Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

 

 



publicado por Sou às 20:16

 

 

 

 

Espinosa bem sabia que nem todo mundo pode fazer filosofia. (...) Fazer filosofia tem uma causa; não fazer, também. Uma das causas da não-filosofia é que a regra, numa sociedade, é antes a superstição, a servidão e a obediência, em vez do conhecimento, da liberdade e da compreensão

 (André Scala)

 

Baruch Spinoza

nasceu em Amsterdão na Holanda pertencia a uma  família tradicional judia, de origem portuguesa. A sua família emigrou para a Holanda porque os judeus estavam a ser  perseguidos. O seu pai era um comerciante bem sucedido e abastado. Espinoza gostava de estudar e ficava na sinagoga. Era um dos melhores alunos. Aprendeu a Bíblia Sagrada e o Talmud. Então foi para uma escola particular, onde conheceu o latim. Pôde então ter um estudo mais abrangente. Interessou-se  muito pela filosofia moderna, de Bacon, Hobbes e Descartes. Foi acusado de heresia, por se mostrar irredutível em suas opiniões, fazendo uma análise histórica da Biblía, colocou-a  como sendo  fruto de seu tempo. Criticou os dogmas rígidos e os rituais sem sentido que confundiam os crentes, e eram isentos de poder, assim  como o luxo e a ostentação da Igreja. Foi então excomungado, em 1656 e amaldiçoado em ritual, foi afastado pelos judeus que deixaram de falar com ele e deserdado pela família. Depois disso, viajou pela Holanda e apesar dos judeus o terem condenado ao isolamento, Espinoza  fala com com os cristãos, embora nunca tenha se convertido em cristão, não acreditava na divindade de Cristo, mas  colocou-o como o primeiro entre os homens.



A saúde de Spinoza era  frágil  e viveu uma vida modesta, frugal e segundo se consta os seus  luxos eram os livros,  sustentava-se  com algumas doações e com o dinheiro de polidor e cortador de lentes ópticas.

 

Espinosa afirma o fato, já dito por Buda e Cristo antes dele, que tudo na vida humana é passivo de tranformação e/ou pleno desgaste, e que todas as coisas que ocorrem ao homem são "bens" ou "males" à medida que este se deixa impressionar ou estimular por elas. Na verdade, coisas e acontecimento são "interpretados" pela alma humana, de acordo com seus valores e desejos. Então, só diante de uma nova maneira de viver, onde se compreendesse esta realidade, poderia ajudur o homem a se livrar de uma tremenda carga de desejos - não de todos, é claro, mas do excesso dos supérfluos - que o prendem à matéria e passar a  utilizar-se dela não como um fim, mas como um meio de se atingir objetivos mais elevados, humanistas e universais. Vejamos alguns pontos:



I) O desfrute do prazer só é benéfico na medida em que não prende a atenção e o espírito humanos em si. Porque se isso ocorre, o espírito fica de tal modo preso ao prazer que não se ocupada mais de outras coisas. Assim, após o desfrute ansioso, ocorre frequentmente que o homem que faz do prazer um fim pleno em si acaba, diante da fugacidade destes, frequentemente menos valiosos que os esforços e prováveis amarguras empregados para conseguí-los, por cair numa grande tristeza e vazio, se perguntado: e depois? É só isso? E se tornar perturbado pelo seu vício que, em exagero, se mostra superficial.



II) Riquezas e honras só nos são realmente úteis se forem vistas como meios e intrumentos para se atingir uma maior e mais compartilhada felicidade. Do contrário, elas absorvem o espírito e o enclausula num círculo vicioso: o ter riquezas e honras como um fim traz o desejo de se ter mais e mais riquezas e honras, impedido mesmo o usufruto do que já foi conquistado.



Para Espinosa, assim como os para os Taoístas (cuja filosofia Espinosa não conheceu), em especial Lao - Tsé, o bem viver, a forma correta de viver em harmonia e em equilíbrio, nos leva a viver de acordo com a harmonia maior da natureza, que, enfim, é a própria expressão visível de Deus. Deus não é entendido por Espinosa como um Ser à parte e/ou externo ao mundo, que o governa como um engenheiro ou habilidoso artesão, mas como a Divindade da Ordem Eterna da Natureza, muito superior ao entendimento fragmentado e antropomorfista humano. É, enfim, o Grande Uno que se expressa nos Muitos a que se faz a partir de Si mesmo. Uma visão estranha ao modo ocidental, mas bem de acordo com as mais sofisticadas concepções orientais do Divino. Para Espinosa, o mundo visível que nos cerca nada mais é que a expressão explicada (no sentido de ser exposta) em miríades de formas eternamente mutáveis de uma única causa intrínseca ou implicada - usando os termos da moderna teoria de Odem Implicada do físico David Bohm -, única real substância universal e absoluta, que está além dos modos convencionais de compreensibilidade, e que, para Espinosa, é o próprio Deus, pois que fundamento originário que É e que não pode ser remetido a nada além de Si mesmo... Esta Causa Primária é livre por agir por sua própria natureza divina, e é eterna, já que sua essência é sua própria existência. Sendo assim, Deus é necessariamente a única real Causa existente, sendo tudo o mais efeitos Seus, inclusive o homem, que, tendo um pouco da semelhança da Causa Primária, também é, ele mesmo, co-criador, inclusive de seus próprios problemas, por imperfeito ser que é, mas livre igualmente para escolher fazer de sua vida algo com sentido, especialmente o do próprio aperfeiçoamento humano segundo os limites que lhe é dado pela natureza.



Este é um pequeno e imperfeito resumo da mensagem de um dos maiores filósofos de todos os tempos...



A obra de Espinosa foi durante muitos anos mal compreendida, quando não explicitamente atacada - mesmo por aqueles que não a conheciam. Hoje em dia, porém, a grandeza deste homem, em expressa que está em suas obras, está sendo cada vez mais aceita. Muitos dos filósofos do romantismo e da modernidade devem muito aos caminhos abertos por Baruch Espinosa. Em especial, a conquista da liberdade de pensamento - ainda que hoje volte novamente a ser parcial - e de muitos benefícios devemos ao trabalho de Baruch Espinosa.

 

Fontes:

www.antroposmoderno.com/antro-articulo.php

www.consciencia.org/spinoza.shtml



publicado por Sou às 19:21
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