alegria é precedida por um grande sofrimento."
  • "Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é sadio."
  • "A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação ensina-nos a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las".
  • "Dai-me a castidade; mas não ainda." (frase dita por Santo Agostinho quando ele entendeu que tinha que se converter mas ainda não tinha coragem).
  • "Existe um outro tipo de tentação, mais perigosa ainda. Essa é a doença da curiosidade (...) É ela que nos leva a tentar descobrir os segredos da natureza, aqueles segredos que estão além da nossa compreensão, que não nos podem trazer nada e que os homens não devem desejar aprender (...) Nessa imensa selva, cheia de armadilhas e perigos, tenho me afastado, e  mantido longe desses espinhos. No meio de todas essas coisas que flutuam incessantemente à minha volta no dia a dia, nada jamais me surpreende, e eu nunca sou tomado por um desejo genuíno de estudá-las (...) Eu não sonho mais com as estrelas".
  • "No amor do próximo o pobre é rico; sem amor do próximo o rico é pobre."
  • "Aquele que vive como verdadeiro justo, e irrepreensivelmente, deixará filhos felizes e venturosos."
  • "O dom da fala não  foi concedido aos homens  para que eles se enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem os seus pensamentos uns aos outros."
  • "Quando quer não pode, quando pode não quis. E assim, por um mal querer, perdeu um bom poder."
  • "Ama, e faz o que quiseres."
  • "Si isti et istae, cur non ego?"
    • "Se estes e estas podem, porque não eu?"
  • "Todas as doenças dos cristãos podem ser atribuídas aos demónios. Eles atormentam principalmente os batizados há pouco, até mesmo recém-nascidos sem culpa."
  • "O bom cristão deve permanecer alerta contra os matemáticos e todos aqueles que fazem profecias vazias. Existe o perigo de que os matemáticos tenham feito uma aliança com o demónio para obscurecer o espírito e confinar o homem às amarras do Inferno."
  • "É impossível que haja habitantes do outro lado da Terra, já que nada é dito a esse respeito nas Escrituras sobre os descendentes de Adão."
  • "Quem enuncia um fato que lhe parece digno de crença ou acerca do qual forma opinião de que é verdadeiro, não mente, mesmo que o fato seja falso".
  • "Não há mentira, apesar do que se diz, sem intenção, desejo ou vontade de enganar".
  • "O mundo é um livro, e quem fica sentado em casa lê somente uma página".
  • "Sem a Matemática não nos seria possível compreender muitas passagens das Santas Escrituras".
  • "Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me adulam, porque me corrompem".
  • "Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro de mim e eu estava fora, e aí te procurava... Estavas comigo e eu não estava contigo... Mas Tu me chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste e curaste a minha cegueira".
  • "Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos."
  • "Se o homem soubesse as vantagens de ser bom, seria homem de bem por egoísmo".
  • "No íntimo do homem existe Deus."
  • "Foi o orgulho que transformou anjos em demónios, mas é a humildade que faz de homens anjos."




publicado por Sou às 19:09
Domingo, 10 de Janeiro de 2010

 

 



publicado por Sou às 22:49
Domingo, 10 de Janeiro de 2010

 

 



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