Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

 

1. A maior parte dos homens é desonesta.

2. Vê-te num espelho.

3. Se achares que és belo, procede honestamente; se achares que és feio, corrige as imperfeições.

4. Sê cuidadoso na realização de um projecto e, uma vez iniciado, prossegue sem desfalecimento.

5. Evita a precipitação, a loquacidade e os erros.

6. Não sejas, nem mau, nem tolo.

7. Sê prudente.

8. Quanto aos deuses, limita as tuas afirmações a dizer que são deuses.

9. Reflecte nos teus actos.

10. Aprende a saber ouvir.

11. Fala sempre com propósito.

12. Se fores pobre, não julgues os ricos, a menos que tires daí algum benefício.

13. Persuade pelo bem e nunca pela força.

14. Credita as tuas boas acções à graça dos deuses.

15. Adolescente, sê activo; velho, sê sábio.

16. A memória ao trabalho, a nobreza ao carácter, a temperança à força, a piedade à crença.

17. Corrige a riqueza com amizade, sê leal nas palavras, sensato no silêncio, complacente no juízo, corajoso e viril nas acções, enérgico nos actos, glorioso no poder, autoritário e nobre na maneira de proceder.

 

forumpatria.com/filosofia-ciencias-sociais-e-psicologia/os-sete-sabios-da-antiguidade-classica/



publicado por Sou às 22:03

 

Os Sete Sábios da Grécia

 

A lenda relaciona entre si sete nomes de figuras antigas, grupo de filósofos e estadistas gregos, dos séculos VII-VI a. C., que granjearam grande prestígio e se distinguiram pela sua sabedoria. O nome dos sábios varia, conforme a fonte que os nomeia. Mas o texto mais antigo que refere os Sete Sábios da Grécia é o Protágoras (342e-343b), de Platão, que diz que o grupo é constituído por: Tales de Mileto, Pítaco de Mitelene, Bias de Priene, Sólon de Atenas, Cleobulo de Lindos, Míson de Queneia (noutros textos aparece Periandro de Corinto) e Quílon de Lacedemónia.

Atribuem-se - lhes breves sentenças morais (ou máximas), algumas das quais se tornaram famosas. As frases são todas, como se observará, de natureza prática e moral. E demonstram que a reflexão filosófica, na Grécia, situava-se no campo da sagueza da vida, e não  na pura contemplação, como mais tarde virá a acontecer.

 

 

www.eurosophia.com/filosofia/filosofia/filosofia/sete_sabio_grecia.htm



publicado por Sou às 21:54

SÓLON DE ATENAS


1. Evita o exagero.

2. Evita a crítica para não seres julgado pelo criticado.

3. Evita o prazer, se ele for causa de remorso.

4. Procura ser honesto, porque a honestidade é melhor do que uma palavra honrada.

5. Mede as tuas palavras pelo silêncio e o silêncio pelas circunstâncias.

6. Evita a mentira, confessando a verdade.

7. Esforça-te pela honestidade.

8. Não queiras falar mais sabiamente do que teus maiores.

9. Não tenhas pressa em arranjar amigos e, quando os tiveres, nunca lhes peças provas de amizade.

10. Quando souberes obedecer, saberás chefiar.

11. Se exiges a honestidade dos outros, começa por ser honesto.

12. Aconselha o que for justo, não o que aches agradável.

13. Não sejas insolente.

14. Foge dos maliciosos.

15. Ora aos deuses.

16. Respeita os amigos.

17. Honra pai e mãe.

18. Guia-te pela razão.

19. Nunca digas tudo o que sabes.

20. Ainda que saibas, silencia.

21. Sê dócil para com os familiares.

22. Conjectura o invisível pelo visível.

 

forumpatria.com/filosofia-ciencias-sociais-e-psicologia/os-sete-sabios-da-antiguidade-classica/
 



publicado por Sou às 21:33
Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

 

 



publicado por Sou às 22:25
Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

 

 

 

 

 

 



publicado por Sou às 23:42

 

 



publicado por Sou às 21:52
Domingo, 08 de Novembro de 2009

 

 



publicado por Sou às 23:00
Quinta-feira, 05 de Novembro de 2009

 

 



publicado por Sou às 19:07
Domingo, 01 de Novembro de 2009

 

 



publicado por Sou às 20:18
Sábado, 31 de Outubro de 2009

 

 

 

Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence.

"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you."
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said, "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence.



publicado por Sou às 23:20
Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

 

 



publicado por Sou às 10:28
Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

 

 



publicado por Sou às 21:12
Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

 

 



publicado por Sou às 22:38
Quarta-feira, 09 de Setembro de 2009

 

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada

Outra que eu souber será pra ti
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Se outra não vier para a render
Dorme que ainda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer.



publicado por Sou às 09:41
Quarta-feira, 02 de Setembro de 2009

 


LISBON REVISITED (1923)

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ­
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

Ó céu azul ­ o mesmo da minha infância ­,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!

Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!



publicado por Sou às 10:03
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

 




publicado por Sou às 17:00
Domingo, 23 de Agosto de 2009

 



publicado por Sou às 21:01
Sábado, 22 de Agosto de 2009

           

 



publicado por Sou às 22:25
Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

 

 

 



publicado por Sou às 00:07
Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

                                                                     

 



publicado por Sou às 23:53




publicado por Sou às 23:19

Filósofo e ex-escravo romano nascido em Hierápolis, localidade da Frígia, na Anatólia, cujos ensinamentos trouxeram grande influência sobre os primeiros pensadores cristãos.

 

1

      De todas as coisas existentes algumas estão sob o nosso poder e outras não. Debaixo do nosso poder estão o pensamento, o impulso, a vontade de adquirir e a vontade de evitar e, numa palavra, tudo que resulta das nossas ações. As coisas que não estão sob o nosso poder incluem o corpo, a propriedade, a reputação, o cargo e, numa palavra, tudo aquilo que não resulta das nossas ações. As coisas sob nosso poder são, por natureza, livres, não encontram obstáculos à sua frente, não são por nada limitadas: as coisas que não estão debaixo do nosso poder são fracas, servis, sujeitas a limitações, dependentes de outros fatores. Lembre-se que, se imagina que aquilo que é naturalmente escravo está livre e aquilo que naturalmente pertence a uma outra pessoa é propriedade sua, então  estará prejudicado,  irá lamentar -se   e ser colocado num um estado de confusão, irá culpar deuses e homens; mas se pensa que somente aquilo que lhe próprio é que lhe pertence e aquilo que é próprio de outrem realmente pertence aquele outrem, ninguém jamais irá colocar imposições ou limitações sobre si. Nunca irá culpar a ninguém, não fará nada contra a sua própria vontade, não terá nenhum inimigo, pois nenhum mal pode alcançá-lo.

Objetivando, portanto, se quiser alcançar  esses altos intuitos,  deve  recordar que adquiri-los exige mais do que um esforço ordinário; terá de abandonar definitivamente certas coisas e outras apenas neste momento.  No entanto se  gostaria de também vir a possuir  cargos e riquezas - pode ser que não venha a alcançar os altos intentos, apenas pelo fato que o seu desejo está fixado  no sucesso e na riqueza e certamente falhará em alcançar aquelas coisas que trazem consigo a liberdade e a felicidade. Faça seu o estudo portanto, de confrontar toda a impressão grosseira com as palavras: "Nada mais és que uma impressão e não representas aquilo que pareces ser". Então teste com  as regras que  já possui; e somente com isso - o mais importante de todos os testes - "Ela se preocupa com aquilo que está debaixo do nosso poder ou com aquilo que não está debaixo do nosso poder?". Se ela estiver preocupada com aquilo que não está debaixo do nosso poder, esteja pronto com a resposta que ela nada representa para você.

 



publicado por Sou às 22:49
Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

 



publicado por Sou às 20:30
Terça-feira, 04 de Agosto de 2009

 

 



publicado por Sou às 01:30
Sábado, 18 de Julho de 2009

 

 

Era uma vez um reino antigo e pobre, situado perto de uma grande montanha.

Havia uma lenda de que, no alto dessa montanha havia uma Macieira mágica, que produzia maçãs de ouro. Para colher as maçãs era preciso chegar até lá, enfrentando todas as situações que aparecessem no caminho. Nunca ninguém havia conseguido essa façanha, conforme dizia a lenda.

O Rei do lugar resolveu oferecer um grande prémio àquele que se dispusesse a fazer essa viagem e que conseguisse trazer as maçãs,pois assim o reino estaria a salvo da pobreza e das dificuldades que o povo enfrentava. O prêmio seria da escolha do vencedor e incluía a mão da princesa em casamento, se ambos se gostassem.

Apareceram três valorosos e corajosos cavaleiros dispostos a essa aventura tão difícil.

Eles deveriam seguir separados e, por coincidência, havia três caminhos:

O primeiro era rápido e fácil,não havia nenhum obstáculo e nenhuma, o segundo era rápido mas com algumas dificuldades a serem enfrentadas, o terceiro caminho era longo,e com um grau de dificuldade muito elevado.
Foi efectuado um sorteio para ver quem seria o cavaleiro a escolher entre os tres caminhos. O cavaleiro sorteado escolheu, naturalmente, o Primeiro caminho. O segundo sorteado escolheu o Segundo caminho. O
terceiro sorteado, sem nenhuma outra opção, aceitou o Terceiro
caminho.

Partiram juntos,levando consigo apenas uma mochila contendo alimentos, agasalhos e algumas ferramentas.

O Primeiro, com muita facilidade chegou rapidamente até a montanha,subiu, feliz por acreditar que seria o vencedor e quando se deparou com a Macieira Encantada sorriu de felicidade. O que ele não esperava, porém, é que ela fosse tão inatingível. Como chegar até às maçãs? Elas estavam em galhos muito altos. Não havia como subir. O
tronco era muito alto também. Ele não possuía nenhum meio de chegar até lá em cima. Sem saber como resolver esse assunto ficou á espera que chegasse o outro cavaleiro que tinha sido sorteado,para resolverem juntos a questão. Quando este último chegou,  enfrentou galhardamente a primeira situação com a qual se deparou, porém logo em seguida apareceu outra, e logo depois mais uma e mais outra, sendo algumas delas um tanto difíceis de superar.
Ele acabou ficando cansado, esgotado até ficar doente, e cair prostrado. Quando se deu conta do seu péssimo estado físico, foi obrigado a retroceder e voltou para a aldeia, onde foi internado
para cuidados médicos.
O Terceiro cavaleiro, a quem tinha calhado o caminho mais dificil, teve o seu primeiro teste quando acabou a água e ele chegou a um poço. Quando puxou o balde, arrebentou a corda e ele então, rapidamente, com as suas ferramentas e alguns galhos, improvisou uma escada para descer e recolher a água que precisava para saciar a sede.
Percebeu que estava começando a gostar muito dessa aventura.

Depois de descansar, seguiu viagem e precisou atravessar um rio com uma correnteza fortíssima. Construiu, então, uma pequena jangada e com uma vara de bambu como apoio, conseguiu chegar do outro lado do rio, protegendo assim a  mochila, os seus agasalhos e todo o material que levava consigo para o momento que precisasse deles, incluindo a
jangada.

Num outro ponto do caminho ele teve de cortar o mato denso e passar por cima de grossos troncos. Com esses troncos ele fez rodas para facilitar o transporte do seu material, usando também a corda para puxar.E assim, sucessivamente, a cada nova situação que surgia, como ele não tinha pressa, calmamente, fazendo uso de tudo o que estava aprendendo nessa viagem e do material que, prudentemente guardara,resolvia facilmente a questão.

A viagem foi longa, cheia de situações diferentes, de detalhes, e logo chegou o momento esperado, quando ele se defrontou com a Macieira Encantada. O Primeiro cavaleiro cansado de esperar, voltou ao povoado.

O encanto da Macieira tomou conta do Terceiro. Ela era tão linda,grande, alta, brilhante. Os raios do sol incidindo nos frutos dourados irradiavam uma luz imensa que o deixou extasiado. Quanto mais olhava para a luz dourada, mais ele se sentia invadir por ela,e percebeu que todo o seu corpo parecia estar também dourado. Nesse
momento ele sentiu como se uma onda de sabedoria tomasse conta de seu ser. Com essa sensação maravilhosa ele se deixou ficar,inebriado, durante longo tempo. Depois do impacto pôs-se a trabalhar e preparou cuidadosamente, o seu material, fazendo uso de todos os seus recursos. Transformou a jangada numa grande cesta,para guardar as maçãs dentro, subiu à árvore, pela escada, usou o bambu para empurrar as maçãs mais altas e mais distantes. Tudo isso
e mais algumas providências que sua criatividade lhe sugeriu para facilitar seu trabalho, que havia se transformado em prazer.

Depois de encher a cesta com as maçãs, e com a certeza de que poderia voltar ali quando quisesse, por ser a Macieira pródiga, ele agradeceu a Deus por ter chegado, por ter conseguido concluir seu objectivo. Agradeceu principalmente a si mesmo pela coragem e persistência na utilização de todos os seus recursos, como
inteligência e criatividade.

Voltou pelo caminho mais fácil, levando consigo os frutos do seu trabalho e dos seus esforços, frutos esses colhidos com muita competência e merecimento. Descobriu, entre outras coisas que:tudo que apareceu em seu caminho foi útil e importante para a sua vitória;cada uma das situações que ele resolveu, foi de grande aprendizado, não só para aquele momento, mas também para vários outros na sua vida futura.

 



publicado por Sou às 00:57


 

Há muito, muito tempo, num reino distante , havia um lugar conhecido como a casa dos mil espelhos. Um pequeno e feliz cãozinho soube desse lugar e decidiu ir visitá-lo. Quando lá chegou, saltitou feliz pela escada acima até a entrada da casa. Olhou através da porta de entrada com suas orelhinhas bem levantadas e a cauda balançando rapidamente de um lado para o outro.

Para sua grande surpresa, deparou com outros mil pequenos e felizes cãezinhos, todos com a cauda rápidamente  balançando de um lado para o outro. Abriu um enorme sorriso e foi correspondido com mil enormes sorrisos. Quando saiu da casa, pensou: “Que lugar maravilhoso! Voltarei sempre que puder aqui.”

Nesse mesmo reino, outro pequeno cãozinho, que não era tão feliz quanto o primeiro, decidiu ir visitar a casa dos espelhos. Subiu lentamente as escadas e olhou através da porta.

Quando viu mil olhares hostis de cães que o olhavam fixamente, assustou-se e rosnou, mostrou os dentes e ficou horrorizado ao ver mil cães rosnando e mostrando os dentes para ele. Quando saiu, pensou: “Que lugar horrível, nunca mais volto aqui.”



publicado por Sou às 00:46


 

                

 


Medusa era um ser terrível, embora seja um monstro, é considerada pelos gregos uma das divindades primordiais pertencente à geração pré - olímpica. Só depois é tida como vítima da vingança de uma deusa. Das  três górgonas, é a única que é mortal. Três irmãs monstruosas que possuíam cabeça com cabelos em forma de serpentes venenosas, presas de javali, mãos de bronze e asas de ouro. O olhar delas  transformava em pedra aqueles que a fitavam. Como as suas irmãs, Medusa representava as perversões. Euríale, simbolizava o instinto sexual pervertido, Ésteno a perversão social e Medusa a pulsão evolutiva, ou seja, a necessidade de crescer e evoluir estagnada. Medusa também é símbolo da mulher rejeitada, e por ter sido  rejeitada é incapaz de amar e ser amada, odeia os homens nas figura do deus que a viola e abandona  as mulheres, pelo fato de ter deixado de ser uma mulher bela para ser monstro por culpa de um homem e de uma deusa. Medusa é a própria infelicidade; os seus filhos não são humanos, nem deuses, são monstros. Medusa é uma górgona, apavorante, terrível.

 

O mito de Medusa tem várias versões, mas os pontos principais refletem estas características acima. Como Midas ela não pode facilitar a proximidade, pois se Midas  transformava tudo em ouro com apenas um toque, ela é mais solitária mais trágica, não pode sequer olhar, pois tudo o que olha vira pedra, Medusa carrega a maldição de tirar a vida, o movimento, com um simples olhar, também não pode ser vista de frente, não se pode ter idéia de como ela é sem ficar paralisado e morrer.

 

Diz o mito que outrora a Medusa fora uma belíssima donzela, orgulhosa da sua beleza, principalmente dos seus cabelos.Confiante da sua beleza  resolveu disputar o amor de Zeus com Minerva. Esta enraivecida transformou-a num monstro com cabelos de serpente. Outra versão diz que Zeus a teria raptado e violado no interior do templo de Minerva e esta mesmo sabendo que Zeus a tinha traído, não perdoou tal ofensa. Medusa é morta por Perseu, que também foi rejeitado e com sua mãe Danae são trancados numa arca e atirado ao mar, de onde foi resgatado por um pescador que o levou ao rei Polidectes que o criou com sabedoria e bondade. Quando Perseu ficou homem, Polidectes enviou-o para a trágica missão de destruir a Medusa. Para isto receberia o auxílio dos deuses. Perseu usando sandálias aladas pôde pairar sobre as górgonas que dormiam, então usando um escudo mágico de metal polido, refletiu a imagem da Medusa como num espelho e decapitou-a com a espada de Hermes. Do pescoço ensanguentado de Medusa saíram dois seres que foram gerados do conúbio com Poseidon. O gigante Crisaor e o cavalo Pégaso.

O sangue que escorreu de Medusa foi recolhido por Perseu. Da veia esquerda saia um poderoso veneno, da veia direita um remédio capaz de ressuscitar os mortos. Ironicamente, trazia dentro de si o remédio da vida, mas não o sabia usar, sempre usou o veneno da morte.

 

" Três irmãs, três monstros, a cabeça aureolada de serpentes venenosas, presas de javalis, mãos de bronze asas de ouro: Medusa, Ésteno e Euríale. São símbolos do inimigo e  têm que se combater. São as deformações monstruosas da psique, consoante Chevalier e Gheebrant ( Dictionnaire des Symboles, Paris Robert Laffont, Júpiter, 1982)  que se devem a  forças pervertidas das três pulsões do ser humano: sociabilidade, sexualidade, espiritualidade" .(Brandão, ed. Vozes 1987).

 

Tenho observado em pacientes em terapia, alguns processos que remetem ao mito de Medusa. Estes relatam um sofrimento imenso devido a dificuldades em perceber a própria imagem. Quem sou eu? A grande pergunta para qual toda a humanidade busca respostas. Para estas pessoas, como se tivessem uma imagem invertida refletida no espelho, a pergunta é, o que eu não sou. Incapazes de mostrar uma imagem positiva, como os filhos monstros de Medusa, erram pela vida alinhando possibilidades para construir a sua monstruosidade. Estes filhos de Medusa, embora filhos de um deus, herdam da mãe a figura monstruosa a que se viu presa a bela Medusa. A duplicidade da Mãe  acompanha-os. Pégaso unido ao homem é o Centauro, monstro identificado com os instintos animalescos. Mas tambem é fonte, como o seu nome simboliza,  é alado , é fonte de da imaginação criadora sublimada e a sua elevação. Temos em Pégaso os dois sentidos ,a fonte e as asas. Símbolo da inspiração poética representa a fecundidade e a criatividade espiritual.

Pégaso talvez represente o lado belo de Medusa, que ficou escondido, que não podia ser visto, pois como vimos ela representava a pulsão espiritual estagnada. Pégaso é a espiritualidade em movimento. Crisaor é apenas um monstro, pai de outros monstros Gerião de três cabeças e Équidna. Équidina herda da avó o destino trágico. O seu corpo metade mulher, de lindas faces e belos olhos, tem na outra metade uma enorme serpente malhada, cruel . É a bela mulher de gênio violento. Incapaz de amar e devoradora de homens. Uma reedição de Medusa. Continuará a saga ancestral de odiar os homens e gerar monstros.

 

Com uma imagem distorcida, como dizíamos anteriormente, estes "filhos de Medusa" não podem ver-se a si mesmos como são, e sempre se imaginam bem piores até mesmo do que poderiam ser.

 

Alguns autores como Melanie Klein e Alexander Lowen falam que a imagem de si própria  origina-se no olhar da mãe. A forma como a criança é olhada, é vista, o que ela percebe de rejeição ou aprovação é captado no olhar da mãe. Os tristes filhos de Medusa não podem vê-la, tambem não podem ser vistos por ela. Esta mãe de mãos de bronze não pode acariciar, o seu olhar paralisa, seus os dentes de javali impedem que beije, mas quando poderia ser atingida pelo filho ela se torna divina, tem asas de ouro, é um alvo móvel. Medusa incorpora para estas personalidades de estrutura depressiva o mito da mãe divina, vista pelo seu filho como a santa mãe, ela não gera filhos felizes, apenas trágicos. Não pode ser mulher, é santa. A princípio como Jocasta, depositária da paixão do filho, Medusa não o ama, fazendo-o sentir-se torpe e culpado pelo seu amor incestuoso. Como recurso ele a santifica para continuar amando-a e justificando a sua rejeição como forma de protege-lo da sua própria torpeza. Desprovida como santa de instinto sexual, não pode falar ao seu filho da sexualidade feminina, não pode dizer-lhe o que é uma mulher. Inacessível como santa, ela torna-se monstro. Monstro que é percebido pelo filho mas que se nega a ser visto como é. Medusa não olha, não acaricia, não orienta. Paralisa. Não é por acaso que o sentimento da depressão é a inércia, a perda da vitalidade. Como se tivessem transformados em pedra pelo olhar da mãe, os filhos de Medusa erram pela vida sem espelhos que traduzam a sua imagem. São monstros cuja criatividade afogada na pedra de suas almas precisa ser libertada. Precisam encontrar um espelho  que lhes diga quem são ou pelo menos, quem não podem ser.

 

No trabalho terapêutico de pacientes com depressão, tenho observado que há uma enorme dificuldade em perceber a figura materna. Ela é idealizada a partir de perfis culturais que parecem não poder ser questionados. Frases como: "qual a mãe que não ama seus filhos?" ou "toda mãe é uma santa" traduzem a situação que impede a visão do real. São pessoas desprovidas de afeto, mas com uma enorme necessidade de carinho, que no entanto não suportam proximidade, de uma vez que não confiam em ninguém, pois não acreditam que podem ser amados. Sentem-se como  monstros. Algum tempo  mais adiante no processo chegam a perceber nitidamente que não foram amados, mas como se esquivando de perceber a profundidade dessa dor negam afirmando que isto é normal, diante da sua torpeza. Falam de mães ocupadas, falam de mães vaidosas ressentidas da perda da beleza com o nascimento do filho. Mas essas referências são quase superficiais.

 

Quando conseguem aproximar-se da visão real dessa mãe de garras e mãos de bronze os sintomas  multiplicam-se, aumenta a depressão e com esta a paralisia, a inércia. Podem passar vários dias deitados, sem trabalhar ou realizar um mínimo de esforço. Ver a Medusa é petrificar-se. Muitos desenvolvem sintomas de dor de cabeça, medo de doenças fatais como câncer, AIDS (doenças ligadas a amputação, decapitação, ao sangue, a sexualidade e sintomas de castração). As fantasias de autopunição  multiplicam-se, relatam possibilidades de acidentes de automóvel ou com armas de fogo. Têm fantasias de traição com amigos ou companheiras. São pessoas trágicas. Todos relatam uma ausência de alegria, mesmo quando estão em ambientes alegres. Uma profunda inveja do prazer do outro assola-os. Muitos perseguem a fantasia de resolver a falta com postos de poder e dinheiro. Aumenta a dor. O poder que tanto ansiaram ou o dinheiro que tudo resolveria aumentam a profundidade do abismo. Ter tudo e não sentir-se nada é muito mais terrível. O abismo abre-se cada vez mais como as entranhas da mãe monstruosa. Restam- lhesas fantasias suicidas. É preferível morrer a sentir-se um monstro. Muitos realizam esta fantasia como a ultima tentativa de atingir a Medusa. Mas ela nada sentirá, o seu ódio pelo homem que a violou transmite-se ao filho que gerou. A sua pior inimiga, Minerva ( a deusa da inteligência), deixa-lhe como legado o ódio às mulheres. Não pode dizer ao filho como lidar com elas, como gerar com elas novos filhos, amados e sadios. A sua descendência, embora não precise ser, deverá ser de monstros gerando outros monstros. Fala-se da hereditariedade da depressão. Penso que se houver é muito mais transmitida em gestos e pelo ambiente trágico e desprovido de prazer em que estas novas crianças nascerão. Os filhos de Medusa não podem ter mulheres amorosas, isto a denunciaria. Raramente, quando encontram estas mulheres não podem confiar nelas e abortam assim a possibilidade de obter o amor que os revitalizaria.

 

Mas, apesar das dificuldades e das fantasias autopunitivas, Medusa pode ser vista. Através do espelho do terapeuta e deste como espelho, a figura de medusa pode ser vista. Se a relação terapêutica se dá de forma transferencial, amorosa, confiante, o espelho refletirá imagem da Medusa, como ela é. Incapaz de amar, cruel e terrível, górgona, apavorante. Como resultado o filho descobrirá que o monstro é ela, e não ele. Da morte dela resulta a sua vida, e como Pégaso, ele ganha os céus, liberto, simbolizando a vitória da inteligência e a sua união com a espiritualidade, a sensibilidade que sempre existiu naquele que se julgava o monstro. Como Pégaso, se não se aferrar ao seu aspecto de humano comum, em revoltas descabidas e em vinganças inúteis poderá compreender a tragédia de Medusa e perdoá-la. Não se transformará no monstro Centauro, identificado com o instintos animalescos e a sexualidade desregrada. Se incorporar Centauro errará pela vida sem pertencer a ninguém. Homem de muitas mulheres, mas sem nenhuma. Será monstro preso à sua mãe monstruosa. Incapaz de amar como ela. Se assumir a sua condição de Pégaso, será fonte de todas as belezas, da mais pura elevação, da criatividade, da fidelidade. Não é por acaso que Pégaso simboliza a Poesia.

 

As filhas de Medusa também apresentam como ela a impossibilidade de ser amada. São mulheres tristes de trágica figura, mesmo quando belas. Condenadas a serem crianças eternas presas às entranhas da mãe, não podem deixar de ser filhas-monstro, a não ser para poderem ser mães- monstro. Filhas da violação e do abandono (é assim que Medusa lhes transmite a sua relação com os homens) são mulheres-meninas, incapazes de perceber o homem a não ser como brinquedo, ou como fonte de sofrimento. Unem-se quase sempre a homens cruéis que possam justificar a idéia da mãe, da impossibilidade de ser feliz com um homem. Quando raramente encontram o amor, destroem-no destruindo o homem amado, como faz no mito Équidna, legítima herdeira de Medusa. Mulheres de amores infelizes, herdam de Medusa as garras, as mãos de bronze, e as asas de ouro. Vítimas de novos abandonos reforçam em cada experiência infeliz a ideia da mãe. Também possuem o olhar terrível. Das uniões infelizes geram filhos infelizes que carregam presos a si mesmas não por amor, mas pelo terror que podem gerar. Novas medusas. Se pela procura puderem chegar ao espelho, podem ser deusas, podem ser Pégasos, ou até mesmo Poesia uma das Musas; se não seguirão os seus destinos de mulheres- crianças gerando filhos que não podem amar e que no máximo lhes servem de brinquedo para suas brincadeiras cruéis de paralisar e aterrorizar pessoas. Seguem a saga da Medusa. Mulher que se torna monstro, pelo descuido de homem e pela crueldade de uma deusa.

 

Mas e as mulheres Medusa? O que lhes resta? O próprio mito nos mostra.

 

Perseu filho de Danae, mãe amorosa, que segue seu filho no destino que lhes foi dado pelo pai terrível, que ouviu de um mago que seria assassinado pelo neto. Trancados numa arca e atirados ao mar são salvos por Poseidon que os encaminha a uma praia tranquila onde são recolhidos por um pescador e levados ao rei Polidectis, que o educa amorosamente como filho. Perseu é filho de mãe amorosa, que tudo perde para seguir seu filho. Que abandonada por um homem, o próprio pai, atirada à morte por ele, não transforma isto em ódio à masculinidade. Perseu também. O seu abandono pelo avô e pelo pai que não o salva, é no entanto criado por um pai amoroso. Perseu e Danae são o oposto de Medusa. Não permitiram que a sua desgraça se transformasse em ressentimento para com a humanidade. Foram alcançados e salvos pelo amor humano. Ao contrário de Medusa, da qual ninguém pode se aproximar. Somente Perseu poderia destruir Medusa, ele pode ser visto exatamente como seu contrario no espelho, ela mulher, ele homem, ela ressentida, ele perdoando, ela sem possibilidade de resgate, ele salvo pelo amor da mãe que o acompanha, pelo cuidado de um deus e pelo amor de um pai-rei. Tudo o que faltou a Medusa que precisa ser vista, no espelho, para poder ser destruída e libertar Pégaso. Medusa tem que ser compreendida para alem do seu aspecto monstro, como mulher-criança, frívola, presa a beleza passageira, desafiando a grande deusa, a inteligência, a quem desafia e a quem odeia. Para depois de morta servir a ela, Minerva, mesmo que seja como esfinge no seu escudo. Guiado pela inteligência e sabedoria de Minerva, que corrige o seu erro de ter criado um monstro, o olhar de Medusa agora é útil, tem aplicabilidade, destroi o inimigo. Já não mata os que ama.

 

Se a transferência não se realiza, se a relação terapêutica não se faz, e disse alguém que a terapia é uma função de amor, os filhos de Medusa verão no terapeuta a imagem dela e fugirão. Tudo estará perdido, o amor não poderá realizar seu resgate, e Medusa permanecerá eternamente viva destruindo e paralisando até que se destrua ou destrua seus filhos.

 

 


 

 

Marise de Souza Morais e Silva Santos



publicado por Sou às 00:37

Era uma vez um casal que há muito tempo desejava ansiosamente ter um filho. Os anos iam passando, e o sonho não se realizava. Um dia, a mulher percebeu que Deus ouvira suas preces. Ela ia ter uma criança!
Por uma janelinha que havia na parte dos fundos da casa do casal, era possível ver, no quintal vizinho, um magnífico jardim cheio das mais lindas flores e das mais viçosas hortaliças. Mas em torno de tudo se erguia um muro altíssimo, que ninguém se atrevia a escalar. Ali morava uma feiticeira muito temida e poderosa.
Um dia, quando espreitava pela janelinha, a mulher admirou-se ao ver um canteiro cheio dos mais belos pés de rabanete que jamais imaginara. As folhas eram tão verdes e fresquinhas que abriram seu apetite. E ela sentiu um enorme desejo de provar os rabanetes.
A cada dia o desejo dela aumentava mais. Mas sabia que não poderia satisfazer o desejo e por isso foi ficando triste, abatida e com um aspecto doentio, até que um dia o marido se apercebeu e perguntou:
— O que está acontecendo contigo, querida?
— Ah! — Respondeu ela. — Se não comer um rabanete do jardim da feiticeira, acho que vou morrer logo, logo!
O marido, que a amava muito, pensou: “Não posso deixar minha mulher morrer… Tenho que conseguir esses rabanetes, custe o que custar!”
Ao anoitecer, encostou uma escada no muro, pulou para o quintal vizinho, arrancou apressadamente um punhado de rabanetes e levou para a mulher. Mais que depressa, ela preparou uma salada que comeu imediatamente, deliciada. Ela achou o sabor da salada tão bom, mas tão bom, que no dia seguinte seu desejo de comer rabanetes ficou ainda mais forte. Para sossegá-la, o marido prometeu-lhe que iria buscar mais um pouco.
Quando a noite chegou, pulou novamente o muro mas, mal pisou no chão do outro lado, levou um tremendo susto: de pé, diante dele, estava a feiticeira.
— Como se atreve a entrar no meu quintal como um ladrão, para roubar os meus rabanetes? — Perguntou ela com os olhos cheios de fúria. — Vais ver só o que te espera!
— Oh! Tenha piedade! — implorou o homem. — Só fiz isso porque fui obrigado! A minha mulher está grávida e viu os seus rabanetes pela nossa janela, sentiu tanta vontade de comê-los, mas tanta vontade, que na certa morrerá se eu não levar alguns!
A feiticeira acalmou-se e disse:
— Se é assim como diz, deixo levar quantos rabanetes quiser, mas com uma condição: irá dar-me a criança que a sua mulher vai ter. Cuidarei dela como se fosse sua própria mãe, e nada lhe faltará.
O homem estava tão apavorado, que concordou. Pouco tempo depois, o bebê nasceu. Era uma menina. A feiticeira surgiu no mesmo instante, deu à criança o nome de Rapunzel e levou-a embora.
Rapunzel cresceu e tornou-se a mais linda criança sob o sol. Quando fez doze anos, a feiticeira trancou-a no alto de uma torre, no meio da floresta.
A torre não possuía nem escada, nem porta: apenas uma janelinha, no lugar mais alto. Quando a velha desejava entrar, ficava em baixo da janela e gritava:
— Rapunzel, Rapunzel! Joga as tuas tranças!
Rapunzel tinha magníficos cabelos compridos, finos como fios de ouro. Quando ouvia o chamado da feiticeira, abria a janela, enrolava-os em tranças e deixava-as cair pela torre abaixo. As tranças caíam vinte metros abaixo, e por elas, como se de cordas se tratassem a feiticeira subia.
Alguns anos depois, o filho do rei daquele reino, cavalgava  pela floresta e passou perto da torre. Ouviu um canto tão bonito que parou, encantado.
Rapunzel, para espantar a solidão, cantava para si mesma com sua doce voz.
Imediatamente o príncipe quis subir, procurou uma porta por toda parte, mas não encontrou. Inconformado, voltou para casa. Mas o maravilhoso canto tocara no seu coração de tal maneira, que ele começou a ir para a floresta todos os dias, querendo ouvi-lo outra vez.
Numa dessas vezes, o príncipe estava descansando atrás de uma árvore e viu a feiticeira aproximar-se da torre e gritar: “Rapunzel, Rapunzel! Deita para baixo as tuas tranças!”. E viu quando a feiticeira subiu pelas tranças.
“É essa a escada pela qual se sobe?”, pensou o príncipe. “Pois eu vou tentar a sorte…”.
No dia seguinte, quando escureceu, ele se aproximou da torre e, bem embaixo da janelinha, gritou:
— Rapunzel, Rapunzel! Deita para baixo as tuas tranças!
As tranças caíram pela janela abaixo, e ele subiu.
Rapunzel ficou muito assustada ao vê-lo entrar, pois jamais tinha visto um homem.
Mas o príncipe falou-lhe com muita doçura e contou como seu coração ficara transtornado desde que a ouvira cantar, explicando que não teria sossego enquanto não a conhecesse.

 

Rapunzel acalmou-se, e quando o príncipe lhe perguntou se o aceitava como marido, reparou que ele era jovem e belo, e pensou: “Ele é mil vezes mais bonito que a feiticeira ”. E, pondo a mão dela sobre a dele, respondeu:
— Sim! Quero ir contigo! Mas não sei como descer… Sempre que vieres ver-me trás uma meada de seda. Com ela vou fazer tranças, e quando ficar pronta, eu desço contigo.
Combinaram que ele viria sempre ao cair da noite, porque a feiticeira costumava vir durante o dia. Assim foi, os dois todos os dias se encontravam e amavam-se. Até que um dia Rapunzel, vendo como a velha senhora demorava a subir pela torre e chegava ali tão ofegante, com inocência, perguntou à feiticeira :
— Diga-me, senhora, como é que lhe custa tanto subir, enquanto o jovem filho do rei chega aqui num instantinho?
— Ah, menina ruim! — Gritou a feiticeira. — Pensei que te tinha isolado do mundo, e afinal anda a enganar-me!
Furiosa, agarrou Rapunzel pelos cabelos e esbofeteou-a. Depois, com a outra mão, pegou uma tesoura e tec, tec! Cortou as belas tranças, largando-as no chão.
A raiva e o ciúme era tanto, que de seguida, levou a menina para um deserto e abandonou-a ali, para que passasse todo o tipo de privações e sofrimento, e se apercebesse o quanto conforto lhe tinha proporcionado e a paga fora ingratidão.
Na tarde desse dia
em que Rapunzel foi expulsa, a feiticeira prendeu as longas tranças num gancho da janela e ficou à espera. Quando o príncipe veio e chamou: “Rapunzel! Rapunzel! Deita para baixo as tuas tranças!”, ela deixou as tranças caírem para fora e esperou.
Ao entrar pela janelinha da torre, o rapaz não encontrou a Rapunzel, mas sim a terrível feiticeira. Com um olhar chamejante de ódio, ela gritou-lhe louca de raiva:
— Ah, ah! Vieste buscar Rapunzel? Pois ela não está aqui! E nunca mais a verás!

 Ao ouvir isso, o príncipe ficou fora de si e desesperado, atirou-se pela janela. O jovem não morreu, mas caiu sobre espinhos que danificaram os seus olhos e ficou cego.
Desesperado e cego ficou preambulando pela floresta, alimentando-se apenas de frutos e raízes, sem fazer outra coisa do que chorar e caminhar sem sentido e orientação.
Passaram-se os anos. Um dia, por acaso, o príncipe chegou ao deserto onde  Rapunzel vivia, na maior tristeza, com os seus filhos gémeos, um menino e uma menina, que ali tinham nascido.
Ouvindo uma voz que lhe pareceu familiar, o príncipe caminhou na direcção de Rapunzel. Assim que chegou perto, ela reconheceu-o e se atirou-se nos seus braços, a chorar.
Duas das lágrimas da moça caíram nos olhos dele e, no mesmo instante, o príncipe recuperou a visão e ficou de novo a ver.
Então, loucos de felicidade, os dois e as crianças, voltaram para o seu reino, onde foram recebidos com grande alegria e ali viveram felizes. Da feiticeira, não se soube mais nada, Talvez viva ali errando amargurada e trancada naquele muro onde crescem as mais lindas flores e hortaliças verdejantes.

 

 

 

 


conto dos irmãos Grimm, adaptado



publicado por Sou às 00:29

 

"1- CORAGEM: Bem, coragem é mais que uma Virtude, é um principio. Dela se deriva o Valor, o Auto - Sacrifício , a Honra e a Verdadeira Espiritualidade. Se você não procurar ter coragem, não enfrentara nem conhecera seus próprios limites. Com Coragem e força, não só você conhecera realmente seus limites, mas com o tempo você poderá rompe-los e conhecer limites ainda maiores e poder caminhar para a perfeição e o Infinito. O Pior inimigo a se enfrentar não é externo, ele esta dentro de você. É mais fácil você enfrentar mil soldados inimigos do que enfrentar Seu próprio lado obscuro e confrontar sua Verdadeira Natureza.
Portanto Coragem é algo a se praticar externamente e internamente. Você só deve retroceder em uma batalha, seja ela de que natureza for, quando sua morte ou derrota não for construtiva para nada. Afinal "um Homem morto não é útil para ninguém." e "um sábio sabe as batalhas que realmente valem a pena ser disputadas." Ou seja, Coragem sim, mesmo que para enfrentar a Morte, mas Coragem sempre com Sabedoria.

2- VERDADE: A Verdade aqui também não é apenas uma Virtude, mas um Princípio. Em sua natureza Absoluta, Ela é o Principio de Tudo. Ela pode ser entendida como Honestidade, mas não é apenas isto. Dela se deriva a Honestidade, Justiça, Honra e Espiritualidade. Em Asatru, não temos o conceito de pecado, céu e inferno, bem e mal absolutos e outras coisas limitadoras do pensamento humano como estes conceitos abraãmicos. Temos um provérbio: "Se você acredita em inferno, provavelmente você já vive em um." Um Asatruar não procurara ser Honesto e Honrado para agradar aos Deuses, e sim para melhorar seu padrão e modo de Vida, e com isto, conquistar o respeito das pessoas a sua volta. Se você não for honesto, as pessoas tenderão a não confiar em sua palavra, não importa o quão gostem de você. Você não teria credito em nenhuma parte, afora que muitos não perderia seu tempo em respeita-lo.

3- HONRA: Nada melhor vem a minha cabeça para começar a falar sobre esse tópico interessante do que um velho provérbio Japonês muito usado pêlos Samurais na Interpretação de seu Bushidô. "Honra não é Orgulho. É Consciência do que se Tem." Muitas pessoas confundem honra com orgulho ou dignidade pessoal. Quanto ao orgulho, ele em si não é Honra, mas você pode ter Orgulho de Sua Honra de uma maneira positiva, sem que isso pareça arrogância. Dignidade pessoal? Honra também não é isto diretamente, embora ações honradas gerem por si só a Dignidade pessoal. Se você não age com Honra, você é indigno e obviamente (por uma questão de semântica) você não possui dignidade pessoal. Honra é jogar limpo (Fair-Play). A Virtude da Honra é formada pêlos Princípios de Verdade e Coragem. Verdade para admitir suas verdadeiras responsabilidades e Coragem para assumi-las.

4- FIDELIDADE: Ou Lealdade, se preferirem. Fidelidade não é apenas dar exclusividade sexual ao seu parceiro amoroso como assim já foi especulado. Você pode não dar exclusividade e ainda por cima ser fiel. Se você seguir todos estes princípios, você estará sendo fiel a eles. Você pode ser fiel a uma causa, pátria, pessoa ou religião. Ao meu ver, e ao ver das antigas culturas pagãs, exclusividade sexual não era prova de amor, nem era obrigatório em um casamento. O Ocidente tem a mania de rotular tipos de amor. Você ama seu pai? Você ama sua Mãe? Você ama a flor a qual aspiras o seu perfume? Você ama seu namorado ou namorada? Se a resposta for sim para todas, e a resposta for correta, saiba que o amor que você sente por todos estes itens citados é do mesmo tipo. Quando você ama, você quer o bem do que você ama, mesmo que em detrimento do seu. Se você ama um garoto ou garota, você quer que ele seja feliz contigo, sem você ou não só com você. Se você ama uma rosa, como você agiria? Você aspiraria seu perfume, se deliciaria com ele, regaria a roseira e adubaria seu solo ou você limitaria seu tempo de vida ainda mais cortando a pelo caule e colocando a em um vaso para enfeitar a sua sala para só você e quem você quiser, aspirar seu perfume e apreciar sua beleza até que ela definhe e morra? Porém, se o acordo do relacionamento foi de exclusividade, ai sim você não estaria sendo fiel a algo se você não desse exclusividade ao seu parceiro ou parceira. Agir corretamente de acordo com os princípios, sem se desviar deles é fidelidade, portanto, se você agir com coragem, verdade, honra e disciplina, você estaria sendo Fiel.

5- DISCIPLINA: (JUSTIÇA)O Universo provém do caos, portanto o caos é o elemento gerador da existência. Entretanto, se só houvesse o caos, o universo seria apenas um elemento em constante mudança, sem nada a ser criado ou estabilizado. Para tanto, para se contrapor ao caos, existe a Ordem que é o elemento estabilizador. Porém, se houver Ordem demais, acaba se gerando outro problema que é a estagnação. Para tanto, também há o principio da Entropia ou destruição, que elimina os excessos dos dois e "destroi o velho para que o novo possa nascer". É claro que destruição em excesso também não é nada interessante. Nem preciso explicar o porque, não? Equilibrar estas três forças seria Disciplina em uma visão cósmica, mas o que interessa e a Disciplina em um plano mais relativo e terreno. No nosso caso, Liberdade (caos) é interessante, liberdade absoluta, ainda mais, mas não podemos esquecer que vivemos em sociedade e para uma convivência salutar, é necessário limitar a liberdade de um aonde começa a liberdade de outro. Para tanto, é preciso se estabelecer regras ou Lei (Ordem). E quando estas são quebradas, é necessário usar de uma força disciplinar, destrutiva, quando preciso, para voltar a estabelecer a harmonia e a Justiça.

6- HOSPITALIDADE: Nada melhor para começar a falar sobre esta Virtude do que um Trecho do Havamal, as Palavras do Altíssimo.: "Fire is needed by the newcomer Whose knees are frozen numb;Meat and clean linen a man needs Who has fared across the fells" que em português quer dizer "Fogo é preciso para o recém - chegado, para aqueles joelhos que estão congelados até as juntas; Comida e roupas limpas um homem (aqui entenda se também as mulheres) que cruzou as colinas necessita." Assim, Você estará praticando Verdade, Coragem, fidelidade (pois você convidou, senão ele(a) não seria seu hospede), Justiça (igualmente, porque você o convidou e ele(a) cruzou colinas para te ver.) e como na virtude da Disciplina, para acrescentar algo que de a esta virtude sua individualidade, eu acrescentaria Compaixão que é baseada no Princípio do Amor. Mas Hospitalidade não é apenas Compaixão. Existem certas regras de hospitalidade as quais devem ser seguidas. O Havamal trata muito bem disso. Trata inclusive sobre como agir quando sob um eventual abuso de hospitalidade.

7- LABORIOSIDADE: Esta em si já gera as duas próximas Virtudes. Trabalhar com Labor significa produzir. O oposto desta Virtude justamente com a próxima seria o Parasitismo que é viver as custas dos outros, sem ao menos tentar colaborar com algo.
Você trabalhar duro para ganhar o seu pão e poder assim, usufruir dele e dos seus frutos. Para tanto é necessário Coragem, Perseverança e Sabedoria, pois com tantos aproveitadores neste mundo, a Sabedoria é necessária para se atingir a prosperidade.

8- INDEPÊNDENCIA: (AUTO CONFIANÇA) O termo original em inglês é "Self - Reliance" e quer dizer ambas as coisas. Mas a essência desta Virtude é a Liberdade e o desejo por ela de uma forma honrada. Se você age com liberdade mas parasita alguém sem sequer colaborar com nada para esta pessoa, você não estará praticando esta virtude. No sentido de Auto Confiança, se você confiar nos deuses e não confiar em si próprio, não serás capaz de nada. Vivemos em um pais de predominância Cristã e estamos acostumados a ver muitas pessoas viver a mediocridade de confiar em um suposto deus absoluto e responsabiliza-lo por tudo que da certo nas suas vidas se esquecendo de todas as ações acertadas que tomaram, esquecem que são um elemento de mudança do mundo de muita importância. Também responsabilizam um suposto diabo por suas atitudes errôneas fazendo assim o ato de lavar as mãos ou se omitindo de suas responsabilidades consigo próprios, com suas famílias e a sociedade. Esta virtude é justamente o oposto disso. Você e mais ninguém, é responsável por suas ações. E se você é independente, tens todo direito a sua Liberdade, portanto podemos interpretar essa virtude como Liberdade com um senso de auto responsabilidade por seus atos. A tradição Asatru valoriza mais do que tudo esta liberdade. Um regime de governo ideal para nós e nossa visão seria a Democracia Anárquica. Ou seja, se você não mete seu nariz (se intrometer) na vida de ninguém, ninguém tem o direito de se intrometer na sua vida.

9- PERSEVERANÇA: (Paciência)O que comentar sobre essa virtude que não foi comentado na nota sobre a Virtude e Principio da Coragem? Praticar perseverança é ter a coragem para enfrentar seus próprios limites e ir até o fim para se estabelecer e realizar suas metas. De certo não se pode atingir o topo de uma montanha com apenas um salto, a não ser que vc seja um Super -Homem(tm) ou pular tão alto quanto o Hulk (tm). Mas passo a passo, e um de cada vez, você pode atingir o topo da montanha, e quando atingi-lo, deve se lembrar que cada um dos pequenos passos dentre as centenas deles que você precisou dar para atingir este topo, foi igualmente importante, com exceção do primeiro passo. O primeiro foi o mais importante de todos, pois foi sua iniciativa e perseverança que o levara até lá."

http://www.fornsed-brasil.org/novevirtudes.html)



publicado por Sou às 00:20
Sexta-feira, 17 de Julho de 2009



 

 

 

Psique era a mais nova das três filhas do rei de Mileto e era extremamente bela. A sua beleza era tanta que pessoas de várias regiões iam admirá-la, assombrados, rendendo-lhe homenagens que só eram devidas à própria Afrodite.

Profundamente ofendida e enciumada, Afrodite enviou o seu filho, Eros, para fazê-la apaixonar-se pelo homem mais feio e vil de toda a terra. Porém, Eros ao ver a sua beleza,  apaixonou-se profundamente.
O pai de Psique, suspeitando que, inadvertidamente, havia ofendido os deuses, resolveu consultar o oráculo de Apolo, porque as suas filhas encontraram maridos e, no entanto, Psique permanecia sozinha. Através do oráculo, o próprio Eros ordenou ao rei que enviasse Psique para o topo de uma solitária montanha, Lá seria dada como esposa a uma serpente.

  

  A jovem aterrorizada foi levada ao pé do monte e deixada ali sozinha.

Conformada com o seu destino, Psique adormeceu num sono profundo. Enquanto dormia foi conduzida pela brisa gentil de Zéfiro para um lindo vale.
Quando acordou, sem saber onde estava, caminhou por entre as flores, até chegar a um castelo magnífico. Surpreendida pensou que ali deveria morar um deus, tal era beleza do castelo.

Enchendo-se de coragem, entrou no deslumbrante palácio, onde todos os seus desejos foram satisfeitos por ajudantes invisíveis, dos quais só podia ouvir a voz

Quando anoiteceu, aqueles ajudantes invisíveis disseram-lhe que deveria ir para o seu quarto, ela assustou-se, ciente de que ali se deveria encontrar a tal serpente que lhe era destinada como esposo. Sentiu entrar alguém no quarto e começou a tremer, no entanto, uma voz maravilhosa acalmou-a e de seguida sentiu umas mãos ternas a acaricia-la e entregou-se ao prazer que sentia.

De manhã quando acordou estava sozinha, não ouvia nenhuma voz, nem se sentiu acariciada.

As irmãs de Psique que souberam o paradeiro de Psique, tinham ido à montanha visita-la, e gentilmente, a brisa Zéfiro ergueu-as no ar e levou-as para o lindo vale, onde havia um magnífico castelo. Bateram à porta do castelo para visita-la, mas Psique não estava autorizada para deixar entrar as irmãs no castelo, o seu amante misterioso, dissera-lhe que ela não as devia receber. A jovem sentia saudades dela e depois de tanta insistência, a voz misteriosa acedeu ao pedido de Psique, mas com a condição de que ela não deveria tentar conhecer qual a identidade dele, mesmo que as irmãs o insinuassem e a tentassem.


Finalmente Psique pôde abraçar as irmãs, que ficaram cheias de inveja, quando viram como era deslumbrante e maravilhoso o interior do castelo. Perguntaram-lhe pelo esposo e quando é que ele aparecia e cheias de malícia questionaram-na pela aparência física dele. Psique sentiu que a curiosidade delas era a sua e sentiu crescer dentro, o desejo de realmente o conhecer.

À noite o amante alertou-a para que não ouvisse as suas irmãs, pois isso lhe aguçaria o desejo de conhecer o seu rosto e se ela o fizesse jamais o teria novamente. Disse-lhe também que o filho de ambos que crescia no ventre dela seria divino se ela mantivesse o pedido dele, de outra forma seria um mortal.

Ao receber novamente as suas irmãs, Psique contou-lhes que estava grávida, e que sua criança seria de origem divina. As irmãs ficaram ainda com mais inveja, além de todas aquelas riquezas, entenderam também que ela era a esposa de um lindo deus. Assim, trataram de convencer a jovem a saber quem era o seu esposo, pois se ele estava escondendo seu rosto era porque havia algo de errado com ele. Ele realmente deveria ser uma horrível serpente e não um deus maravilhoso.
Psique assustou-se e, escondeu uma faca e uma lâmpada próximo, pensou se aquela voz tão maravilhosa, poderia pertencer a uma serpente e decidida a conhecer a identidade de seu marido, e se ele fosse realmente um monstro terrível, ela sentiu terror e se assim fosse queria mata-lo.

A noite, quando Eros descansava ao seu lado, Psique tomou coragem e aproximou a lâmpada do rosto de seu marido, esperando ver uma horrenda criatura. Para sua surpresa, o que viu porém deixou-a maravilhada. Um jovem de extrema beleza estava repousando com tamanha quietude e doçura que ela pensou em tirar a própria vida por haver dele duvidado.

                                                        


Enfeitiçada pela sua beleza, demorou-se admirando o deus alado. Não percebeu que havia inclinado de tal maneira a lâmpada que uma gota de óleo quente caiu sobre o ombro direito de Eros, acordando-o.

Eros olhou-a assustado, e voou pela janela do quarto, dizendo:
- "Tola Psique! É assim que retribuis meu amor? Depois de haver desobedecido às ordens da minha mãe e de te ter tornado minha esposa, tu me julgavas um monstro e estavas disposta a cortar minha cabeça? Vai. Volta para junto de tuas irmãs. Não te imponho outro castigo, além de te deixar para sempre. O amor não pode conviver com a suspeita."

 Psique sentiu-se gelada por dentro e chorou copiosamente, quando se recompôs, o lindo castelo à sua volta desaparecera, e encontrou-se próxima da casa de seus pais.

Inconsolável, tentou suicidar-se e atirou-se para as águas profundas de um rio próximo, mas as suas águas  trouxeram-nas gentilmente para a sua margem. Foi então alertada por Pan para esquecer o que se passou e procurar novamente ganhar o amor de Eros.

As irmãs de Psique, fingiram pesar, mas levadas pela inveja partiram para a montanha, pensando em conquistar o amor de Eros. Lá, chamaram o vento Zéfiro, para que as sustentasse no ar e as levasse até Eros. Mas, Zéfiro desta vez não as ergueram no céu, e elas caíram no despenhadeiro e morreram.

Psique, resolvida a reconquistar a confiança de Eros, procurou-o por todos os lugares da terra, de dia e noite, até que chegou a um templo no alto de uma montanha. Com esperança de lá encontrar o amado, entrou no templo e viu um amontoado desordenado  de grãos de trigo e cevada, ancinhos e foices espalhados por todo o recinto. Convencida que não devia negligenciar o culto a nenhuma divindade, pôs-se a arrumar aquela desordem, organizando as coisas nos lugares. Deméter, para quem aquele templo era destinado, ficou profundamente grata e disse-lhe:
- "Ó Psique, não posso livrar-te da ira de Afrodite, mas posso ensinar-te a fazê-lo com as tuas próprias forças: vai ao seu templo e rende a ela as homenagens que ela, como deusa, merece."


 Psique dirigiu-se ao tempo de Afrodite, que ao vê-la no seu templo, não escondeu a sua raiva. Afinal, por aquela reles mortal o seu filho tinha desobedecido às suas ordens e agora ele estava  doente, na cama recuperando-se da ferida que a jovem lhe tinha causado. Como condição para o seu perdão, a deusa impôs-lhe uma série de tarefas que deveria realizar, tarefas tão difíceis que poderiam causar a morte a jovem.

 A primeira tarefa era, antes de anoitecer, separar uma grande quantidade de grãos misturados de trigo, aveia, cevada, feijões e lentilhas. Psique ficou assustada diante de tanto trabalho, porém uma formiga que estava próxima, ficou comovida com a tristeza da jovem e convocou o seu exército para isolar cada uma das qualidades de grão.
Como segunda tarefa, Afrodite ordenou que fosse até as margens de um rio onde ovelhas de lã dourada pastavam e trouxesse um pouco da lã de cada carneiro. Psique estava disposta a cruzar o rio quando ouviu um junco dizer que não atravessasse as águas do rio até que os carneiros se pusessem a descansar sob o sol quente, quando ela poderia aproveitar e cortar a sua lã. De outro modo, seria atacada e morta pelos carneiros. Assim feito, Psique esperou até o sol ficar bem alto no horizonte,

atravessou o rio e levou a Afrodite uma grande quantidade de lã dourada.
A terceira tarefa seria subir ao topo de uma montanha muito alta e trazer para Afrodite uma jarra cheia da água escura que jorrava de seu cume. No cume da montanha, Psique enfrentou, um dragão que guardava a fonte. Uma águia, que voou baixa, próximo à fonte  encheu a jarra com a negra água.

 

 

Cheia de raiva com o sucesso da jovem, Afrodite ordenou-lhe uma última, porém fatal, tarefa. Psique deveria descer ao mundo inferior e pedir a Perséfone, que lhe desse um pouco da sua beleza, que deveria guardar numa caixa. Psique entrou em desespero, subiu ao topo de uma elevada torre e quis atirar-se, para assim poder alcançar o mundo subterrâneo. A torre porém murmurou-lhe instruções de como encontrar numa particular caverna para alcançar o reino de Hades. Ensinou-lhe ainda como fintar os diversos perigos que iria defrontar-se, como passar pelo cão Cérbero e deu-lhe uma moeda para pagar a Caronte pela travessia do rio Estige, advertindo-a:
- "Quando Perséfone te der a caixa com a sua beleza, toma cuidado, o maior que todas as outras coisas, não olhes para dentro da caixa, pois a beleza dos deuses não cabe a olhos mortais."

Seguindo essas palavras, Psique conseguiu chegar até Perséfone, que estava sentada imponente no seu trono e recebeu dela a caixa com o precioso tesouro. Tomada porém pela curiosidade, quando voltava, abriu a caixa para espreitar. Ao invés de beleza havia apenas um sono terrível que imediatamente se apossou dela.


Eros, curado da ferida, voou ao socorro de Psique e conseguiu colocar o sono novamente na caixa, salvando-a.
Lembrou-lhe novamente que sua curiosidade havia novamente sido a sua grande falta, mas que agora podia apresentar-se à Afrodite e cumprir a tarefa.

Enquanto isso, Eros foi ao encontro de Zeus e implorou a ele que apaziguasse a ira de Afrodite e ratificasse o seu casamento com Psique. Atendendo o seu pedido, o grande deus do Olimpo ordenou que Hermes conduzisse a jovem à assembleia dos deuses e a presenteassem com uma taça de ambrosia. Então com toda a pompa e cerimónia, Eros casou-se com Psique, e no devido tempo nasceu seu filho, chamado Voluptas (Prazer).

 



publicado por Sou às 00:27
Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Os mitos gregos estão por toda parte ainda hoje.Estas narrativas, que um dia povoaram não só a imaginação como também a vida quotidiana de todo
um povo, perduraram no tempo e ainda hoje fascinam escritores, cineastas, escultores, psicólogos,antropólogos, etc. etc. Pode-se fazer delas o uso
mais variado, mas é curioso que guardam, em si mesmas e por si mesmas, um interesse inabalável para os leitores comuns, pessoas que sempre sentirão prazer em mergulhar na poesia de deuses nada perfeitos, cheios de defeitos muito humanos, ninfas que definham de amor por mortais, heróis que
redimem a humanidade, vozes encantadoras de sereias, monstros brutos de um olho só, derrotados pela inteligência do homem. Os estudiosos podem
tentar analisar os mitos como forma primitiva de explicação racional do universo, como ciência ingénua e rudimentar; outros podem vê-los como
projecção de nossa vida inconsciente, etc. — o mito sobrevive a qualquer tentativa reducionista de enquadrá-lo em termos que não são os seus, reduzi-lo a alguma “chave” que supostamente o desvende — ele sobrevive inatingível, com o impacto de sua força narrativa. “O mito é o nada que é tudo”, já disse Fernando Pessoa, criador de mitos, como todos os poetas.

 

Paulo Sérgio de Vasconcellos in Mitos Gregos




 Édipo era filho de Laio e de Jocasta, herdeiro da maldição que assolava os Labdácias, foi abandonado ao nascer no Monte Citerão. O Deus Apolo havia predistinado que Laio seria morto pelo seu próprio filho.

Assim quando Jocasta deu à luz  um filho, encarregaram um criado de o deixar morrer. O criado, encarregado de executar essa missão perfurou-lhe os pés com um gancho e suspendeu a criança numa árvore.

Uns pastores que passavam no lugar viram o menino sangrando dos pés e pendurado numa árvore, cheios de pena tiraram-no e levaram-no aos reis. Os reis de Corinto, Pólibo e Peribeía, há muito que ansiavam por um herdeiro e até ao momento a natureza não lhes tinham sido favoráveis. Assim ao ver o bebé decidiram adoptá-lo e deram-lhe o nome de Édipo porque ele tinha os pezinhos muito inchados.

 

Édipo que foi crescendo, em graça, coragem, valentia e beleza, nada sabia das suas origens. Já era então um belo jovem, e um dia participando num banquete, um outro jovem coríntio, já levemente embriagado, referiu que ele não era filho biológico de seus pais, mas sim adoptado.

 

Édipo perguntou aos pais, que prontamente negaram, mas cheio de dúvidas, resolve consultar o oráculo de Delfos para saber sua real origem. Delfos não lhe deu uma resposta clara, mas disse-lhe o seu futuro, vaticinou que um dia mataria o seu pai e que tomaria como esposa a sua mãe.  

 

Desesperado com a revelação, decidiu fugir do reino, deixando Pólibo e Peribeía, que pensava serem os seus pais verdadeiros, estava certo de contrariar aquele destino cruel.

Viajando a caminho da Fócida, num cruzamento entre as estradas de terra de Tebas e de Cáulius, foi mandado retirar-se do caminho por um arauto que viajava numa carruagem com mais três pessoas, sentindo-se incomodado com tal desfaçatez e arrogância, recusou-se a sair do caminho. Como represália um daqueles homens matou um dos seus cavalos, Édipo cheio de ódio, pegou na sua bengala e matou com grande violência, o rei de Tebas, Laio, desconhecendo por completo quem havia matado.

 

E continuou o caminho, indo parar a Tebas.

Quando ali chegou, precisamente na entrada da cidade, no grande Monte Ficeu,  deparou com uma Esfinge, descendente de uma família de monstros, cabeça e busto de mulher, patas de leão, o corpo de cão, cauda de dragão e asas como as das Hárpias.

 

 Tinha sido enviada pela deusa Hera para castigar Laio, responsável pela morte de Crísipo.  

 

Assim para se poder entrar na cidade de Tebas, todos os forasteiros tinham que responder a um enigma da Esfinge, quem não soubesse responder era morto, caso contrário a Esfinge morreria. A criatura além de matar quem não soubesse decifrar o enigma, também devorava os seus corpos.

O monstro já tinha feito muitas vítimas e os habitantes estavam alarmados quando Édipo, buscando exílio, chegou a Tebas. Ao enfrentá-la, foi recebido com a seguinte pergunta: “Qual é o animal que pela manhã tem quatro pés, ao meio dia dois e à tarde três?” Édipo sem dificuldade respondeu que este animal era o homem, que na infância engatinha, depois passa a caminhar com os dois pés e na velhice, com o peso dos anos, necessita de uma bengala, ou seja, de uma terceira perna para se sustentar. Como já estava previsto pelo destino, no dia que alguém soubesse decifrar o seu enigma a Esfinge morreria, esta, precipitou-se do alto de um precipício e morreu despedaçando o seu mutante corpo contra os rochedos.

Aclamado pela população agradecida, tornou-se rei, e como era costume naqueles tempos, recebeu a mão da rainha Jocasta em casamento.

 Édipo cumpriu assim a segunda e última parte da profecia, pois ao casar-se com a rainha, desposava na verdade,a sua própria mãe. Tiveram quatro filhos: Etéocles, Polinice, Antígona e Ismena.

Durante anos o rei de Tebas reinou tranquilamente até ao dia em que em Tebas teve uma epidemia de peste.

Para se livrarem da epidemia consultaram o oráculo, que previu que para cessar a epidemia, era preciso que se encontrasse o assassino de Laio e bani-lo definitivamente de Tebas. Tirésias, o grande vidente cego, trazido até a corte revelou a verdade sobre o crime e esclareceu a identidade e a história de Édipo. Jocasta, humilhada e sem poder suportar a vergonha, suicidou-se. Édipo, ao lado do corpo de sua mãe, vazou seus olhos. Expulso da cidade por Etéocles e Polinice, partiu para o exílio acompanhado por Antígona que o guiou até a Ática, onde foi acolhido por Teseu .

 

Tempos depois, seus filhos e Creonte, irmão de Jocasta, tentaram convencê-lo de regressar à Tebas, pois um oráculo havia predito que onde estivesse localizada sua tumba, os deuses dedicariam especial proteção. Foi inútil, porque Édipo, recusou-se terminantemente a realizar-lhes o desejo e viveu seus últimos dias em Colona, localidade situada próximo a Atenas.



publicado por Sou às 00:32
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um infante, que viria
De além muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

 

Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega em sono onde ela mora.

E, inda tonto do que houvera,

à cabeça a maresia,

e vê que ele mesmo era

A princesa que dormia.

Ferrnando Pessoa



publicado por Sou às 00:00
Sexta-feira, 03 de Julho de 2009

 

 

 


 

 

 

 



publicado por Sou às 23:46
Terça-feira, 16 de Junho de 2009

 

 

 

 

 

 



publicado por Sou às 23:51
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

 

 

"Onde tu vês um obstáculo,


alguém vê o término da viagem
E o outro vê uma chance de crescer.

Onde tu vês um motivo pra te irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde tu vês a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...



Onde tu vês a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde tu vês a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
Percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.

E que é inútil querer apressar o passo do outro,
A não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue ver.
  (...)
"

 

Fernando Pessoa



publicado por Sou às 23:58
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

 

 Osho nasceu em Kuchwada, Madhya Pradesh, Índia, em 11 de dezembro de 1931. Filho mais velho de um modesto mercador de tecidos, passou os sete primeiros anos de sua infância com seus avós, que lhe davam absoluta liberdade para fazer o que bem quisesse, apoiando suas precoces e intensas investigações sobre a verdade da vida. Desde cedo foi um espírito rebelde e independente, desafiando os dogmas religiosos, sociais e políticos, e insistindo em buscar a verdade por si mesmo, ao invés de adquirir conhecimentos e crenças impingidos por outros.
Sua intensa busca espiritual chegou a afetar sua saúde a ponto de seus pais e amigos recearem que ele não vivesse por muito tempo. Após a morte do avô, Osho foi viver com seus pais em Gadawara. Sua avó mudou-se para a mesma cidade, permanecendo como sua mais dedicada amiga até falecer em 1970, tendo se declarado discípula do neto.

Aos 21 anos de idade, no dia 21 de março de 1953, Osho tornou-se iluminado. Com sua iluminação, ele disse que sua biografia externa terminara. Nessa oportunidade comentou: "Não estou mais buscando, procurando por alguma coisa. A existência abriu todas as suas portas para mim. Nem ao menos posso dizer que pertenço à existência, porque sou simplesmente uma parte dela... Quando uma flor desabrocha, desabrocho com ela. Quando o Sol se levanta, levanto-me com ele. O ego em mim, o qual mantém as pessoas separadas, não está mais presente. Meu corpo é parte da natureza, meu ser é parte do todo. Não sou uma entidade separada."

Osho graduou-se em Filosofia na Universidade de Sagar, com as honras de "primeiro lugar". Na época de estudante foi campeão nacional de debates na Índia. Em 1966, depois de nove anos limitado pela função de professor de Filosofia na Universidade de Jabalpur, abandonou o cargo e passou a viajar por todo país, dando palestras, desafiando líderes religiosos ortodoxos em debates públicos, desconcertando as crenças tradicionais e chocando o "status quo".

Em 1968, ainda com seu primeiro nome espiritual, Bhagwan Shree Rajneesh, estabeleceu-se em Bombaim, onde morou e ensinou por alguns anos. Organizou regularmente "campos de meditação", onde introduziu a sua revolucionária Meditação Dinâmica. Em 1974 inaugura o "ashram" de Poona, e sua influência já atinge o mundo inteiro. Ao mesmo tempo, sua saúde se fragilizava seriamente.

Osho se recolhia cada vez mais à privacidade de seus aposentos, aparecendo apenas duas vezes por dia em suas palestras matinais e, à noite, em sessões de aconselhamento e iniciação.
Em maio de 1981, Osho parou de falar e iniciou uma fase de "comunhão silenciosa de coração-a-coração", enquanto seu corpo, seriamente enfermo, com graves problemas de coluna, descansava. Tendo em vista a possibilidade de que fosse necessária uma cirurgia de emergência, Osho foi levado aos Estados Unidos. Seus discípulos americanos compraram um rancho no deserto do Oregon e convidaram-no a ir para lá, onde recuperou-se rapidamente.
Uma comuna logo estabeleceu-se ao seu redor, formando a cidade de Rajneeshpuram. Em outubro de 1984, Osho voltou a falar a pequenos grupos e, em julho de 1985, reiniciava seus discursos a milhares de buscadores, todas as manhãs.

Em setembro de 1985, a secretária pessoal de Osho deixa a comuna, repentinamente, seguida por vários membros da administração, vindo com isso à luz todo um conjunto de atos ilegais cometidos por esse grupo. Osho convidou as autoridades americanas para que procedessem a todas as investigações necessárias. Tirando proveito dessa oportunidade, as autoridades aceleraram sua luta contra a comuna.

Em 29 de outubro de 1985, Osho foi preso em Charlotte, Carolina do Norte, sem um mandado de prisão. Sua viagem de volta ao Oregon, onde seria julgado - normalmente um vôo de cinco horas - demorou oito dias. Por alguns dias ninguém soube do seu paradeiro. Em meados de novembro, seus advogados aconselharam-no a confessar-se culpado por duas das trinta e quatro "violações de imigração" das quais era acusado, para evitar que sua vida corresse maiores riscos nas garras do sistema jurídico americano. Osho concordou. Foi multado e obrigado a deixar os Estados Unidos, com retorno proibido pelos próximos cinco anos.

Deixando o país no mesmo dia, Osho voou para a Índia em avião particular, onde permaneceu em repouso nos Himalaias. Uma semana mais tarde, a comuna do Oregon resolveu dispersar-se. Nessa época, Osho enfrentou uma verdadeira "via crucis" para poder fixar-se num lugar, pois onde quer que tentasse estabelecer-se tinha sua permanência negada pelas autoridades, por visível influência do governo norte americano. Ao todo, vinte e um países o expulsaram ou negaram o visto de entrada.

Em julho de 1986 Osho voltou a Bombaim, na Índia, onde ficou hospedado por seis meses na casa de um amigo indiano. Na privacidade da casa de seu anfitrião, ele retornou aos seus discursos diários.

Em janeiro de 1987, mudou-se para o seu "ashram" em Poona, onde vivera a maior parte dos anos 70. Imediatamente após sua chegada, o chefe de polícia de Poona ordenou-lhe que deixasse a cidade, sob a alegação de que era uma "pessoa controversa" que poderia "perturbar a tranqüilidade da cidade". Tal ordem foi revogada no mesmo dia pela Suprema Corte de Bombaim..

No seu trabalho, Osho falou praticamente sobre todos os aspectos do desenvolvimento da consciência humana. Seus discursos para discípulos e buscadores de todo o mundo foram publicados em mais de seiscentos e cinqüenta títulos e traduzidos para mais de trinta línguas.
Ele diz: "Minha mensagem não é uma doutrina, não é uma filosofia. Minha mensagem é uma certa alquimia, uma ciência da transformação; assim, somente aqueles que estão dispostos a morrer como são e a renascer em algo tão novo que agora nem podem imaginar, somente essas poucas pessoas corajosas estarão prontas a me ouvir, porque isto será perigoso. Ouvindo, você dá o primeiro passo em direção ao renascimento. Por isso, a minha mensagem não é uma simples comunicação verbal. Ela é muito mais perigosa. Ela é nada menos do que a morte e o renascimento."

De Sigmund Freud a Chuang Tzu, de George Gurdjieff a Buda, de Jesus Cristo a Rabindranath Tagore, Osho extraiu de cada um a essência do que é significativo na busca espiritual do homem, baseando-se não apenas na compreensão intelectual, mas sim na sua própria experiência existencial..

Osho deixou seu corpo em 19 de janeiro de 1990. Algumas semanas antes dessa data, foi-lhe perguntado o que aconteceria com seu trabalho quando ele partisse. Ele disse: "Minha confiança na existência é absoluta. Se houver alguma verdade naquilo que estou dizendo, isso irá sobreviver... As pessoas que permanecerem interessadas em meu trabalho irão simplesmente carregar a tocha, mas sem impor nada a ninguém..."

A comuna que cresceu à sua volta floresce em Poona, Índia, onde milhares de discípulos e buscadores se reúnem, durante o ano inteiro, para participar das meditações e dos outros programas lá oferecidos.

 

 

 povodeluz.blogspot.com/2009/03/osho-biografia-de-um-mestre-iluminado.html



publicado por Sou às 22:08
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

 

 



publicado por Sou às 23:04
Domingo, 10 de Maio de 2009




"Mais cedo ou mais tarde, todos temos que aceitar o facto de que, num relacionamento, O outro é o espelho. Você é o reflexo. O nosso parceiro não faz nada além de nos revelar o que sente nesse momento, as suas fragilidades, os seus medos, os seus conceitos construidos, os seus sonhos, os seus ideais, a sua ambição, o seu egoísmo,... Enquanto insistirmos em apontarmos o dedo para ele, continuaremos a perder a oportunidade de o conhecermos e de nos livrarmos de nossos problemas. Aqui vai uma preciosa dica: amamos nos outros o que amamos em nós mesmos. Rejeitamos nos outros aquilo de que não gostamos, aquilo que não escolhemos para nós, aquilo de que temos medo, o que reprimimos em nós  próprios  por razões diversas. Frequentemente, quando estamos zangados, ou quando uma relação vai mal, ficamos cegos ou resistentes em relação aos nossos próprios problemas, fazendo um esforço extraordinário para descarregar tudo na outra pessoa."



publicado por Sou às 22:06
Sábado, 09 de Maio de 2009

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que me falta para perceber
Será que temos esse tempo para perder
E quem quer saber
A vida é tão rara

Tão rara

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, eu sei a vida não para

A vida não pára não


Será que é tempo que me falta para perceber
Será que temos esse tempo para perder
E quem quer saber
A vida é tão rara

Tão rara


Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, eu sei a vida não para

A vida não pára não...

A vida não pára

Jõao Pedro Pais



publicado por Sou às 20:03
Sexta-feira, 08 de Maio de 2009

 

 

"O outro é nosso espelho.
Uma jovem mulher procura o terapeuta, e se diz preocupada porque assistira uma palestra onde o palestrante dizia que o outro é nosso espelho.
-Então, disse meu marido, chega do futebol, no sábado a tarde, e joga as chuteiras pela sala, todas sujas de terra e grama, na sala que passei o dia inteiro a limpar, se joga suado e sujo no sofá, e sai andando pela casa espalhando sujeira e reclamando, na casa que passei o dia inteiro a limpar.
Se o outro é nosso espelho, então sou assim porquinha?
Então sou assim insensível?
Então sou assim reclamona?
Passo o final de semana inteiro limpando e limpando, não reclamo de nada, procuro ser sensível as suas necessidade, e isto sou eu?
-O que você sente quando isto acontece?
-Sinto muita raiva!!!
O espelho tem a qualidade de refletir.
A chuteira é o espelho, a sujeira é o espelho, a reclamação é o espelho.
A raiva é o reflexo.
Logo reflete sua raiva.
Então você esta raivosa.
Espelhos servem para fazermos uma reflexão.
Então o outro é o espelho onde você pode ver seus conteúdos.
Não olhe o espelho, olhe o reflexo.
O outro é o espelho. Você é o reflexo.

 



publicado por Sou às 22:53
Sexta-feira, 01 de Maio de 2009

 

 



publicado por Sou às 22:27
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Sou às 21:59

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Sou às 20:46
Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

 



publicado por Sou às 22:46
Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

 

Giges era um pastor a serviço do rei que reinava na Lídia. Em consequência de uma grande tempestade e de um terramoto, o solo fendeu-se e uma medonha abertura surgiu no lugar onde ele apascentava o seu rebanho. Admirado com o que via, desceu pela abertura, e conta-se que, entre outras maravilhas, viu um cavalo de bronze, oco, com portinholas e, tendo passado a cabeça através de uma delas, viu um homem que estava morto, segundo toda a aparência, e cuja estatura ultrapassava a estatura humana. Esse morto estava nu; tinha somente um anel de ouro na mão. Giges tirou-lhe o anel  e saiu. Ora, tendo-se reunido os pastores como de costume para fazer ao rei o seu relatório mensal sobre o estado dos rebanhos, Giges veio à assembleia, no dedo trazia o seu anel. Tomou  o lugar entre os pastores, e girou, por acaso, o anel de tal modo que a pedra ficou do lado de dentro da sua mão e, imediatamente,  tornou-se  invisível para os seus vizinhos, e ouviu  falar dele pelos outros pastores como se tivesse partido, o que o encheu de espanto. Girou de novo o  anel, virou a pedra para fora e imediatamente tornou a ficar visível. Espantado  com o efeito, ele repetiu a experiência para ver se o anel realmente tinha esse poder, e constatou que, virando a pedra para dentro, tornava-se invisível; para fora, visível. Quando se assegurou da propriedade do anel , fez-se incluir entre os pastores que seriam enviados até o rei como representantes. Foi ao palácio, sequestrou a rainha e atacou e matou o rei; em seguida, apoderou-se do trono.


Se, portanto, houvesse dois anéis como este, e o homem justo pusesse um, e o injusto outro, não haveria ninguém, ao que parece, tão inabalável que permanecesse no caminho da justiça, e que fosse capaz de se abster dos bens alheios e de não lhes tocar, sendo-lhe dado tirar à vontade o que quisesse do mercado, entrar nas casas e unir-se a quem lhe apetecesse, matar ou libertar das algemas a quem lhe aprouvesse, e fazer tudo o mais entre os homens, como se fosse igual aos deuses. Comportando-se desta maneira, os seus actos em nada difeririam dos do outro, mas ambos levariam o mesmo caminho. E disto se poderá afirmar que é uma grande prova de que ninguém é justo por sua vontade, mas constrangido, por entender que a justiça não é um bem para si, individualmente, uma vez que, quando cada um julga que lhe é possível cometer injustiças, comete-as. Efectivamente, todos os homens acreditam que lhes é muito mais vantajosa, individualmente, a injustiça do que a justiça. E pensam a verdade, como dirá o defensor desta argumentação. Uma vez que, se alguém que se assenhoreasse de tal poder não quisesse jamais cometer injustiças, nem apropriar-se dos bens alheios, pareceria aos que disso soubessem muito desgraçado e insensato. Contudo, haviam de elogiá-lo em presença uns dos outros, enganando-se reciprocamente, com receio de serem vítimas de alguma injustiça. Assim são, pois, estes factos.

Quanto à escolha, em si, entre as vidas de que estamos a falar, se considerarmos separadamente o homem mais justo e o mais injusto, seremos capazes de julgar correctamente. Caso contrário, não. Qual é então essa separação? É a seguinte: nada tiremos, nem ao injusto em injustiça, nem ao justo em justiça, mas suponhamos que cada um deles é perfeito na sua maneira de viver. Em primeiro lugar, que o injusto faça como os artistas qualificados — como um piloto de primeira ordem, ou um médico, repara no que é impossível e no que é possível fazer com a sua arte, e mete ombros a esta tarefa, mas abandona aquela. E ainda, se vacilar nalgum ponto, é capaz de o corrigir. Assim também o homem injusto deve meter ombros aos seus injustos empreendimentos com correcção, passando despercebido, se quer ser perfeitamente injusto. Em pouca conta deverá ter-se quem for apanhado. Pois o supra-sumo da injustiça é parecer justo sem o ser. Dêmos, portanto, ao homem perfeitamente injusto à mais completa injustiça; não lhe tiremos nada, mas deixemos que, ao cometer as maiores injustiças, granjeie para si mesmo a mais excelsa fama de justo, e, se acaso vacilar nalguma coisa, seja capaz de a reparar, por ser suficientemente hábil a falar, para persuadir; e, se for denunciado algum dos seus crimes, que exerça a violência, nos casos em que ela for precisa, por meio da sua coragem e força, ou pelos amigos e riquezas que tenha granjeado. Depois de imaginarmos uma pessoa destas, coloquemos agora mentalmente junto dele um homem justo, simples e generoso, que, segundo as palavras de Ésquilo, não quer parecer bom, mas sê-lo. Tiremos-lhe, pois, essa aparência. Porquanto, se ele parecer justo, terá honrarias e presentes, por aparentar ter essas qualidades. E assim não será evidente se é por causa da justiça, se pelas dádivas e honrarias, que ele é desse modo. Deve pois despojar-se de tudo, excepto a justiça, e deve imaginar-se como situado ao invés do anterior. Que, sem cometer falta alguma, tenha a reputação da máxima injustiça, a fim de ser provado com a pedra de toque em relação à justiça, pela sua recusa a vergar-se ao peso da má fama e suas consequências. Que caminhe inalterável até à morte, parecendo injusto toda a sua vida, mas sendo justo, a fim de que, depois de terem atingido ambos o extremo limite, um da justiça, outro da injustiça, se julgue qual deles foi o mais feliz.

— Céus! Meu caro Gláucon! — exclamei —. Com que vigor te empenhas em limpar e avivar, como se fosse uma estátua, cada um dos dois homens, a fim de os submeter a julgamento!

aartedepensar.com/leit_giges.html

Platão



publicado por Sou às 23:02

 

 

 

Saiba!
Todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão, também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem...

Saiba!
Todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
E também você e eu...

Saiba!
Todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar...

Saiba!
Todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano...

Saiba!
Todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé...

Saiba!
Todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
E também eu e você
E também eu e você
E também eu e você...

 

 

Arnaldo Antunes

 



publicado por Sou às 22:54
mais sobre mim
Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO