Sábado, 09 de Agosto de 2008

A jovem discípula, acercou-se do mestre, e, corando pediu-lhe que falasse do amor.
O sábio sorriu, e, desculpando-se, perguntou-lhe o que ela considerava como sendo o amor.
A discípula explicou:
- Compreendo o amor, como sendo a ânsia que experimentam as praias, que aguardam os beijos sucessivos das ondas contínuas do mar;
" como a sofreguidão, que tem a raiz de introduzir-se no solo, a fim de sustentar a planta;
"como expectativa da rocha que anela pela carícia do vento, embora se desgaste com isso;
"como o desejo infrene da terra crestada, pela generosidade da chuva;
"como a flauta aguarda pelo sopro que lhe arranca das entranhas a doce melodia;
"como o barro esquecido pede ao oleiro que lhe dê forma e beleza;
"como a semente que necessitava despedaçar-se, para libertar a vida;
“como a lâmpada apagada que exige a energia para brilhar;
" O amor é o  sangue novo para o coração e o vinho bom para aquecer a criatura, quando o frio enregela a vida;
"Assim vejo e sinto o amor.
"E vós como vedes o amor?
- O amor é o doce e compreensivo companheiro da criatura em todos dias da sua vida;
"Se esta é jovem, ei-lo que se apresenta, ardente e apaixonado, como no teu caso, mas que segue adiante.
"O amor é calmo e ameno;
"Não incendeia paixões; dulcifica-as;
"Confundido com o desejo, permanece, quando este passa;
"Nunca se irrita, porque espera;
"Considerado como instinto, persiste, quando descoberto pela razão;
" Jamais perturba, pois que felicita e produz harmonia;
" O amor é a claridade que permanece; é pão que nutre; é vida que se irradia da Vida.
"Mesmo quando não identificado, encontra-se presente, porque sem ele, a vida não existe ou perderia o sentido de ser.”
A jovem discípula empalideceu, e, submissa, à voz do amor. Pediu ao mestre;
- Ensinai-me a amar, eu que agora corro em busca do amor, sem dar-me conta  que, em mim, ele se deve irradiar, abrangente, em todas as direcções.
- Não te apresses, no amor, e descobrirás que já começaste a amar, quando sentires necessidade de doar e doar-te sem desejares receber nada em retribuição.

 



 



publicado por Sou às 22:33
Lindo texto.
"Não te apresses, no amor, e descobrirás que já começaste a amar, quando sentires necessidade de doar e doar-te sem desejares receber nada em retribuição."
Estive com uma amiga que o marido faleceu e conhecedora da história dela fui levar uma palavra de estímulo.
Mas ela me respondeu: Eu fui muito amada por ele, por isso não sinto vontade de conhecer mais ninguém.
Que pena que ela foi amada, mas não amou.
Ser amada não é a mesma coisa que AMAR, pois quando amamos o amor nos preenche, em primeiro lugar, prá só depois podermos doá-lO.
O que vem de fora, jamais pode nos preencher.
Que amemos muito ao invés de esperarmos por sermos amados.
Deus nos ama e isto tem que nos bastar.
Fique com Deus,
Beijos,
SuEli a 9 de Agosto de 2008 às 23:19

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