Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

 

   Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sesentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
Eque pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono dequem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar esofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

 

 

 

 

 

 Victor Hugo .

 

Escritor francês. Neste escritor, figura máxima do romantismo francês, conjugam-se felizmente uma imaginação rica e poderosa, um domínio perfeito do idioma tanto em prosa como em verso e uma fecunda longevidade. Filho de um militar napoleónico, interessa-se pela literatura desde muito jovem. Entre os vinte e os vinte e quatro anos publica vários volumes de poesia e aborda o género romanesco com Hans da Islândia. 

No prefácio do drama Cromwell (1827) expõe uma teoria teatral resolutamente oposta à classicista. Na mesma época instala-se em França a batalha romântica, que é ao mesmo tempo literária e política, dado que os classicistas são liberais e os românticos partidários da monarquia. Em 1830 estreia-se Hernâni, drama anticlássico de ambiente espanhol que dá a vitória à facção romântica e difunde os seus princípios de liberdade formal. Nos anos seguintes Hugo insiste nesta linha teatral (O Rei Diverte-se, Lucrécia Bórgia, Rui Blas).

Ao mesmo tempo que o teatro, cultiva paralelamente a poesia (Orientais, As Folhas de Outono, Os Cânticos do Crepúsculo) e a narrativa. Neste último campo sobressai sobretudo o romance histórico Nossa Senhora de Paris, no qual ressuscita com poderosa imaginação a Paris do século xv; é a obra que mais popularidade lhe dá. Em 1841 é eleito membro da Academia.

Ao chegar ao poder Napoleão III, em 1848, Victor Hugo exila-se e permanece fora de França até à queda do Império, em 1870. Durante estes vinte e dois anos escreve as suas obras-primas. Em 1859 publica a primeira série de A Lenda dos Séculos, em que aborda a poesia épica. Trata-se de um vasto fresco em que descreve toda a história da humanidade; é uma obra titânica e deslumbrante, repleta de imensidade e de caos. Seguem-se três obras importantes no campo do romance: Os Miseráveis, narração de carácter social em que o misticismo, a fantasia e a denúncia das injustiças formam uma trama complexa, Os Trabalhadores do Mar, evocação da trágica luta do homem e do oceano, e O Homem Que Ri, situado na dimensão do horror.

Em 1870, com sessenta e oito anos, inicia um período sumamente produtivo que dura quinze anos. Cabe destacar nele o romance Noventa e Três e a segunda e terceira parte de A Legenda dos Séculos. Após a sua morte, com oitenta e três anos, publica-se toda uma série de obras póstumas. As grandiosas exéquias públicas de Victor Hugo são uma homenagem das gentes do seu século, as quais representa literariamente nas suas contradições, nas suas paixões, nos seus defeitos e na sua grandeza.

 

http://www.vidaslusofonas.pt/victor_hugo.htm



publicado por Sou às 23:58
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